Capítulo Nove - A Mais de Sete Palmos

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***

Acordou com um grito. Em um salto, Typson prostrou-se de pé atordoado, sonolento, pestanejando pela claridade do dia, irritado pela exaustão e pelo susto que lhe fora empregado. Mesmo de calça, andou a se arrastar até onde provinha a queixa, que por ela diminuíra a resmungos hostis. Não havia dúvidas de que era a voz de sua irmã.

– Minha... minha... per... Auth! Alg... alguém? Typson, você está em casa? – Esperou alguns segundos pela resposta. – Pela santa manhã que já nasceu, existe nesta casa alguma alma perdida que possa me ajudar?

– Onde você está? – Typson perguntou em um tom embargado.

– No quarto! No quarto! No ofício da Sra. Atícia. Venha rápido!

E arrastou-se até lá soltando longos bocejos, ainda não compreendendo o motivo de tamanho distúrbio. Não havia dormido bem. Sentia que seu corpo possuía uma segunda opinião e essa era lhe fornecer uma moleza descomunal.

– Agradeceria se você andasse um pouco mais depressa! – Silvara melodicamente.

Chegou até a porta escorando-se na parede a esfregar seus olhos remelentos. Por um momento tudo ficara embaçado, intermédio que formulara sua pergunta em um tom levemente ácido.

– Pela Esfera que nos protege, por que você está gritando?

– Faça-me a gentileza de "acordar", antes que elabore qualquer pergunta parva, amado Typson. – Silvou as últimas palavras.

– Mas o quê... – Pestanejou. – Ah, minha santa terra! – Exclamara ao passar do sono.

– É exatamente isso que estas a ver, meu bondoso irmão. – Retrucou Ana a extrair seu melhor tom irônico. – Minha perna inteira está presa neste maldito buraco no chão!

Por mais cruel que fosse, Typson admitira a si mesmo que não conseguira segurar uma gargalhada, uma longa e demorada, daquela de cair lágrimas. Certo que sua consciência doera segundos depois agulhado pela culpa, contendo-se e concentrando-se na ajuda, como a amenizar o tratamento de sua indelicadeza.

– Descruze os braços, Srta. Anabell. Assim não terei como puxá-la para fora.

– Suplico que me deixe ter um pouco de dignidade. – Tentou sair por conta própria, mas não apenas sua perna estava presa, mas como seu vestido enganchara-se nas rachaduras pontiagudas. – Desisto. Puxe-me!

– Tens certeza? Acho que você ficou perfeita neste lugar.

– Typson Matteric! – Rosnara.

– Ora, pare com isso. Eu a puxarei. Como se eu a fosse deixar largada desta maneira.

– Acho bom mesmo. – E Ana esticou seus braços.

Typson encaixou os seus braços por debaixo dos de Ana, erguendo-a com a força exercida. Seu desbotado vestido amarelo dificultara o mecanismo pelo seu enganchar, logo fazendo com que fosse necessário utilizar um pouco mais de esforço no movimento. Consequente que o rasgar do tecido seria inevitável.

– Meu vestido. – Lamuriou.

– Terás de escolher: seu vestido ou permanecer entalada neste buraco.

– Não fiquei entalada, Typson! – Retrucou soando ofensa.

– Ora, fique quieta. – Puxou mais uma vez. – Está quase cedendo... apenas... ajude-me um pouco... e...

Dera outro arranque e nesse em relevância fora o suficiente para a perna de Ana sair pela metade. Seu vestido não mais estava preso, portanto, por conta própria, Ana retirara o restante do buraco, afastando-se do local com estranha repulsa. Pôs-se de pé, analisando o estrago que ocorrera com sua vestimenta. É de consciência descrever que Ana gostava deste vestido.

A Jornada de um Assistente e a Esfera da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora