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Jovens, homens e mulheres reuniam-se sob o colosso alvo cristal, iniciando em grupos a passagem em longas canções. Aguardavam a hora certa, rezando particularmente pelo revelar da obra magistral da Lua. Typson, por sua vez, estava entre a multidão, eufórico e agitado. Suava. Corria. Não conseguia tirar de sua cabeça o cumprir de seu fardo; mas, por alguma razão, um semblante esperançoso energizava suas expressões. Tinha a missão de encontrar seus amigos, urgentemente. No campo de visão, Ana, Razi e Helena conversavam com os irmãos Denevolo, inclusos o rechonchudo Peter Diflas e o silencioso Nôvire Elmont.
– Typson? – Sorria Anabell, desordenada. – Aonde você se embiocou? Razi havia me dito...
– Não há tempo para isso ou para qualquer outra coisa, Ana. Temos que ir. Agora!
– Santa manhã, homem! O que há de errado contigo? – Debochara Mathias, risonho. – Não é capaz de se divertir um pouco que seja?
– Não começa, Mathias. – Moderara Typson, entredentes. – Não estou a falar bobagens e tampouco dirigir-te a palavra. O que tenho a dizer é importante.
– Então diga! – Exclamara Peter. – Fale logo de uma vez, Typson. – Cruzara os braços.
E naquela posição Typson vacilou. Olhou para cada par de olhos sem formular argumento algum.
– Está se sentindo bem? – Dalibor enrugava o cenho.
Typson, ao vislumbrar cada rosto interrogador, percebera a parvoíce cometida. Virara-se sem dar respostas, falando apenas para Ana, Razi e Helena se encontrarem fronte a Biblioteca. Desta forma, desatara-se a correr. Não se incomodou com os praguejares em caminho e das exclamações surtidas em consequência das colisões proporcionadas, apenas continuou a correr, atravessando a Abóbodala, subindo a escadaria em espiral, desviando do fluxo de ambas direções para então chegar ao ar livre noturno.
Sem pensar, Typson lançara-se a chuva, encapuzando-se, protegendo o rosto, usufruindo pouco da sua cautela entre os ladrilhos molhados. Fato que caíra duas ou três vezes a caminho de casa. Mãos e cotovelos ardiam pela água gelada, mas por momento nenhum desacelerara. Typson correra como nunca antes. Há meses que não se sentia tão leve e suas pernas pereciam comandadas por forças além de seu raciocínio.
Abrira a porta. O som das goteiras era nítido. Sorrateiramente, adentrara prevendo que todos dormiam. Esgueirara-se pelas sombras da casa até ao seu quarto, destrancando o baú, retirando os objetos achados há pouco tempo, pondo-os numa trouxa feita pelo seu lençol, dando um revestimento especial na lâmina da espada. Haveria tempo. Estavam todos os objetos em posse, todas as chaves, segundo as instruções do guerreiro. "Como fui cego." – Pensara Typson ao procurar o livro de anotações. "Não acredito que o livro estava comigo esse tempo todo!"
Foleado as páginas memorizadas do pequeno livro, Typson questionara a razão de o esconderem sob uma choupana abandonada. "O que eles pensavam? Nada me veio em mente! Como poderia desconfiar? Os objetos deveriam esconder-se nas construções importantes dos guerreiros. O que haveria de importante aqui? O que haveria de importante no cemitério?" – Afastado as perguntas, Typson guardara-o junto com os demais. Respirara satisfeito. Ao girar em seus calcanhares, um relâmpago rapidamente iluminara o quarto, junto ao corpo ereto do jovem Alan a soleira da porta.
– O que você está fazendo aqui? – Perguntou ao esfregar os olhos sonolentos. – Não deveria estar na comemoração?
– O-o que você faz acordado? – Desviara da pergunta recuperando-se do surto.
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A Jornada de um Assistente e a Esfera da Lua
AdventureNada inicia-se sem uma perturbação. Do que você seria capaz caso perdesse parte do que ama e tudo que tivesse como esperança fosse uma lenda antiga esquecida por muitos? Um jovem chamado Typson encontra-se numa situação semelhante, juntamente a Anab...
