Capítulo Dezoito - O Cetro

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(...)



Typson não obteve tempo de exclamação, restando-lhe tempo apenas para se jogar a se proteger. Fato que nada surtira efeito na construção. Antes do gelo encontrar-se à porta, o ataque repelira-se ao mestre, que por ele fora propelido à lama, congelando parte de seu peitoral.

– Dor, frio. Dor, frio, frio. – Ralhara ao se levantar, limpando-se. – Maldição! – Resmungara Razi entredentes. – Lama de gente morta.

– Você se machucou? – Soara a voz de Ana ao longe.

– Estou bem! – Respondera ofendido. – "Estaria melhor em casa, mas estou bem." – Resmungou.

Typson, esperado pelo aproximar de seu amigo, erguia o indicador a falar, mas logo silenciado.

– Não ouse mexer sua língua, Matteric. Faça o que tem que fazer. Diga qualquer besteira que aprendeu com o seu amigo mago e vamos sair desta terra fétida.

– Tudo bem. – Sorrira ao se virar. – Vocês não perceberam, mas existe um significado para cada um desses símbolos, as formas incomuns e as espirais irregulares. Sim. Tudo faz melhor sentido quando se é posto um contexto nelas.

– E teríamos um? – Aproximara-se Razi, curioso.

– Um bem simples, admito. – Sussurrou o portador. – É a morte.

Assim, ao repousar sua mão ao metal, Typson pronunciou:

Sedagco estore imerso. – Os símbolos coruscaram e a porta abrira-se ao meio.

Uma brisa bolorenta e confinada irrompera-se do escuro na passagem, fazendo com que todos tossissem sem parar. Adentraram. Era relativamente espaçoso e consideravelmente denso. Logo três labaredas se formaram em mãos, enquanto Razi caminhava atrás.

A escuridão cedera espaço para o brilho do fogo, destacando o ambiente antes sombreado. Não havia muito a se observar, era estritamente simples limitando-se a suportes de tochas fincadas à rocha.

– Não há nada. – Observara Typson.

– Vejo um túmulo. – Dera Helena dois passos para o fim do jazigo. – Sim, não posso errar com isso.

– Mas é um túmulo. – Enrugara Typson o cenho.

– Esqueceu onde estamos? – Batera Ana na cabeça de seu irmão. – É claro que isso tem o seu valor, qualquer que seja.

O túmulo elevava-se do chão por um altar à altura da cintura. Constituía-se de pura rocha o recipiente, possuidor de detalhes nas superfície e laterais. Todavia, o invólucro enriquecia-se com o melhor resplendor do cobre, delineando em alto-relevo o corpo de uma jovem mulher.

– Este túmulo não possui nome. – Comentara Typson examinando o recipiente. – Mas há uma frase em sua lateral.

– Eu não consigo ler. – Esforçava-se Razi.

– Diz: "Decadentes mortos dissimulados". – Leu Typson.

– Fazer com que fique invisível. – Sussurrara Helena. – A peça não ficará à vista. Este é o significado.

– E o que seria "decadentes"? – Questionara Typson, principalmente para si.

– Existem linhas infinitas de respostas. – Estudara Helena. – Decair. Empobrecer. O que tende a extinguir. Ruir. Cair...

A Jornada de um Assistente e a Esfera da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora