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O sol castigava nesse dia, raro em ocasião, resultando em nenhuma reclamação no calor exercido. As poucas nuvens, tanto alvas quanto cinzentas que deslizavam no céu, passavam sem pressa; algumas cresciam no infinito como uma grande espuma cândida de contornos arredondados com o sol a refletir em superfície, despertando em si uma pureza deífica. Typson não sabia de onde as nuvens gigantescas surgiam, mas nunca ficava envergonhado em admitir que tamanho colosso no céu lhe dava um fio de temor e admiração.
O grupo, após terminarem o treinamento, caminhavam sem rumo Cidadela adentro pelas ruas debilmente movimentadas e úmidas pela chuva. Andavam sem direção, assim pensava Typson.
– Então é verdade que não a conhece? – Razi perguntou empenhado em tapar o sol com a mão, inutilmente. – Nunca ninguém te falou, ou comentou sobre? Nunca?
– Ninguém, Razi. Já é a terceira vez que me pergunta isso. – Respondera-o aborrecido. – Talvez o Sr. Alorry tenha falado sobre, mas eu não ofertei confiança. E como poderia? Nunca vi torre alguma por aqui! Você está vendo uma? Pois eu não a vejo. Uma "torre", em meu medíocre conhecimento, é alta o suficiente para se ver a uma distância considerável. E sabe o que eu vejo? Uma grande torre de nada. – Cruzara os braços.
– Não funcionada dessa maneira. – Sorrira Ana aparentemente apreciando a situação. – A torre não é vista com olhos comuns.
– É estranho o mago não ter comentado com você sobre isso. – Examinou Razi em derredor ao virar para esquerda como um guia involuntário.
– Nenhuma palavra. – Admitira a expirar sua frustração. – Além dele me parecer um pouco abatido dias atrás. – Refletiu. – Os ensinos continuam excepcionais, isso não posso negar. Mas, é difícil ver aquele grande homem em uma situação dolorida. É como ver um predador adoecido ou ferido de alguma forma.
– Por isso que está conosco. – Constatara Ana com frágil surpresa.
– O mago não estava em casa. – Completara Typson.
– Ainda descubro onde ele mora. – Remoera Razi em um tom investigativo.
Em caminho, Typson visualizou o pináculo da Biblioteca, possível ponto de referência que Razi utilizara após virar à esquerda. Depois de caminharem na retilínea rua, logo em seu fim, outra se encontrava praticamente oposta ao que atravessaram. Era uma rua circular onde, como preenchimento, casas delineavam a circunferência interior praticamente fixas umas às outras. Era conhecimento de todos o círculo de casas. Alguns a chamavam de rua do anel, atribuição essa que Typson não contestou em relacionar.
Carroças passavam, mulheres conversavam, crianças brincavam despreocupadas enquanto homens saíam alinhados, despedindo-se com ancinhos e enxadas em mãos em direção ao Oeste da Cidadela. Todos sabiam da infertilidade e de como nada crescia ou vingava com saúde. E não era apenas o clima álgido, conhecendo todos, ainda que inconscientemente, da existência de algo de errado com a terra e apenas a ela.
Afastado da grande proteção, os moradores cultivavam o pão, afora, longe do tormento do clima que a grande montanha exercia. Automaticamente, Typson recordou de sua visita ao acampamento que os homens chamavam por "A ilha fora do mar". Lembrou-se de como encantado ficara ao ver a extensão da plantação que era realizada perto do grande rio e de como sua plantação era a única que suportava as condições da Cidadela.
– Typson? – Razi o chamou.
– Estou ao seu lado. – Sorriu, empurrando-o. – Chegamos? Onde está a torre?
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A Jornada de um Assistente e a Esfera da Lua
AventuraNada inicia-se sem uma perturbação. Do que você seria capaz caso perdesse parte do que ama e tudo que tivesse como esperança fosse uma lenda antiga esquecida por muitos? Um jovem chamado Typson encontra-se numa situação semelhante, juntamente a Anab...
