Capítulo Dez - A Companhia de um Mago

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(...)


E assim o fez. Porém, para o espanto de Typson, tão pouco houvera alguma mudança. O escuro continuou escuro, apertando-lhe os olhos.

– Minha santa terra! – Exclamara assustado. – Eu não enxergo!

– Você não está cego! – Exclamara em retorno o grande homem a um tom risonho. – Olhe para a sua pedra.

Feito isso, segurara-a em mãos. A luminescência avermelhada tingira suas mãos a uma cor que recordava o próprio sangue. Sua visão estava exemplar afinal.

– Então, aonde foi o sol?

– Para lugar algum. Ele continua no lugar em que sempre esteve. Fomos nós que entramos.

– Entramos? – Frisou desnorteado. – Ainda não vejo nada.

– Apenas não há luz no momento. – Confortara-o. – Um problema que é solucionável.

Nitidamente, Typson reconhecera o retumbar do bordão junto à voz do robusto mago, tom grave esse carregado de palavras específicas.

Sit lux! – Dissera Merlino.

De imediato estalidos secos seguiram e, consecutivamente, as tochas antes cobertas pela escuridão consumiram-se em fogo numa chama vacilante tornando claro o lugar onde estavam. Ao longo do túnel que se revelara, tochas se acenderam em sequência, quantidade essa separada metade à direita e à esquerda estas todas fincadas a parede em uma espécie de vasilhame detalhado, onde ao imaginado deveriam conter alguma substância que contivesse material que alimentasse o fogo na constância que se mantinha.

– Fogo? – Indagou Typson consideravelmente intrigado. – Por que o senhor não utiliza os mesmos cristais que há no ofício do senhor Alorry?

Merlino resmoneou ao ouvir.

– Aquelas "coisas"? Pela Esfera, portador. Repulso-as, abomino-as por completo!

Typson não conseguira segurar um sorriso, tempo esse que também tão pouco compreendia; desentendimento que o mago assimilara.

– Aquelas coisas não possuem vida alguma. – Explicara-lhe. – Elas não... pulsam. Não queimam! A sua luz é parada. Uma luz morta! Mas, o fogo... Ah! O fogo é diferente.

Com a mão esquerda livre, o mago a sobrepôs na chama inquieta sem qualquer receio. Typson soltara uma exclamação pelo acontecido, mas logo se acalmara ao ver que o robusto homem expressava nenhuma dor. A mão do mago entranhava-se na labareda como se possível fosse retirar uma parte dela algo que, para fascínio do jovem, aconteceu. Na larga mão de Merlino repousava uma flama chama a queimar fantasmagoricamente, luz que refletia nos olhos de ambos portadores.

– O fogo é único.

Merlino, em um preciso movimento circular com sua mão possessória da chama, constringira seus dedos direcionando-os ao fim no túnel para enfim relaxá-las. Feito o movimento, a labareda lançara-se rumo a parcial escuridão, caminho esse que criara uma aliança de luz alaranjada nas paredes arqueadas do túnel de acordo como viajava perante o ar até atingir o seu fim, extinguindo-se em uma explosão significativa. O resultado da colisão fora o revelar de uma porta, que pelo acontecido estava chamuscado pelo fogo.

– Incrível! – Typson bramira. – Como o senhor fez isso?

– Esse será um passo que darás mais adiante. – E o senhor caminhara rumo à porta queimada.

Ao olhar para a tocha, Typson esperou o mago se distanciar, oportunidade essa que o dera tempo de esticar seu braço e tocar na chama. Uma queimadura em seu indicador fora seu único feito, dor latejante essa qual durou o dia inteiro.

A Jornada de um Assistente e a Esfera da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora