Capítulo Sete - Além do Muro

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(...)


Fora de fato inevitável o aparecimento da mulher, a puxar sua filha para dentro com violência, abrindo a porta da frente com um chute, a gritar para as sentinelas, que não estavam muito distantes.

– Senhores! Senhores! – Gritou a voz materna. – Estou sendo vigiada! Alguns diabretes estão ao lado de minha casa com propósitos duvidosos. Venham agora mesmo para cá!

A mulher retornou para casa fechando a porta numa pancada surda. Ouvia-se ela remexendo nos armários, andando pelos cômodos a passos pesados. Estava em busca de algo.

O guarda, que tentava reanimar o jovem desmaiado, largou-o no chão agarrando sua lança, pondo seu elmo, correndo para a casa da suposta mulher, partindo atrás de Razi e Peter, que por eles encontravam-se a muitos metros de distância.

No fim, fora uma corrida tola e desjeitosa. Os outros, que encenavam no desmaio de Mathias, empregaram o momento de distração para correrem e se esconderem pelos desmesuráveis corredores e passadiços. Já não havia ninguém na rua, unicamente a sentinela que se dispusera percorrer os jovens a fim de capturá-los, algo que não aconteceu. Os guardas de pouco entenderam a desordem, e tudo que eles desejavam era voltar para suas casas e terem uma refeição digna feita por suas esposas ao aconchego da cama quente.

O velho Nilson, tão pouco demonstrou qualquer desassossego com o acontecido. O mesmo continuou a guiar sua carroça, com sua característica posição corcunda e o fumo que em frequência mastigava por todo o decorrer do dia. Ao chegar do sopé do pórtico, cumprimentou uma das sentinelas, sendo que o mais velho ainda retornava da perseguição.

– Boa tarde, Hector. – O senhor saudou-o em um aceno, retirando de sua túnica azul um pergaminho amarelado, enlaçado por uma fita vermelha. – O de sempre. – Antepôs.

O guarda recebeu o documento. Seus olhos sombreados pelo elmo escondia a cor de seus olhos, mas tais brilhavam. Cintilações escuras perdidas no envoltório.

– Sim. – Atestou a sentinela. – Idêntico ao anterior. – Enrolou o pergaminho, e o devolveu sem o enlaçar de volta. – Certo de que irá, senhor Nilson?

– O que disse, filho? – Perguntou para logo se alto responder. – Oh, não. – Riu secamente. – Estou velho demais para ter medo de alguma coisa. – Mastigou o fumo e cuspiu. – Muito velho, Hector. Muito velho...

O mesmo assentiu. O guarda, após tencionar a lança em mãos, com o procedimento, fizera sua pedra bilhar. Caminhou até o muro, mais propriamente até uma falha vertical entre uma rocha e outra, indiscernível à primeira vista. Enfiara a lança na falha, e a utilizando como uma alavanca, a mesma desceu em um movimento arqueado, seguido por um estralo audível, recordando o som da colisão de rochas em sua superfície. O grande portão abrira lenta e arrastadamente, carregando consigo montes de terra e pedra com o movimento da abertura. Em poucos instantes, o caminho até a floresta estava livre.

Diferente do portão principal, este não possuía uma área de distanciamento entre as árvores e a Cidadela. Poucos metros se proporcionavam, onde, depois de alguns passos, a luz não mais incidia perante as copas. Typson observava boa parte dos acontecimentos perante um furo na lona que o encobria. Vira seu deslocamento até a passagem, e fuga de seus amigos, a verificação da documentação e a própria liberação concedida ao senhor. Nilson não chegara a atiçar seus cavalos quando outra voz surtiu.

– Sr. Nilson! Um momento. – A outra sentinela o alcançou. – Espere.

Ganhara aproximação. Typson arrepiara-se.

A Jornada de um Assistente e a Esfera da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora