Capítulo Dezesseis - A Primeira Rocha

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***


Passos eram se ouvidos a oscilar entre a firmeza e a suavidade. Passos pesados, passos de um homem forte e impaciente; e de um segundo, indiferente a azáfama provocada da companhia. Algo rangia; era ferro com ferro, o tinir de metal em movimento. Deveria ser um lugar fechado pelo repercutir do som, um lugar coberto por obra da inteligência qual permitia o circular constante do ar. Logo, a primeira voz falou, severo e paulatino:

– Eu não permitirei que isso aconteça! Não em minha obra, em minha própria realização. – Vociferara o homem de passos pesados.

– Peço-te nada mais, meu irmão. – Respondera o homem de passos calmos a um tom suave. – Preciso de tua ajuda mais do que nunca.

Do clarão, a folha em branco surtira-se com resquícios de negro, manchas e traçados em percepção de um observador. Uma delineação circular cresceu como a ideia de paredes em mesma trajetória; grandes blocos de pedras ganhando forma, o chão, o teto e o brasão. Na nova perspectiva, dois contornos humanos enfrentavam-se ao centro da débil delimitação. Typson observava, num plano distante, aquelas figuras ganharem forma e cor.

– Sabes que jamais consolar-te-ei pelo erro que tu cometeras. – Proferira o homem mais alto, de passos vigorosos. – Admito dever-te muito, mas não o suficiente para dá-la de bom grado.

– Disse que não a quero. Jamais pediria isso de ti. – Contraviera o segundo homem duramente. – Eu quero apenas um amigo. O meu amigo.

– Talvez o perdeste há muito tempo, irmão. Assim como a ela também.

– Não fale o nome dela. – Ganhara a voz pacifica um tom ameaçador. – Não te dispunhas intervir. O caminho foi traçado ao arbítrio de sua consciência. Tu sabes que ela não tinha o direito.

– CONSCIÊNCIA? Tu não te arrependes ao longo deste teu caminho, irmão meu!? – Vociferara o maior homem. – Depois de tudo que passou? Não existe a dor do remorso ou da compaixão em teu peito? Terei devotado cegamente a minha crença em ti, a um homem ignoto? NÃO PASSOU DE MENTIRAS AS PALAVRAS TUAS?

– Ela MORREU! – O berro de dor abalara os firmamentos da terra. Era a voz de um homem, apenas de um homem. – De que forma entende, irmão meu, sobre a dor de perder um amor? Da solidão? E da vingança?

– Tens apenas o que mereceste no caminho traçado pelo arbítrio de tua consciência. – O maior homem retirara algo de sua vestimenta, entregando em mãos do homem menor um contorno de algo negro, maior que a palma de uma mão.

– A pedra é sua, Alfred.

– Nunca será minha, Mathias.

– Eu peço-te perdão. – Afastara-se.

– Em que razão?

– Pela morte de quem te amou e de quem te amava. – Virara-se. – Meus... compadecimentos.

O clarão tomara intensidade e nada mais tivera sentido.


***


A luz do sol dissipava-se em feixes ondulatórios no fundo do oceano. Logo uma voz soou, distante em superfície. Ela implorava. Ela gritava. Ela era uma mulher. "Acorde... Acorde..." – suplicava a voz perdida. Uma mão mergulhou de encontro, erguendo o peso do mar. Uma forte inspiração fora-se dada.

A Jornada de um Assistente e a Esfera da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora