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Os pesadelos não vieram, tampouco sonhos ou qualquer qualidade semelhante. Fora como ver uma infinita extensão branca onde a mente incapacitava-se em erigir imagens coerentes. Não descansou. Não dormiu. A cama serviu-lhe apenas como um lugar de repouso desconcentrado. Pensamentos turbulentos em um dia ensolarado.
Holofotes de luz transpassavam do teto ao chão identificando o local onde outrora havia goteiras. Referida luz oscilava demorado, razão das nuvens vagarem cobrindo o Sol com o extenso branco algodão. Typson deslizou de a sua cama caminhando para a janela da sala, observando, como pela primeira vez, o movimento das pessoas ao lado de fora. "Muito se mudou desde minha chegada." – Pensou consigo. "A Cidadela mudou e eu juntamente a ela."
Typson sentiu a aproximação de alguém. Não se surpreenderia caso sua mãe aparecesse.
– Perdeu alguma coisa? – Perguntou uma jovem ruiva, dirigindo-se para as duas reações imediatas de Typson: o de espanto e nostalgia. – Está olhando para fora já faz um tempo.
– Estou pensando. – Respondeu a um tom vago.
– A chuva passou. – Continuou depois de uns segundos, voltando-se a janela. – Sempre acho que o Sol brilha mais depois da chuva.
– Ele não "brilha mais". – Contestou Anabell frisando as palavras ao cerrar do cenho. – O Sol não poderia estar "mais brilhante", ele brilha como sempre.
Typson, perante análise, rebaixara as pálpebras a um olhar entediante.
– Não me faça usar aquela frase quando criança, Ana. – Suspirara. – Apenas disse o que vejo e sinto.
Depois de uma pausa, perguntou:
– Você acredita em ações além da nossa?
– Não completamente – respondeu rapidamente, faustosa –, mas somos criaturas estranhas e realizamos coisas estranhas e coisas estranhas passam em nossa cabeça quando estamos aflitos.
Ana pausou a linha de raciocínio, debruçando-se a janela em companhia de seu irmão. Continuou após uma pausa.
– Irá hoje? – Perguntou, virando o rosto para o lado. – Nos dirá o que aconteceu?
– Eu não sei se quero. – Confessou desviando o olhar. – Acredito que não fiz tudo que poderia ter sido feito. – Respirou pesadamente. – Eu...
– Você não conseguiu, não estou certa? – Completara Ana naturalmente.
– Você sabe? – Levantara-se Typson, sem muita surpresa. – Disse que...
– Eu o conheço desde muito pequeno, seu tolo. – Os olhos faiscaram a luz do dia. – Quem seria eu se não conhecesse meu próprio irmão!
Typson sorriu. Analisou por completo o semblante sereno de Ana, para seus olhos cor de mel, as sardas salpicadas na bochecha e o eriçado cabelo ruivo, cobrindo-lhe as orelhas, flamejando ao calor matutino. Automaticamente, recordou-se da grande árvore e de seu peculiar topo secreto, do pôr do sol e da companhia buliçosa de Anabell perante o chilrear dos pássaros ao aroma suave do outono. Lembrava de sentir o soprar úmido do mar mais a Leste, o oscilar dos topos das árvores, de como as cores ao céu diante as nuvens avermelhadas faziam-lhe parar para cumprir o dever do bom observador. Assistia, juntamente a uma garota travessa, ao nascer a Lua, ao ascender da noite, ao prefulgir das estrelas queimando na escuridão.
– Typson – chamara-o Ana inclinando a cabeça para o lado –, estás bem?
Typson pestanejou confuso ou distante, respondendo instantes depois:
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A Jornada de um Assistente e a Esfera da Lua
PrzygodoweNada inicia-se sem uma perturbação. Do que você seria capaz caso perdesse parte do que ama e tudo que tivesse como esperança fosse uma lenda antiga esquecida por muitos? Um jovem chamado Typson encontra-se numa situação semelhante, juntamente a Anab...
