Capítulo Dezessete - A Espada

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***




– Ana?

– Estou acordada.

A noite assomara-se as sombras. Ana, por sua vez, não descansara como queria. Ficara deitada ao longo do final do dia com os olhos fechados, esperando o momento ou, especificamente, o chamar de seu irmão. Ouvido a sua voz, erguera-se completamente desperta.

– Você não dorme? – Perguntara Typson.

– E alguma vez você dormiu? – Retrucara.

Diante à insistência de seu irmão, Ana rapidamente procurara vestimentas para o frio, vasculhando em seus pertences na busca de uma capa ou capote que esquecera em uma falsa lembrança infantil. Vestira um velho capote cinza. Calçara uma velha botina, onde o sistema de fixação funcionava por fivelas e cordas. Raptara a metade de um pão e alguns biscoitos, esses que Typson recusou enquanto caminhavam em direção ao ponto de encontro.

– Por que está com medo? – Perguntou Ana enquanto aproximava-se da rua de Razi. – Não estamos fazendo nada de errado.

– Eu não estou medo! Estou um pouco inquieto. – Rebatera Typson a um tom de ofensa. – Acho que errei em envolver vocês dois, ou três.

– Agora é tarde demais para isso, não acha?

– Talvez.

Razi juntara-se à dupla para após caminharem sobre o silêncio que perdurou sob a terra e o grande cristal da Abóbodala. Chegado ao ponto, nesse meio tempo, Typson se despedira engolido pela escuridão do túnel a sua escolha. Os dois jovens permaneceram sozinhos no assombro que a vivacidade inflige ante o ambiente; e mesmo no repouso das deambulantes almas, outrora ativas.

– Seu irmão é realmente persistente. – Comentara Razi a girar em seus calcanhares. – Imagino de quem ele herdou essa teimosia.

– Não foi herdada. Foi ensinada. – Flamejara Ana. – Não vejo como defeito. Não em meu irmão.

– Contudo, já em você... não posso dizer o mesmo.

– Fique calado e me siga. – Resmungara a caminhar a passos largos para o túnel onde bifurcava-se para os treinamentos.

– Melhor deixarmos esse por último. – Intervira Razi no caminhar de Ana.

– Por que eu faria isso? Temos que começar por algum lugar.

– Não há nada naquela direção. Lembra-se que a divisão foi feita pelos anciões? – Inclinara a cabeça para o lado. – Depois dos guerreiros? – Acrescentara.

Ana, por alguns instantes, paralisara-se na busca de um contra-argumento; ao constatar-se que não haveria, respirara a se perder em pensamento no que poderia fazer.

– Então, começaremos pelo segundo túnel e depois pelo terceiro e assim continuaremos...

– É tudo muito extenso. – Queixara-se Razi a fixar seu olhar no colosso à sua cabeça. – Demoraria quase todo o inverno na busca de algum sinal ou... seja o que for que procuramos.

– Você tem uma péssima mania que eu tinha quando criança. – Semicerrara Ana seus olhos amendoados. – Santa estrela, eu deveria ser muito irritante.

– Não tanto quando andar como dementes por uma construção que nem mesmo os próprios anciões conhecem o seu fim.

– Teria alguma outra sugestão maravilhosa?

A Jornada de um Assistente e a Esfera da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora