Capítulo Quatorze - A Voz de Outrora

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Semanas se passaram. A estadia na velha casa da velha Sra. Strink não mais se fora necessário e logo retornaram para o âmbito do qual conheciam tão bem. Uma fila de pessoas, esse foi o resultado do retorno de Atícia, em razão das visitas serem proibidas na casa da avó de Razi. A princípio, Typson desconhecia as mulheres que visitaram sua mãe, intrigando-se mais ainda quanto aos seus amigos, razão em comparecerem cumprimentando-a com invejosa cortesia. Atícia, por seu lado, conhecia os nomes de todos.

– Como ela sabe os nossos nomes? – Sussurrara entredentes Peter à Typson. – Eu a nunca vi pessoalmente.

– Você contou a ela? – Perguntara Mathias.

– Não me façam perguntas sobre coisas que não sei responder. – Typson dera os ombros, franzindo a testa.

Momentos depois, alguém batera à porta. Typson atendera. Era Helena.

– Oi, Typson.

– Oi, Helena. – Sorriu com os olhos. – Entre. – Ofereceu segundos após.

– Agradeço. Mas serei breve. Quero saber da melhora de sua mãe. Darei minha presença e minha ajuda se precisarem. – Retirara o capuz. O seu cabelo cacheado avolumara-se em liberdade. – Meu pai manda seus cumprimentos.

– Oh, obrigado. – Typson pestanejara. – Mas, o pior já passou ela...

Subitamente a jovem o abraçara deixando Typson sem reação. Não deixara de apreciar o perfume de seus cachos e a macies de sua pele. Sentira-se mal pela situação.

– Sim. O pior já passou. – Dissera a entrar no quarto de Atícia e logo se despedir.

Typson a assistia ir embora quando sentiu alguém se aproximar.

– Acho que ela gosta de você. – Sussurra Ana a pregar-lhe um susto. – E você gosta dela.

– Fique calada, Ana. – Cutucara-a a emaranhar seu cabelo ruivo.

Aos poucos a atmosfera retornava ao normal; mas não tudo. A presença de Lucvan sempre fora amistosa e não demorou para Typson afeiçoa-se com a nova visão que teria de respectivo homem. Todavia, o pequeno Alan ainda parecia distante. Typson, em alguns momentos, conseguia enxergar muito de si no jovem, principalmente quando este apoiava-se na janela e observava as pessoas transitarem nas ruas com as curiosas pedras em seus pescoços; Typson viu-se obrigado a esclarecer o que as pedras eram realmente.

O jovem Alan possuía um bom manejo com a terra, ganhando logo a responsabilidade da plantação como tarefas a serem feitas. Fora no quintal que Typson o encontrou, sentado a desenhar ao chão com um graveto qualquer.

– Você desenha bem. – Surpreendera-se Typson ao ver o desenho da montanha. – Se algum dia quiser, posso conseguir papel, pena e um pouco de tinta para você.

– O que você quer? – Apagou o desenho com os pés.

– Eu sei que tudo pode parecer novo, mas você se acostuma. – Sentara-se ao seu lado. – Algo que queira me perguntar?

– Não.

– Nenhuma pergunta?

Esse fora o primeiro momento em que olhara verdadeiramente em seus olhos. Typson não notara, mas o jovem usava suas roupas quando menor; sua mãe nunca jogava roupas fora.

– O que são essas pedras? – Perguntara a entortar a cabeça para o lado.

– Como esta? – Segurara-a em mãos a sua. – Elas são presentes, dado quando criança pela Esfera da Lua; aquela que minha mãe lhe explica quase todo dia, do brilho no topo da Biblioteca.

A Jornada de um Assistente e a Esfera da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora