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Sequer Typson respirara para um receio involuntário tomar posse de seu corpo. Pestanejava freneticamente estupefato ao que estava a acontecer diante seus olhos, repassando imagem do que poderia ou não dizer; o viscoso líquido prateado movia-se distorcendo o seu reflexo, comprimindo-se por uma gravidade secundária.
No centro do caldeirão, uma grande bolha se formava, medida pressionada por outra força intangível, formando assim um concentrado, limitando-se a um eixo não muito maior que a cabeça humana. Para a continuação do espanto, a mesma matéria glutinosa pairava dentro do caldeirão para aos poucos emergir a uma altura correlata ao do portador. Typson via-se agora espalhado em uma argêntea superfície côncava.
– Mas o que é isso... – Dissera ao momento que tocara na esfera.
Esta, ao suave toque, ondulara iniciando assim uma agitação encadeada e estranhamente alimentada por uma força de proporção, alcançando a um nível de frequência que desestabilizaria a esfera. Não houve tempo para Typson dizer uma palavra a mais, pois ao momento em que abrira a boca o mesmo líquido flutuante jogara-se contra seu rosto tirando além de sua voz, a respiração.
Tal embolsara toda a cabeça de Typson, desnorteando-o. Tentava gritar, mas sua voz saía abafada em viscoso líquido para não descrever o gosto amargo ao paladar. Tentara se libertar retirando partes da esfera, lutando contra ela e recuperar um pouco do fôlego para uma ação de maior valor, mas lhe era inútil. Não se desunia ao seu rosto por mais que se esforçasse. Logo seus joelhos se encontraram ao chão, tanto enfurecido quanto debilitado; sua visão enevoara-se e o recinto desfocara-se, sabendo que desfaleceria confuso pelo embuste.
Fora quando o amarescente da pura cólera e indignação se tornara palpável na boca do portador que o grande mago estalara os dedos e o viscoso líquido perdera sua consistência esférica. Uma grande inspiração em busca desesperada por ar fora-se dada, e por segundos Typson permaneceu ajoelhado recuperando a respiração usual. Antes o receio dominava o corpo de Typson, todavia agora uma pura fúria flamejava em seu coração juvenil. Sua pedra vermelha incandescia-se na ira por seu mestre.
– Como pôde o senhor tentar me matar?! – Retumbara seu pé ao chão. Todos os frascos no recinto chocalharam-se tinindo em medida que um colidira-se ao outro devido à onda de choque em terra e ar.
Numa poderosa postura ereta, ainda sentado, o robusto mago permanecera impassível.
– Enlouquecera!? – Berrara no auge da aversão. – Quase me matou... – Respirara. – O senhor quase me matou!
– Mas não o fiz. – Respondera solenemente em sua pesada grave voz. – O fiz?
– Sim! Eu quero dizer... não... – Sentou-se a murmurar, as mãos a cobri-lhe o rosto. – Eu não sei se isso vai funcionar.
– Sentiu a raiva?
– Que tipo de pergunta é essa? É evidente! Perdoe-me se estou sendo rude a um senhor que por pouco quase me matou. – Ironizara.
– Responda a minha pergunta, portador. Sim ou não. – Dissera paulatinamente.
Typson engolira em seco. Tinha algo nos olhos daquele mago que o fizera arrepiar. Sua raiva transformara em vergonha e da vergonha ao receio. Aqueles olhos conheciam coisas da terra, coisas ocultas de extremo poder e de imensuráveis perigosas.
– Sim. – Respondera secamente. – Eu senti muita raiva e a seu respeito, senhor. – Respondera ao mesmo tom grave do grande homem.
– No fim funcionou. – A expressão séria suavizara. – Compreendo a surpresa, todavia tinha que ser necessária.
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A Jornada de um Assistente e a Esfera da Lua
AventuraNada inicia-se sem uma perturbação. Do que você seria capaz caso perdesse parte do que ama e tudo que tivesse como esperança fosse uma lenda antiga esquecida por muitos? Um jovem chamado Typson encontra-se numa situação semelhante, juntamente a Anab...
