Capítulo Dezesseis - A Primeira Rocha

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(...)



O ar da tarde entrava pelos pulmões enquanto Typson caminhava em direção a uma alta rocha longe das casas. Olhara para os lados. Certificara-se de não haver mais alguém ao repousar sua mão na superfície fria e lisa, fechando os olhos em concentração. A rocha tremera, a surgir uma rachadura que a dividira verticalmente ao meio. As partes resultantes se afastavam como polos opostos de um ímã; uma separação que resultara em um espaçamento que Typson se posicionara em seu meio e deixara o peculiar formigamento o consumir.

Ao abrir dos olhos, não estava mais ao ar livre. O curto caminho da rocha à porta não se encontrava iluminado, exigindo uma luz que Typson criou com um girar das mãos em torno doutra. Empurrara a porta que rangera em aflição. O escuro continuava, agora portado de um silêncio dos mortos. A brisa constante, antes apreciada, ao momento recordava apenas o tocar de dedos frios esquecidos do calor humano. Typson não ousara olhar para os lados, ou para os suportes dos frascos e demais objetos quando abrira a segunda porta. Espantara-se, estagnando-se a prever em mente uma grande árvore; mas, diferente do que deveria ser, o que havia em frente era uma nova ala que Typson desconhecia.

A iluminação era fraca, provinda apenas de uma lareira e de duas tochas fincadas a parede à esquerda e à direita. A vista era de um espaçamento retangular com duas grandes cadeiras proporcionais ao mago, de fronte ao estralar fogo e uma mesa de rocha de pernas pequenas entre os dois assentos. Typson entrara, fechara a porta, caminhando em direção a cadeira semelhante a uma poltrona. Deslizara seu indicador na madeira rústica, para após sentir a maciez do acolchoado avermelhado. Não resistiria em se sentar em umas delas; mas, antes que o fizesse, ouvira vozes.

Elas partiam estranhamente da lareira, caso que fez com que Typson se aproximasse e se inclinasse em direção ao fogo e a rocha que a revestia. O som era abafado, mas de acordo que andava, tanto para a esquerda ou quanto para a direita, as vozes intensificavam-se ou desapareciam. Não demorou em descobrir que por detrás da lareira havia um curto corredor oculto a mesma largura, caminho esse que Typson tomou em direção descobrindo uma porta em seu fim.

Aprumado a sua audição e encostando a orelha na fria madeira, Typson ouviu as vozes anteriores mais distintas. Havia alguém do outro lado.

– ... percorreu anos e anos atrás! Isso é completamente indiscutível, Merlino! – Exclamara uma rouca voz. – Essa sua... delirante teoria claramente se limita a isso; uma grande e incoerente teoria! Onde coube-te a sensatez, meu caro!?

– Sensatez!? – Indagara o mago. – Sensatez? O que me cabe dizer de tal palavra se mesmo você encontra-se por desconhecê-la com o passar das estações? Você mais que ninguém sabe o que quero dizer. Mas vejo que perdeu o verdadeiro amor cujo lhe coubera. – Respirara. – Não exija de mim o resultado dos acontecimentos. Não deveremos ignorar os sinais que já estão estupidamente claros, meu amigo! Deverei ser mais sensato que isso?

– Não me martirizarei com suas vãs afirmações. – Ralhara a rouca voz. – Sabemos da história, de como e por quem foram feitas. Nelas existem fatos verdadeiros do passado e o suficiente para vivermos em paz.

– Esta é a sua verdadeira paz? Escondidos no fim do mundo, ábdito na arrogância?

– E o que você sabe sobre a verdadeira paz, grande e poderoso Merlino Ambrósio? Diga-me!

– Eu não assistirei a isso. – Suspirara o mago. – Está acontecendo sob o nosso manto e você está cego com palavras secas.

– Estaria eu cego aqui? Será realmente eu o caliginoso pela própria intenção? – Ouvira-se o arrastar de uma cadeira e um possível mudar de tom. – Não há como saber ao certo. Ninguém sabe de sua localização.

A Jornada de um Assistente e a Esfera da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora