Capítulo Vinte Um - Outro Dia

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(...)



Os pesadelos não vieram, tampouco sonhos ou qualquer qualidade semelhante. Fora como ver uma infinita extensão branca onde a mente incapacitava-se em erigir imagens coerentes. Não descansou. Não dormiu. A cama serviu-lhe apenas como um lugar de repouso desconcentrado. Pensamentos turbulentos em um dia ensolarado.

Holofotes de luz transpassavam do teto ao chão identificando o local onde outrora havia goteiras. Referida luz oscilava demorado, razão das nuvens vagarem cobrindo o Sol com o extenso branco algodão. Typson deslizou de a sua cama caminhando para a janela da sala, observando, como pela primeira vez, o movimento das pessoas ao lado de fora. "Muito se mudou desde minha chegada." – Pensou consigo. "A Cidadela mudou e eu juntamente a ela."

Typson sentiu a aproximação de alguém. Não se surpreenderia caso sua mãe aparecesse.

– Perdeu alguma coisa? – Perguntou uma jovem ruiva, dirigindo-se para as duas reações imediatas de Typson: o de espanto e nostalgia. – Está olhando para fora já faz um tempo.

– Estou pensando. – Respondeu a um tom vago.

– A chuva passou. – Continuou depois de uns segundos, voltando-se a janela. – Sempre acho que o Sol brilha mais depois da chuva.

– Ele não "brilha mais". – Contestou Anabell frisando as palavras ao cerrar do cenho. – O Sol não poderia estar "mais brilhante", ele brilha como sempre.

Typson, perante análise, rebaixara as pálpebras a um olhar entediante.

– Não me faça usar aquela frase quando criança, Ana. – Suspirara. – Apenas disse o que vejo e sinto.

Depois de uma pausa, perguntou:

– Você acredita em ações além da nossa?

– Não completamente – respondeu rapidamente, faustosa –, mas somos criaturas estranhas e realizamos coisas estranhas e coisas estranhas passam em nossa cabeça quando estamos aflitos.

Ana pausou a linha de raciocínio, debruçando-se a janela em companhia de seu irmão. Continuou após uma pausa.

– Irá hoje? – Perguntou, virando o rosto para o lado. – Nos dirá o que aconteceu?

– Eu não sei se quero. – Confessou desviando o olhar. – Acredito que não fiz tudo que poderia ter sido feito. – Respirou pesadamente. – Eu...

– Você não conseguiu, não estou certa? – Completara Ana naturalmente.

– Você sabe? – Levantara-se Typson, sem muita surpresa. – Disse que...

– Eu o conheço desde muito pequeno, seu tolo. – Os olhos faiscaram a luz do dia. – Quem seria eu se não conhecesse meu próprio irmão!

Typson sorriu. Analisou por completo o semblante sereno de Ana, para seus olhos cor de mel, as sardas salpicadas na bochecha e o eriçado cabelo ruivo, cobrindo-lhe as orelhas, flamejando ao calor matutino. Automaticamente, recordou-se da grande árvore e de seu peculiar topo secreto, do pôr do sol e da companhia buliçosa de Anabell perante o chilrear dos pássaros ao aroma suave do outono. Lembrava de sentir o soprar úmido do mar mais a Leste, o oscilar dos topos das árvores, de como as cores ao céu diante as nuvens avermelhadas faziam-lhe parar para cumprir o dever do bom observador. Assistia, juntamente a uma garota travessa, ao nascer a Lua, ao ascender da noite, ao prefulgir das estrelas queimando na escuridão.

– Typson – chamara-o Ana inclinando a cabeça para o lado –, estás bem?

Typson pestanejou confuso ou distante, respondendo instantes depois:

A Jornada de um Assistente e a Esfera da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora