Capítulo Vinte - Solstício de Inverno

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Erguido o cetro, boa parte das rochas e cristais – antes espalhados em superfície – flutuaram para o extremo fim da bolha subterrânea para então ganhar uma velocidade extraordinária. Typson produzira sua própria defesa, mas ciente estava de sua inutilidade pela proporção do impacto. Segurou sua pedra com as duas mãos e fechou os olhos. Foi então que, entre o assobio do deslocar das rochas no ar e o riso interno da mulher enfurecida, um terceiro som repercutiu, uma confortável voz que Typson conhecia muito bem.

Circunda!

A poderosa voz repercutiu ao aparecimento de um feixe de luz cujo se deslocava e demarcava o chão numa cor esverdeada. O mesmo feixe circulou o portador, criando uma proteção antes da colisão mortal. Dano algum Typson sofreu, embora a barreira que o salvara desvanecesse e o ataque de sua morte empilhasse-se aos seus pés.

Um repicado amadeirado somou-se a fortes passos a proporção que a expressão da Dama se enrugava a outro tipo de rancor. Typson descobriu não ser mais alvo do ódio. O par de olhos brancos fitava alguém que surgia na escuridão.

– É com grandessíssimo desprazer que a vejo novamente, minha cara. – Dissera a poderosa voz.

Carvalho. – Respondera para si com enorme desprezo. – Vejo que o quebrar de pedras impertinentes tornou-se uma tarefa mais árdua que o imaginado.

– E assim permanecerá.

O grande mago presenciava-se ao auge do orgulho, mergulhado na penumbra que se dissipava à medida da aproximação. Logo, o rosto severo igualou-se ao da Corrompida, calmo e diretamente, jus ao qualitativo. A barba mediana e grisalha friccionava-se em sua simples túnica azul-escuro. Na mão direita, carregava um grande bordão cujo não aparentava exercer peso para o homem. A pedra e seus olhos verdes perfuravam a escuridão quando sua voz saiu do vazio.

– Passaram-se quinhentos e maçantes anos ao teu favor. Ainda assim, avisto o mesmo de sempre. O mesmo rancor, o mesmo ódio impertinente.

– Direi diferente de ti, Carvalho. – Afastava-se lentamente, as mechas a cor de piche resvalando no ar. – Estás demasiado fraco. O mundo não é mais o mesmo; houve mudanças e não foi para melhor. Podes ser muita coisa, mas não és ignorante. As floretas diminuíram e os homens a cada dia regressam aos piores instintos primitivos, eles apenas denominam-nas de formas diferentes as antigas atrocidades praticadas posteriormente a era da paz. Da verdadeira paz.

A Dama pausara ao analisar o que se sucedia em frente. Semicerrara os olhos quando observou o que acontecia.

– Vá embora, Merlino Ambrósio! Nada disso inflige a ti!

– Ambos sabemos que não me moverei deste lugar.

– Seja então como desejar, velho homem.

De sua posição imóvel a Corrompida fez crescer fogo que, vertiginosamente, jorrara-se em um alvo comum. Sentia-se a febre emanar da desmedida onda de chamas que caldeava entre si. Merlino, por sua vez, estendeu verticalmente o cajado ao momento certo de reação, dividindo as chamas com Typson ao seu lado. A mão do mago tremia em concentração e força.

Ao contínuo do ataque, o mago, com característico esforço, quebrou a corrente do encantamento ao exercer um movimento circular com o seu bordão, impulsionando conjuntos de rochas por uma energia invisível. O deslocar do solo atingira o sobre-nível com uma pancada e estilhaços, erguendo poeira; mas flutuado injuriada ficou, com o cetro em mãos, apontando o brilho negro para os mortais aos seus pés.

Fora do chão, retirando do negrume, a Corrompida fez surgir grandes mãos negras em lados opostos da caverna, deslizando pelas paredes a ganhar forma física; longos dedos negros a repetir cada singular movimento de sua mestra. Fora ao aproximar de um dos espectros que se fez Typson intermediário entre a situação, a conjurar correntes em ataque.

A Jornada de um Assistente e a Esfera da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora