Capítulo Doze - Não muito longe

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(...)


– Mas já está de partida, senhorita?

Fora o que dissera o velho estalajadeiro ao ver os poucos pertences que Atícia carregava em auxílio de Lucvan.

– Mas, não vendeu nada! Voltará assim? De mãos vazias?

– Acho que já tenha passado o momento, sr. Orteanns. – Ponderara sutilmente com a voz. – Tendo minhas crenças de que o senhor sabe muito bem o porquê.

O velho tamborilara seus dedos protegidos pelas luvas no balcão, evidentemente angustiado em usá-las.

– É um vilarejo muito pequeno, minha filha.

– Sim, muito pequeno. – E olhara para Lucvan, que por ele retribuíra o sorriso com um pouco de desentendimento.

– Peço desculpas. – Reconhecera o senhor. – Estava com medo que de te perder. – Confessara amargurado. – Não sabe como é difícil ganhar um bom dia de alguém por aqui. As pessoas estão mudando. – Sussurrara. – Eu não sei o que está acontecendo com eles. Parecem que enlouqueceram de vez. Deve ser uma doença. – Refletira. – Uma doença de mal humor.

Os sons de passos eram se ouvidos claramente no andar superior: eram os restantes das coisas de Atícia carregadas por Lucvan, que em intermédio da conversa, subira para finalizar seu trabalho.

Já estava na escada quando Atícia viera em seu auxílio.

– Meus vasos. – E contara-os. – Ótimo. Estão todos aqui. Só tenha cuidado com a lama ao lado de fora. Ela está escorregadia.

– Dividiremos a carruagem?

– Era o que planejava. – Respondera a pôr seu cabelo detrás da orelha. – Ao menos que queira viajar de volta sozinho com o seu cavalo.

– De maneira alguma. – Prostrara-se mais ereto. – Agora, dê-me licença, pois este caixote está demasiado pesado. – Bufara.

– Oh, sim. – E abrira a porta aos risos.

Não mais chovia. Contudo, o Sol não havia aparecido.

– Agradeço por sua hospitalidade, sr. Orteanns. Agradeço pelo acolhimento de meu amigo por esta noite.

– Tudo para manter esse magnífico sorriso teu.

Com muito esforço o velho se levantara, e de encontro a ele Atícia foi dando-lhe um abraço caloroso proporcional ao velho e frágil homem.

– Sentirei a sua falta, minha doce filha.

– Sentirei a sua também. – Beijara-o na testa. – Espero que nunca mais tire essas luvas enquanto fizer frio, entendido?

– E seu eu os tirar, você virá para colocá-los?

Ela não respondera.

– Já está tudo pronto, Atícia. Vamos?

– Oh, sim. – Pestanejara. – Claro.

Lucvan adentrara na recepção a envolver seu braço esquerdo em Atícia, que por ela inclinara a cabeça ao ombro dele.

– Quando eu a verei novamente, senhorita. Aqui ficará uma solidão sem sua jovial presença.

– Ambos sabemos que é incerto. – Respondera num tom neutro. – Mas, enviarei cartas. Eu juro. E não pense que me esquecerei de seu aniversário. Tenha certeza que nesse dia eu passarei aqui para de dar ao menos um abraço.

A Jornada de um Assistente e a Esfera da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora