Capítulo Nove - A Mais de Sete Palmos

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No final, basta uma ação pequena, por uma pessoa. Uma de cada vez.

Susan Cooper




– O que disse, senhor? Eu que terei de fazer? Ma-mas como?

– Isso eu não poderei responder, Sr. Benvenute. Porém, ao que sei sobre o senhor, dependerá apenas de seu bom esforço.

– Mas, existem pessoas melhores. – Tentara Razi se explicar. – Existe alguém... existe alguém...

– Melhor que um amigo?

Razi dera o ombro com um tímido sorriso. Olhou para Typson dando-lhe então tapinha nas costas.

– O que fazer então? – Conformara-se Razi. – Eu o ajudarei, mas não poderei ensiná-lo.

– Não, longe disso. Quero apenas que você o mostre como é... de verdade a Cidadela para aqueles que querem a ver de fato.

– Então, quem o ensinará?

– Um velho amigo. – Respondera o ancião em um tom divertido. – Mas, isso eu resolverei depois.

Ambos jovens sorriram. Razi repousara a mão no ombro de seu amigo enquanto Typson assentia em confiança. Uma novidade surgia. Nova, talvez, até para os três presentes no ofício. O ancião respirava suspirando pelo alívio, momento esse que Typson direcionava seu olhar para o Códex e seu conteúdo tão louvado pelo ancião. Não negara a si o sabor da curiosidade.

– Qual o porquê do livro? – Perguntou.

O ancião pareceu desnorteado a fixar seu olhar para o colosso livro sem uma expressão de compreensão. Acariciava as páginas como de alguma forma o saber que ali contivesse vivesse a seu tempo, sonho esse do qual não precisava ser astuto para se perceber.

– O porquê. – Repetiu o ancião. – Qual a utilidade de um livro, senhores? – Respondera-se com outra pergunta.

Os jovens inclinaram-se. A voz rouca do ancião misturava-se a dos jovens em pensamentos, vozes essas que não eram, estranhamente, o timbre das suas próprias, mas de outra pessoa; a voz de um homem que talvez se introduzisse em mente através do livro ou, talvez, a pura imaginação de uma segunda voz a narrar o evento transcrito. Apesar disso, a voz era a mesma, indiferente de onde surgia, mergulhando os leitores e ouvintes a uma época deveras distante.

"Imaginei um local seguro." – Leu o chefe do conselho. – "Eu o procurei incansavelmente aos lugares das quais pude caminhar, todavia, não obtive frutos a meu retorno. Frustro-me com isso. A incapacidade em materializar um desejo destrói o mais precioso receio, os meus pelo menos, limitando-me assim a um único pensamento donde sou incapaz de saborear as delícias que a vida me oferece, despejando-a de puro malgrado. Passei anos de minha vida sonhando com referido lugar, mas sempre havia algo a impedir meu progresso. Podia sentir a âncora presa aos meus pés e a horrível inutilidade minha em retirá-la. Busquei ajuda de meus irmãos, mas não os culpo em não me entender. Começaram a me considerar um louco até que um dia, durante um peculiar sonho, veio-me a grande iluminação. Perguntei-me: Por que não fazer eu mesmo um lugar seguro? Alfred receou-se com minha proposta, contudo apoiou-me baseado em meu desejo de ação. Albert, de outra forma, elogiara-me. Ele é um bom homem. Disse que minha maneira de agir e o resultado de minha inspiração resultaria em uma ligação à obra que o meu companheiro realizara anos atrás. Uma correlação ambígua entre nossas criações, fato que aceitei com sinceridade e hoje, e nos dias que se seguirão, eu não veria minha criação sem a participação de meu grande amigo, Albert, o grande irritante".

A Jornada de um Assistente e a Esfera da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora