Capítulo Dez - A Companhia de um Mago

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Não demorou muito para um segundo evento ocorrer. Curiosamente, um som de um poderoso sino restrugiu sobre o incessável alarido, sobrepondo entre as vozes o seu triste retumbar. Era uma nota longa e vibrante, esta que se seguiu por doze vezes. Os jovens, como se forçados, começaram a se arrastar até o primeiro túnel e neste desapareceram ante a escuridão. Typson estava sentado quanto perguntou:

– Aonde todos vão?

– Para as suas classificações. – Explicou Ana em um tom cansado. – É melhor irmos.

Mas ao se levantar, Razi segurara-a pelo braço.

– Esta é a parte em que não entendo. – Olhara para Ana e para Typson. – Onde Typson ficará?

– Ficar? – Typson pestanejara ao se erguer.

– Oh, minha santa terra! Como eu não pensei antes? – Ana entremeara seus dedos em seu cabelo revoltoso. – Não podemos simplesmente o carregar para dentro, pois é de consciência a existência do teste. Mas, se o desafio com Helena tiver algum valor? Nós podemos...

– Não, com certeza não. – Razi fechou seu cenho a coçar sua barba rala. – Vai ser uma tarefa difícil.

– Não podemos o deixar a deriva, meu irmão será massacrado sem dó ou piedade!

– Vejo alternativa nenhuma, Ana.

– Eu ainda estou aqui! – Disse ao estalar dos dedos. – O que, pela santa Esfera, vocês estão conversando?

Ahn? O que disse? Ah, sim! – Murmuraram ambos os jovens. – Eu não sei, Typson. – Razi parecia suar. – Desculpe-me, mas eu não sei o que fazer agora.

– Talvez eu saiba.

Uma voz retumbou. Um cheiro diferente pairou no ar; uma fragrância feroz como se a própria natureza estivesse presente. Uma brisa soprou carregando consigo gotículas de orvalho que respingaram na pele dos três jovens, gotículas essas que tão pouco eles sabiam de onde partiram. Todos se viraram para a inesperada presença e logo descobriram que era o mesmo homem robusto de poderosos olhos verdes e seu espesso bordão de madeira. A pedra verde brilhou.

– Talvez eu saiba. – Repetiu a apoiar-se em seu bordão e a inclinar-se consideravelmente para frente. – Espero por essa tarefa por um bom tempo.

– Oh! – Disseram os jovens aprumando-se em uma reverência. – Boa tarde, senhor.

– Boa tarde, jovens. – Respondeu com um gesto com a cabeça. – Creio que conhecem seus afazeres, não? Sr. Benvenute? Srta. Donavan?

– Sim, senhor. – E os dois cumprimentaram outra vez o grande homem e seguiram caminho ao túnel onde os demais se direcionavam. – Até mais tarde, Typson. – Disseram acenando em despedida e Typson respondera o gesto até ver ambos desaparecem engolidos pelas trevas.

– Aonde eles vão? – Perguntou ao senhor.

– Não se preocupe. Eles sabem para onde ir, diferente de você.

Esperaram. Quando a última voz se extinguiu pelo afastamento, o grande homem desprendeu-se de sua paralisia onde a pouco fitava pacientemente os jovens caminharem até a passagem. Typson, atento ao movimento, perguntara ao senhor o que lhe parecia mais sensato no momento:

– E agora?

– Agora faremos uma recapitulação. – Respondeu-lhe seriamente. – Teremos que recuperar o tempo perdido.

– O Sr. Tenebrarh pediu que viesse?

– Alorry é um grande amigo, mas ele não me instrui com ordens. Estou aqui por devo estar aqui.

A Jornada de um Assistente e a Esfera da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora