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Por instantes paralisada permanecera, incrédula pela opinião do povo ao seu respeito, e a de todos aqueles que se tinha estima. "Teria razão uma ignorante das belezas da vida na existência do bem e do mal? Mas, quanto a mim? Teria eu?" Afastava-se. "O que significa verdadeiramente esta minha joia? Serei egoísta a ponto de expelir o meu infortúnio a outros sem o consentimento de defesa do próprio?".
Quando dera por si estava correndo pelas ruas enxugando as duras lágrimas que escorriam em seu rosto. Seu cabelo esvoaçava chicoteando o ar com violência; uma tira de ceda negra e fios brancos a dançar perante vendaval. Tão pouco sabia para onde ir, ou por onde corria, mas ao ver – depois da árvore morta da encruzilhada – um monte de pedras musgosas de arestas redondas e lisas, sentara-se na rocha mais próxima ao solo deixando as lágrimas caírem na escura e lamacenta terra.
"Por que estou tão triste?" Ela mesma não sabia responder. Sempre fora uma mulher forte e determinada, nunca se deixando abalar com palavras ácidas ou atitudes de baixo valor moral. "Então, por que chorar? Qual a razão de minha evasiva diante conflito?" Demorou só um pouco para a resposta clarear: Era o medo. Não o seu medo, mas o medo nos olhos das crianças e através da raiva contida nos olhos das mães. "Eles me temem! Que absurdo!" – Pensava – "Absurdo?".
Uma ensurdecedora trovoada rasgara o céu, tamanha força que fizera o chão vibrar. A fagulha do Sol que permanecia fora coberta por colossais nuvens negras; claras mensageiras prematuras da escuridão noturna. Um vento gélido tremulara o vestido negro, fazendo-a arrepiar e esfregar suas mãos nos braços. Era de se esperar que chovesse.
A princípio, viera lentamente à distância, iniciando o chocar das poderosas gotas nos telhados de ardósia, madeira e palha, anunciando o prenúncio inevitável. Quando chegara a tocar em sua pele, pela primeira vez não a apreciara, permitindo somente que a ensopasse na rigidez mantida. A mulher permanecia imóvel, fixa como a própria rocha ao seu lado, fria tal como o próprio gelo e neve. Estava a soluçar quando ouviu passos a se aproximar.
– Existe um mito numa terra muito distante que narra uma estória de que o Sol, certa vez, escondera-se em uma caverna, sucumbindo, portanto, o mundo na mais completa escuridão. – Pausou. – Bem, acredito que o Sol sentiu saudades desta caverna hoje ou foi-lhe fazer uma breve visita.
A mulher não levantara seu rosto perante presença. Estava no estranho fascínio de observar o colidir das gotas d'água da chuva nas poças que as próprias criavam, em consequência. Havia alguém a seu lado, um homem, agora sentado aos calcanhares à sua frente, a encará-la, pois se sabe quando alguém olha fixamente para você.
– Poderia levantar o olhar triste? Eu não sou um bom dançarino.
– Quem é você? – Perguntara a mulher, reclusa.
– Já faz muito tempo. – Dissera o homem lentamente. – Espero que não tenha esquecido o meu rosto.
E o mesmo segurara o queixo da mulher a lhe erguer a cabeça. O próprio se surpreendera quando ela subitamente o abraçou. De fato, retribuiu o abraço, ficando os dois por longos minutos sob a pesada chuva.
– Deixou que as palavras te afligissem. – Sorrira o homem em compaixão. – Não são todos que compreendem. Eles temem. Por favor, não chore pelo medo de outros.
– Choro por aqueles que temem a mim. De mim! Nunca aconteceu semelhante em vida. Nunca!
– A desconsideração é uma tarefa difícil de exercer. A ignorância é inquietante tanto quanto é o conhecimento provindo do desconhecido. Mas, o valor das verdadeiras coisas não está em sua pedra ou na Esfera da Cidadela; mas, sim, dentro de você. Em seu espírito. Em seu valor puro, Atícia.
Ela o abraçara mais forte, tamanha força que o fizera ofegar. Mas, tampouco o incomodara. Ambos estavam felizes. Ele apreciava o perfume de seu corpo enquanto ela as cócegas de sua barba. Ali, sob a chuva violenta, sorriram silenciosos.
– Fez-me uma grande surpresa, Lucvan. Uma grande e amada surpresa.
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A Jornada de um Assistente e a Esfera da Lua
AventuraNada inicia-se sem uma perturbação. Do que você seria capaz caso perdesse parte do que ama e tudo que tivesse como esperança fosse uma lenda antiga esquecida por muitos? Um jovem chamado Typson encontra-se numa situação semelhante, juntamente a Anab...
