Capítulo Dezenove - O Livro e o Cofre

10 1 2
                                        



***

Um aroma aprazível, uma bruma sutil, um perfume característico do campo a percorrer no ar sutilezas remansadas, chilreares e o gosto suave de um bom chá. No topo da colina erguia-se uma rudimentar casa exalando fumaça pela chaminé, demonstrando a clara evidência de vida residida sob a palha, madeira e pedra. O descansar do Astro rei preludiava-se. Não muito distante, um homem traçava pela trilha de terra o caminho de casa, cavalgando, carregando consigo e puxado pelo animal o prêmio de uma boa caçada. Typson, cujo era um espectador irrelevante, sentia uma poderosa e contente familiarização. Sentia-se bem com o mundo e sabia no fundo que recebia recíproco sentimento.

Raízes e ervas pendulavam na entrada, um desapercebido empecilho pelo homem encapuzado. A porta foi-se aberta. Typson, subitamente, viu-se dentro da pequena casa sossegada. Pequenos ruídos assomavam-se a casa; o vento a soprar através da janela, os passos do homem a ranger no chão de madeira ou uma doce música que sopitava maternal, em parte cantarolada, em parte cantada por uma bela voz acompanhada por veludas notas de uma arpa fora de vista.



Visto luz em bondade vossa,
Em sorriso puro pôs-se a cantar;
E da terra escura; escusas nossa!
Vida e cor veio a brilhar.

Do ar, pequenino, veio do canto
O sono; O alimento; O calor;
Embalado em brando, eu te conto,
Jovem luz a findar o horror

Durma aqui, filho, em remansado sono,
Esqueça o conto apartado em dor;
A fúria do passado borbulha em pranto,
Mas em presente luz jaz o amor.

Cólera, fúria, amargou o benfeitor
Do escuro, não da luz, o horror;
Homem, bestas, na terra habitaram
Soprado pelo mal cujos plantaram

Mas sozinho um com luz jazia
Clamando aos pés pela terra vazia
E atendido foi, o protetor da luz
Formado conduz em melodia

E de reis e rainhas esquecido feito
Da manhã rubra ao cerúleo frescor
Apartados na quebra, na dor e no leito
Diante respeito dividir desvalor.

Durma aqui, filho, em remansado sono
Esqueça o conto apartado em dor;
A tristeza do passado suspira em pranto,
Mas em presente luz jaz o pendor.



O homem, cujo observava com carinho o amor da mãe com o filho, juntara-se a ela, retirando das vestimentas uma flauta pastoril. Logo a música e a casa distanciaram-se como em um sonho dormente; uma vaga lembrança do que um dia aconteceu.

***

Acordara. Levara um tempo para recuperar os sentidos e o movimentar dos membros. "Onde estou? Que lugar é esse?" Os pensamentos de raciocínio limitavam-se à dor, em principal à cabeça.

Typson... – Ouvira alguém o chamar.

Typson... – Persistia uma segunda voz.

Estou aqui... – Clamara, resultando apenas um sussurro. – Aqui... eu... EU ESTOU... AQUI!

Imediatamente o rosto de Anabell e Razi revelaram-se.

– Pela Esfera! Como você parou neste lugar? – Perguntara Razi com ácido humor.

– Explicarei com enorme prazer quanto tirarem-me daqui. – Respondera ainda deitado. – Acreditem, não foi intencional.

A Jornada de um Assistente e a Esfera da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora