Capitulo 44

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Como alguém pode fazer parte da vida de um cara como Matt e mesmo assim arruinar tudo?


NICOLE: Não há muito o que dizer. Você tem uma condição, e só precisa de um tratamento para compensar isso no seu organismo.

MATT: Mas não há esperança de cura. É como uma pena de morte. Quem quer viver uma vida assim, sempre preocupado com tudo?

NICOLE: Sua diabetes não reflecte quem você é.


Matt dá um sorriso tímido, sinto vontade de abraçá-lo. Eu faria qualquer coisa para livrá-lo da dor.


MATT: Diga isso para a minha ex namorada. A gota de agua foi a minha incapacidade de passar a manhã na cama. É tão idiota, pensando agora.

NICOLE: Como assim?

MATT: Como as injecção são aplicadas em horários específicos, eu tinha que definir o alarme muito cedo. Quando despertava, ela acordava, e no final ela disse que não aguentava mais. Ela terminou comigo sem mais nem menos, na cama, com a minha insulina na mão, e foi embora. Ela não suportava mais essa vida, então me deixou. Porque é sempre a mesma coisa.


Eu discordo, com a voz confiante.


NICOLE: Isso não é verdade!


Eu caminho até a lateral da cama e seguro a sua mão carinhosamente. Ele não diz nada, apenas me olha, curioso.


NICOLE: Claro, eu sei que não estou doente. Não sei o que você está passando. Mas eu sei que, neste exacto momento, eu estou falando com você, e não com seu pâncreas problemático, e que seu diabetes não vai me impedir de passar esta noite aqui com você!


A expressão do rosto dele muda para feliz.


MATT: Esta noite?

NICOLE: Sim, e eu não deixarei de vir aqui comemorar o final feliz desta manhã com você.


Imediatamente, seu rosto fica triste novamente.


MATT: Eu não posso sair para comemorar com vocês, eu mal consigo andar, muito menos sair para beber. Tenho várias restrições alimentares, estou fraco e cansado... E sem alternativas quando se trata de medicamentos...


Eu sorrio para ele, enquanto ele conta nos dedos todos os problemas que o impedem de sair.


NICOLE: Eu sei disso. Eu faço medicina, não se esqueça!


Ele fica parado por um momento, olhando para mim com os olhos arregalados. Logo depois, ele abre outro sorriso, que me faz derreter.


MATT: É verdade.

NICOLE: Abra espaço na cama. Nós vamos fazer um piquenique aqui mesmo!


Eu balanço no ar as sacolas plásticas que eu trouxe.


NICOLE: Com moderação, é claro, não queremos destabilizar o seu nível de açúcar no sangue. Está tudo sob comando da futura doutora Nicole!


Eu subo na cama e sento no cantinho, ao lado dele.

Mais tarde na mesma noite...


NICOLE: Eu juro que aconteceu exactamente assim! Ela é uma óptima actriz.


Matt dá uma gargalhada e coloca na boca uma fatia de pepino.


MATT: Pelo menos as aulas eram divertidas!

NICOLE: Sim, mas era complicado, alguns professores não a levavam muito a sério no começo do ano. Mas depois, quando viram as suas notas excelentes, eles mudaram de opinião na mesma hora!

MATT: Eu tinha um amigo assim quando estava fazendo o meu mestrado. Todo o mundo achava que ele era bobão, ele sempre fazia as perguntas mais idiotas na sala. Muito idiotas mesmo, quando os professoras dizem que não há perguntas ruins, eu juro a você, que ele desafiava essa regra!

Amor nas UrgênciasHistórias para pegar e não largar. Descubra agora