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Typson, deitado com a cabeça no colo de sua mãe, ouvia o chiar d'água, observando o volume brotar do chafariz na estrutura em seu centro e cair em cascata em quatro direções, acumulando em base para escoar por orifícios no fundo esverdeado. Perguntava-se para onde a água iria, desperdiçada de certo modo.
Entardecia. Haviam acordado muito depois do pico do sol, e era difícil distinguir o tempo quando o próprio estagnava no ar. Seguiram a informação. Foram até o poço e, em balde após balde, encheram os dois barris que lhes proviam cumprindo a única tarefa que lhes aparecia. A água era suave e incrivelmente fria assim como a senhora havia tão bem descrito. E nesse meio tempo, enquanto carregavam a última porção d'água, finalmente a lua compareceu esboça entre as nuvens, sinalizando bizarramente um período de isolamento na Cidadela: ninguém saia de suas casas, semelhante característica adquirida em Orgtown antes da tragédia acontecer.
O vento pressionava o chão com tanta proeza que pequenas pedras, outrora inertes, flutuavam e rodavam como um velho pião. Typson viu a pequena flor, antes fixa ao negro cabelo de Atícia, desaparecer ante vendaval, que consigo carregava um frio do qual congelava a alma com certa tristeza, pois não havia – infelizmente para Typson – nenhuma neve.
Ao chegarem, a noite semelhava-se mais densa dentro do que fora do casebre. Por todo o ele gotículas da umidade noturna cintilavam palidamente na escuridão. Suspiraram. Na entrada, bateram as botas, carregando os últimos baldes através do ambiente caído até aos barris, enchendo-os ao limite. E em retorno, com dificuldade e receio, Atícia tentara trancar a porta dos fundos, esta que não cedia pelo desgaste e o vendaval noturno. Typson, por sua vez, já estava sentado à mesa quando ouvira a voz de sua irmã.
– Aonde vocês dois foram? – Questionara Ana emburricada, saindo da penumbra da casa, carregando uma luz vacilante, sonolenta. – Quando acordo, estou sozinha em uma cama dura, em uma casa escura que sequer conheço, se é que isso é uma casa. – Analisou.
Erguera a vela presa a uma caneca ao avesso, a luz amarelada lutando contra o vento e a escuridão que perto jazia.
– Você limpou a mesa. – Admirara-se Atícia, satisfeita, trancando da porta resistente.
– Não podia simplesmente ficar de braços cruzados esperando paciente o passar das nuvens. – Sentara-se à mesa também. – Fiz o melhor que podia com o banheiro. – Indicara com a cabeça, gesticulando para trás. – Não estava sujo... somente mal-usado.
Pausou, respirando a ganhar fôlego.
– Vocês estavam aonde? – Insistiu.
Atícia, que sorria educadamente, abraçou-a beijando-a na testa:
– Acordaste não faz muito tempo. – Disse, ao pegar a vela, acedendo a lenha com a mesma.
Ana não a respondeu. A replicação que tinha ou formulava fora engolida por um olhar emburrado a Typson, que por ele sorriu, pois sabia da verdade.
Posto Atícia a uma cesta de palha à mesa, Ana abocanhara a primeira maçã que batera o olho. Naquele instante, sob o desejo e oprimir da apetência, pergunta alguma fora elaborada pelos jovens, tampouco se incomodando com a origem comida.
No entanto, Atícia – que se alegrava sincera em vê-los comer – caminhava junta ao desapego e desgosto. Na cesta havia uma boa porção de frutas, ovos, carne crua, alguns temperos, legumes e grãos, uma comutação por meio de Atícia, o seu último presente: um bracelete de prata.
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A Jornada de um Assistente e a Esfera da Lua
AdventureNada inicia-se sem uma perturbação. Do que você seria capaz caso perdesse parte do que ama e tudo que tivesse como esperança fosse uma lenda antiga esquecida por muitos? Um jovem chamado Typson encontra-se numa situação semelhante, juntamente a Anab...
