(...)
Typson ficou fitando o chão, silencioso, pensando. Desviou seu olhar para Ana, transmitindo temor.
– É por isso que não podemos sair à noite. Foi por causa disso! Por causa dessa... aparição?
– Sim, foi.
– Por que está me contando apenas agora, Ana? Isso já faz um bom tempo, você podia dizer...
– Meus pais me pediram para não contar. Eles descobriram que eu tinha ouvido tudo e imploraram-me isso. Desculpe-me.
– E qual é o motivo agora?
– Por que, talvez, tenhamos que nos mudar cedo ou tarde.
– Isso não faz sentido algum. – Olhara para o céu; o sol já não mais aparecia mergulhado no horizonte ondulado, tingindo o céu com laranja, vermelho e rosa. A lua já ganhava força e isso era o sinal.
– Já está tarde. – Falara Typson, nebuloso. – Melhor descermos. Não quero que minha mãe se preocupe comigo.
– Sim. – Concordara Ana no mesmo tom. – Meu pai deve estar me chamando.
Desciam quando Ana comentara.
– Queria que meu pai nunca tivesse visto tal coisa.
– Acho que nada mudaria. Um dia ou outro alguém a veria... sendo seu pai ou... não? O que...
Mais uma vez o vento passou, fazendo-os baterem o queixo e parassem para se apoiarem melhor. Desta vez, o vento continuou a soprar sem pausas. Tiveram que descer aos poucos; e quando encontraram o solo, combinaram.
– Amanhã, outra vez? – Perguntara Typson a sobrepor sua voz ao vento. – Amanhã!?
– Eu não sei... se posso! Eu irei a sua... a sua casa... e... mas que maldição! Que vendaval fora de tempo? – Ana semicerrava seus olhos, segurando seu cabelo que insistia bater-lhe nos olhos. – Você está com frio?
– Vamos para casa do Sr. Lucvan! – Alvitrou, cruzando os braços.
– O que disse, Typson? Fale mais alto!
– Vamos... no... casa... van... até ... ANDAR!!! SEGURE MINHA MÃO!
Andavam contra o forte vento. As árvores que o cercavam, gemiam com a força do ar entre elas. Balançavam furiosamente uma contra as outras, resmungando estalidos de galhas a quebrar. Portas e janelas batiam furiosamente ao longe e o alarme das pessoas com o vendaval era-se alto o suficiente a ser ouvido através do abafamento do movimento violento do próprio ar. As pessoas corriam. Animais exaltavam-se.
– ANA! ESTÁ OUVINDO ISSO?
– NÃO!
– OUÇA COM ATENÇÃO!
Algo irrompeu na miscelânea de sons. Um forte estrondo dissipava-se no vendaval. Antes se vinha o rachar da madeira, seguido pelo chiar de vários galhos e folhas para depois sentir uma pancada surda através do chão. Alguém, ao longe, derrubava algo muito pesado, algo que repetia a cada passar dos segundos. Alguém se aproximava. Alguém derrubava árvores.
– O ESTRONDO! EU... EU ESTOU OUVINDO AGORA!
– ÁRVORES, ANA. ELAS ESTÃO CAINDO. ESTÃO SENDO DERRUBADAS!
– PELA SANTA ESTRELA, TYPSON! OLHE PARA CIMA!
Ergueram a cabeça inspirando surpresa. Olhando para o céu, para as estrelas, Typson paralisou-se ao ver que todos os pássaros se dispersavam no vendaval. Uma colossal revoada de todas as espécies, fugindo dos estrondos e de quem as provocava sem emitir um piado, um som. Voavam em silêncio, no calmo desespero dos próprios animais em massa. O vento soprava cada vez mais forte, descontrolado. Typson estava boquiaberto.
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A Jornada de um Assistente e a Esfera da Lua
PertualanganNada inicia-se sem uma perturbação. Do que você seria capaz caso perdesse parte do que ama e tudo que tivesse como esperança fosse uma lenda antiga esquecida por muitos? Um jovem chamado Typson encontra-se numa situação semelhante, juntamente a Anab...
