Capítulo Dois - O Ataque

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(...)


Typson ficou fitando o chão, silencioso, pensando. Desviou seu olhar para Ana, transmitindo temor.

– É por isso que não podemos sair à noite. Foi por causa disso! Por causa dessa... aparição?

– Sim, foi.

– Por que está me contando apenas agora, Ana? Isso já faz um bom tempo, você podia dizer...

– Meus pais me pediram para não contar. Eles descobriram que eu tinha ouvido tudo e imploraram-me isso. Desculpe-me.

– E qual é o motivo agora?

– Por que, talvez, tenhamos que nos mudar cedo ou tarde.

– Isso não faz sentido algum. – Olhara para o céu; o sol já não mais aparecia mergulhado no horizonte ondulado, tingindo o céu com laranja, vermelho e rosa. A lua já ganhava força e isso era o sinal.

– Já está tarde. – Falara Typson, nebuloso. – Melhor descermos. Não quero que minha mãe se preocupe comigo.

– Sim. – Concordara Ana no mesmo tom. – Meu pai deve estar me chamando.

Desciam quando Ana comentara.

– Queria que meu pai nunca tivesse visto tal coisa.

– Acho que nada mudaria. Um dia ou outro alguém a veria... sendo seu pai ou... não? O que...

Mais uma vez o vento passou, fazendo-os baterem o queixo e parassem para se apoiarem melhor. Desta vez, o vento continuou a soprar sem pausas. Tiveram que descer aos poucos; e quando encontraram o solo, combinaram.

– Amanhã, outra vez? – Perguntara Typson a sobrepor sua voz ao vento. – Amanhã!?

– Eu não sei... se posso! Eu irei a sua... a sua casa... e... mas que maldição! Que vendaval fora de tempo? – Ana semicerrava seus olhos, segurando seu cabelo que insistia bater-lhe nos olhos. – Você está com frio?

– Vamos para casa do Sr. Lucvan! – Alvitrou, cruzando os braços.

– O que disse, Typson? Fale mais alto!

– Vamos... no... casa... van... até ... ANDAR!!! SEGURE MINHA MÃO!

Andavam contra o forte vento. As árvores que o cercavam, gemiam com a força do ar entre elas. Balançavam furiosamente uma contra as outras, resmungando estalidos de galhas a quebrar. Portas e janelas batiam furiosamente ao longe e o alarme das pessoas com o vendaval era-se alto o suficiente a ser ouvido através do abafamento do movimento violento do próprio ar. As pessoas corriam. Animais exaltavam-se.

– ANA! ESTÁ OUVINDO ISSO?

– NÃO!

– OUÇA COM ATENÇÃO!

Algo irrompeu na miscelânea de sons. Um forte estrondo dissipava-se no vendaval. Antes se vinha o rachar da madeira, seguido pelo chiar de vários galhos e folhas para depois sentir uma pancada surda através do chão. Alguém, ao longe, derrubava algo muito pesado, algo que repetia a cada passar dos segundos. Alguém se aproximava. Alguém derrubava árvores.

– O ESTRONDO! EU... EU ESTOU OUVINDO AGORA!

– ÁRVORES, ANA. ELAS ESTÃO CAINDO. ESTÃO SENDO DERRUBADAS!

– PELA SANTA ESTRELA, TYPSON! OLHE PARA CIMA!

Ergueram a cabeça inspirando surpresa. Olhando para o céu, para as estrelas, Typson paralisou-se ao ver que todos os pássaros se dispersavam no vendaval. Uma colossal revoada de todas as espécies, fugindo dos estrondos e de quem as provocava sem emitir um piado, um som. Voavam em silêncio, no calmo desespero dos próprios animais em massa. O vento soprava cada vez mais forte, descontrolado. Typson estava boquiaberto.

A Jornada de um Assistente e a Esfera da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora