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As horas se passaram ao domínio da noite. A Lua minguante predominava no céu sem estrelas, iluminando num brilho decaído a umidade no ar e em dimensão. Typson acordara pouco antes do marcado, a vestir suas vestimentas contra o frio, acordando Ana, para em seguira, respirarem o ar noturno. Suas capas tremulavam contra o vento, um sinal inconsciente para os versados de que chuva estava por vir. Caminharam de encontro à Razi, que por ele esperava-os distraído no começo de sua rua.
O silêncio do mundo infligia uma taciturnidade instintiva. A quietude deveria ser mantida, ao menos enquanto estivessem a céu aberto. Ao avistarem a casa torta, caminharam a passos largos até sua soleira, tirando seus capuzes, com o negrume a abocanhá-los como um lobo faminto.
– Está escuro. – Analisara Razi.
– Bastante sagaz. – Zombara Ana a estalar os dedos produzindo sua própria chama. Typson fizera semelhante. – Por você não faz sua chama, Razi? – Inclinara-se Ana em pergunta. – Ah, esqueci! Você não pode.
– Ao menos posso tomar água gelada em dias quentes. – Retrucara com o canto da boca.
– Dias esses contados em todo ano. – Rira Typson.
– Que seja. Fiquem calados e andem mais rápido.
A passos macios desceram a longa escada em espiral, espreitando qualquer movimento, cada som suspeito. Fato era que em nenhuma ocasião ninguém se presenciaria na Abóbodala à noite, todavia não havia garantia de certeza, necessitando-se de uma cautela atenta. Nenhum dos três desejariam organizar todos os livros da Biblioteca caso fossem pegos, especialmente por ser uma tarefa impraticável.
– Não sei se foi uma boa ideia, Typson. – Sussurrava Razi. – Contam histórias de vultos à noite.
– Irá me dizer agora que acredita nessas coisas. – Ana entregara um olhar caído.
– Estão ficando frequentes. – Acrescentara Razi. – Não acredito que mentiriam sobre isso.
– Se algo dessa proporção realmente existisse, os membros do concelho já teriam anunciado. Por que eles esconderiam isso de todos? – Ana erguera sua lavareda a iluminar o túnel que se alargava, intercalando seu tom de ironia com a dúvida.
– Para não terem pânico. – Falara Typson. – Eu mesmo já o vi.
– Não alimente essa mentira. – Suspirara Ana. – Você viu apenas o que queria ver. Eu não vi nada naquela noite e desde então continuo sem ver.
– Chamou-me de mentiroso?
– Disse somente que você não estava bem, assim como qualquer pessoa normal fica. – Contrapôs.
Ao chegarem na cúpula, os mesmos não mais necessitaram da luz das chamas, apesar da luminosidade natural do colosso cristal estar consideravelmente enfraquecida como em um estágio de hibernação. Giraram em seus calcanhares em busca de quaisquer sinais de vida que por sorte não encontraram. Estavam sozinhos.
– Isso é uma loucura. – Argumentara Razi a olhar para o teto distante. – Vamos, olhem o que estamos fazendo.
– Se quiser pode ir. – Retrucara Typson insípido. – Nada contarei, assim como te peço o mesmo.
– Não. Não quis dizer isso. – Respirara. – Não foi você mesmo que disse que as histórias são falhas? Por que devemos excluir os guerreiros? Toda essa história de chaves, objetos... não acha estranho demais?
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A Jornada de um Assistente e a Esfera da Lua
AdventureNada inicia-se sem uma perturbação. Do que você seria capaz caso perdesse parte do que ama e tudo que tivesse como esperança fosse uma lenda antiga esquecida por muitos? Um jovem chamado Typson encontra-se numa situação semelhante, juntamente a Anab...
