Capítulo Cinco - O Tempo Imperdoável

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Existe um tempo certo para cada coisa, momento oportuno para cada propósito debaixo do Sol: Tempo de nascer, tempo de morrer; tempo de plantar, tempo de colher.

Bíblia












Cinco anos se passaram. As árvores, o céu e astros continuaram imutáveis em suas incansáveis rotinas. Já para Typson, o tempo fora imperdoável. Onde outrora formas singelas o moldasse, agora a estatura de um homem ganhava forma, tal como a voz adquiria gravidade e a altura acompanhava recíproco progresso. Ombros alargaram-se, a barba cresceu; ao rosto quadriculado, um jovem expressivo ganhava forma, este que se interessava pouco com sua aparência. Era um homem que meramente gostava de terra e a remexia na maior parte do dia.

Atícia e Anabell também sofreram mudanças ao passar dos anos.

Ana, em seu fulgor juvenil, ausentou-se de suas atitudes infantis, não possuindo mais suas diferenciáveis maneiras insolentes de agir, pondo aquela energia irresponsável ao controle. O que acontecia era, às vezes, os surtos raros de sua personalidade orgulhosa aparecer a certos momentos do dia, conduzindo a curiosa mescla da infância com a maturidade.

Já Atícia, sua transformação fora mais externa. Seu longo cabelo negro surtira-se de fios prateados, um branco discreto que se destacava aos demais. Sua expressão transmitia a imagem de uma grande fortaleza, impenetrável, forte, em mescla a um leve sorriso como as ondas calmas de um lago profundo. Internamente, ela tornara-se muito mais amorosa, mas não menos esperta.

Eram tempos de felicidade. A Cidadela cresceu. As chuvas tornaram-se regulares. O Sol brilhava com força e a noite nunca que fora tão bela.

Typson passou os últimos anos cuidando do terreno proveniente do casebre. Ele cuidara da terra, tratara-a com paciência, para então usá-la ao bom modo. Plantava cevada, algumas batatas e rabanetes. Não era muito comum plantar na cidade ou muito menos aos arredores, pois dificilmente as sementes germinavam no frio solo; e quando conseguiam, era tudo à base de adubo e vitaminas. Mas nada de bom vingava mesmo sob afeição e sortilégios

Não duravam mais que alguns meses. Era comum surgir rajadas frias provinda das montanhas, criando uma feroz geada matutina, eliminando o que tentasse crescer. Com isso todos, acostumados com as surpresas da natureza, marchavam em segurança até uma colina de campo aberto, longe da Cidadela, por onde perto dois pequenos afluentes corriam rumo ao Grande Rio do qual utilizavam em irrigação. E lá a salvos do frio estavam, mas Typson, por sorte talvez, nunca sofreu com tal geada ou outras intempéries. Então nunca se preocupara com o frio ou sinônimos.

Já Anabell e Atícia, com o decorrer do tempo, aprenderam a arte das artesãs, tornando-as assim conhecidas em toda a extensão da Cidadela – e por poucos vilarejos vizinhos também. Com a moeda de troca física – providência que membros do conselho estipularam como controle de mercadorias em intermédio – reformaram a choupana decadente da qual chamavam-na de lar, transformando-a em um local digno de viver e trabalhar. Suas produções, junto à de Typson, não geravam nenhuma fortuna, pelo ao contrário, chegavam dias que não havia o que comer apesar de todos os métodos de racionamento. Mas, em geral, era uma vida boa, livre de grandes preocupações.

Essas eram suas novas vidas, que em todos os dias enfrentavam uma mesma rotina, essa que começava antes do nascer do Sol.

– Hora de acordar... – Ouvia Typson uma doce voz dissipada em seu quarto. – Acorde... Acorde... Vamos, seu napeiro! – Continuava a doce voz em seu sonho.

A Jornada de um Assistente e a Esfera da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora