Nada inicia-se sem uma perturbação.
Do que você seria capaz caso perdesse parte do que ama e tudo que tivesse como esperança fosse uma lenda antiga esquecida por muitos?
Um jovem chamado Typson encontra-se numa situação semelhante, juntamente a Anab...
... E ele cavalgou para a floresta com fúria e represália, carregando a Esfera no ato de aniquilar o mal na grande e poderosa batalha.
E os dias nasceram mais felizes sob a sombra da Montanha do Norte, cujo povo que da terra vivia não mais sofreria com a dor da tristeza da morte.
A aurora brilhara dourada nas almas dos homens jubilosos.
Mulheres e filhos cantaram e velhos clamaram para o sorriso da Lua em vitória a crueldade do mal sem idade.
***
No princípio, foram criados os céus e a Terra.
A Terra estava uniforme e vazia; e as trevas cobriam o abismo apenas com um Grande Ser a pairar sobre as águas.
"Faça-se a luz!" – Fora-se dito. E a luz fora feita.
E Ele viu que era bom, e separou a luz das trevas chamando a luz de dia e as trevas de noite.
Assim seguiram-se os dias, assim seguiu-se a Criação. O eclodir dos astros, a glória das estrelas, o próprio infinito de vida e mudança amalgamados a um único elo inquebrável de suma harmonia universal. O sopro da vida no vazio. O brotar da nascente em árida terra, a verter-lhe água, a geminar, a proliferar, a crescer e multiplicar até nos findáveis do tempo. Foram acabados os céus, a Terra e todo o seu exército.
Terminado no sétimo dia a obra que tinha feito, Ele descansara de seu trabalho abençoando o sétimo dia e o consagrando, porque nesse dia repousara de toda a obra da Criação.
Durante repouso, este Ser peregrinara por entre sua obra, amando-a, sentindo-a, vendo-a respirar. Viajara ausente de distância e movimento ou mesmo com ele. Uma presença sem forma, onipotente, onipresente e completamente onisciente. Não havia espaço sem o seu saber. Ele lá estava e mesmo não; sempre em único lugar e sempre em todos. Fizera a Criação; Ele próprio a era. Então, fora durante que, não muito longe da Terra, este Ser ouvira um módico lamento, não de tristeza, mas de essência. Tal essa era a Lua.
– O que te perturbas, filha minha? – Falara o Grande Ser na língua da Criação. – Não estás tu contentes com a vida presenteada, fruto de meu Dom, de minha Criação?
A grande face escura sentira-se honrada pela presença; e numa voz sem som, o respondera:
– Partilho de tua felicidade, Alta Luz. Amo-a, sinto-a, respiro-a. Eu sou, estou a ser e sempre serei a mim fiel a unicidade de tua Obra.
– Fale-me. – Ordenara.
– Sou escura. Não tenho cor. Escondo-me na sombra de minha irmã até o fim e do fim voltar a ser e assim continuar; sem cor. Bichos não me conhecem, tampouco o céu, o mar e o homem. Qual o sentido de minha existência sem o saber dos demais sobre mim? Jamais me amarão ou me conhecerão. Estarei à sombra, sempre à sombra, na escuridão.
– Minha jovem filha, pergunto-te: Tu conheces verdadeiramente teu ser? – Ponderara o supremo luminar.
– Sim, meu Senhor. – Respondera-o.
– Sabes com sincera benevolência o que te cabes? O espírito de tua existência?
– Sim, meu Senhor.
– Então, tu não és inútil. Criei a vida em um ciclo sem fim e tu fazes parte dela como o pássaro a cantar e o Sol a brilhar. O lar de minha imagem e semelhança pereceria na carência de tua presença. Tu não existirias sem à Terra, assim como a Terra não existirias sem tu.
– Perdoe-me, Alta Luz.
– Não há nada a ser perdoado. Apenas, não desejo ver-te assim.
E a Lua conformara-se, na escuridão de sua existência.
– Minha amada filha, diga-me: o que teu ser anseia?
– Eu quero a minha luz.
– O Equilíbrio existe. Não posso ofuscar a luz de teu irmão mais próximo.
– Então, quero o que remanescer dele.
Destarte, o Grande Ser, com um único e poderoso sopro seu, deslocara a Lua da sombra da vida, transmutando a sua cor esquecida ao fulgor do Sol irmão.
Uma singular tênue luz óssea passara a brilhar na escuridão do espaço.
– És agora, minha jovem dama e amada filha, o reflexo de teu irmão e, a partir desde exato momento, estarão ligados para todo o sempre até o ribombar do som da última trombeta.
Em virtude de seu atendimento, tamanho júbilo fez com que a Lua sorrisse para o mundo; uma lembrança da sua felicidade nas outrora do tempo, do acolhimento recebido entre bilhões e bilhões espalhados pelo Cosmo.
Característica alegria e ternura encandeceu-se direção à Terra, a cair por entre as estrelas e seus habitantes na forma de uma gota de luz, solidificando-se, enraizando-se: uma Esfera na Terra a brilhar e resplandecer cálida e alva.
Tal é a história da criação dos céus e da Terra. Tal é a história do surgimento da Esfera da Lua e dos segredos contido no mundo das almas efêmeras.
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