Capítulo Vinte Um - Outro Dia

10 1 0
                                        



Mesmo as noites totalmente sem estrelas podem anunciar a aurora de uma grande realização.

Martin Luther King



Typson segurava a Esfera com alegria e desgosto; não conseguia discernir qual sentimento saborear, ou tornar-se digno destes. Ao pensar no ocorrido, faces do ódio transcorriam em mente como assombros de um pesadelo ruim ante palavras ditas e gestos de rancor. "Ela está livre." – pensava, imaginando caminhos diferentes que poderia ter tido tomado. "Minha culpa. Minha falha." – frustrava-se. "Por que não fiz desta maneira? Por que não pensei direito? Poderia ter dado certo! Mas... agora é tarde. Tudo se foi... e a culpa é minha." A Esfera era seu único consolo.

Aluno e professor seguiram rapidamente para a ponte cujo mago consertara-a impaciente com uma única palavra. Merlino não olhou para trás quando se dirigiu para a travessia a passos largos e sem auxílio de seu cajado. Typson seguiu-o em seguida.

Chegado ao outro lado, com o bater do bordão, Merlino fez com que a ponte se consumisse em chamas e arrebentasse-se fragilizada perante a fenda subterrânea. A mancha alaranjada decrescia no abismo enevoado, aclarando as paredes frias exclusos a luz do sol.

Percorrendo ao túnel em caminho para os cristais nacarados, em sua metade, Typson estagnara-se ao ver sua companhia virar-se para ele e com os olhos bem abetos, a solicitar:

– Precisaremos esconder a Esfera.

– Agora?

– Não são todos conhecedores da verdade, Typson. – Explicara ajoelhando-se em um único joelho. – Alguns de seus amigos questionam a existência deste lugar e da sua antiga serventia. A Esfera apenas fomentará perguntas quais não poderemos responder.

– Que digamos! Por que razão continuar com esta mentira? Não há como esconder mais, senhor.

– E estás mais que certo. Mas não agora. Não hoje. – Estendera a mão. – Não por você.

A Esfera, sob o toque da mão, diminuíra de tamanho gradativamente. O mago, por sua vez, ao realizar semelhante feito anterior, escondera-a em suas vestimentas.

– Não posso mantê-la assim por muito tempo. – Justificou-se Merlino andando. – Venha, garoto.

Andaram pelo túnel, céleres. O grande homem cortava a escuridão com sua chama, acompanhado por um jovem que lutava para se igualar aos passos rápidos do colosso. Caminhavam por longos minutos quando uma luz rósea manchou as paredes negras ao fim do túnel. Typson, com um sobressalto, vislumbrara contornos escuros, sombras que se alertaram pelo som dos passos.

– Anabell! – Gritou.

– Typson!? – Gritou em retorno, correndo de encontro ao irmão.

Ambos se desataram a correr, a rir ou a chorar. Ao abraço violento, perderam um pouco de ar pela força provocada, mas os risos e sorrisos amenizavam a dor que ambos pudessem sentir. Ana acariciava o cabelo de seu irmão, enquanto o mesmo empurrava-a para o lado, vergonhoso pelo gesto de afeição.

– Isso é queimaduras? – Questionou Anabell, severa. – Santa Esfera, Typson! O que aconteceu? Uma batalha com os objetos inanimados? – Sorrira em humor.

– Foi mais que isso. – Respondeu fadigado.

– Terão tempo para isso depois. – Interrompeu o mago, severo não apenas a Typson e Ana. – Mexam essas pernas. Andem todos. Percorram o caminho a pouco traçado. – Esperou. – Não olhem para mim. Vão logo!

A Jornada de um Assistente e a Esfera da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora