Nada inicia-se sem uma perturbação.
Do que você seria capaz caso perdesse parte do que ama e tudo que tivesse como esperança fosse uma lenda antiga esquecida por muitos?
Um jovem chamado Typson encontra-se numa situação semelhante, juntamente a Anab...
Não tardou para que os senhores se levantassem a segurar o castiçal que lhes proviam para iluminação, arrastando as poltronas ao movimento, repetindo um tipo de oração:
– Em tempos lutuosos, a fé brilhará ao encontro da primavera. A compaixão acompanhará os fortes tementes a morte e sábios em vida. E apenas pelo caminho da esperança ascenderá a alma enevoada de virtude malograda. Digno será aquele que consentir a verdade das boas palavras ao seu coração.
Sentaram-se novamente nas poltronas acolchoadas. Apenas o mais velho permaneceu de pé, aprumando a túnica, fitando-os com palidez:
–Quem são vocês? – Repercutiu a voz pausada e a rígida.
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Endireitando-se a olhar para os lados, Atícia pôs-se a pigarrear. Ouvia seu coração acelerando bravamente, sem controle. Aparentava esperar algum súbito pensamento, mas ao ver que nada surtiria, fechou os olhos e respirou tentando fazer o possível para não desgovernar o movimento da língua.
– Eu me chamo Atícia Matteric, filha de Margery e Thomas Matteric. – Declarou. – Esse é meu único filho, Typson Matteric.
– E a jovem, Enya? – Perguntou uns dos anciões direcionando-se a Ana.
– Ela está comigo. – Respondera Atícia envolvendo-a em seus braços.
– Ela é a minha irmã. – Acrescentara Typson. – E o nome dela é Anabell. Anabell Donavan.
– Entendo. – O Ancião de branco cofiava a barba prateada.
– De qual terra vieram? – Perguntara outro velho ancião a direita.
– De muito longe. – Explicara Atícia pausadamente. – De uma terra muito além das colinas frias entre o Grande Rio do Sul e a floresta que vos cercam. Somos de um vilarejo pequeno chamado Orgtown.
– Orgtown!? – Indagou assustado o senhor de branco. – Estas são terras distantes, de muitas estações daqui! Em que razão vocês, forasteiros, encaminharam-se de tão longe para cá? No extremo Norte de nosso continente? – O senhor aproximou-se máximo possível, a apoiar-se na extremidade do balcão.
– Por que, senhor – Ana dera um passo à frente, a entoar –, nossa terra foi... atacada.
– Atacada, criança? – Soletrara o ancião. – Mas que espécie de homem depravado faria convosco tamanha devastação? E em que razão, sob o manto deste tempo de paz?
– Mas, não foram homens, senhor. – Completara Typson a uma simplicidade desolada. – Fomos atacados por Sombras.
Atícia apertara a mão de Typson que relutou, desconhecendo a razão do sinal realizado.