NICOLE: Eu não vim aqui para falar sobre o Daryl, vim para terminarmos a conversa que começamos mais tarde. A menos que você tenha mudado de ideia?
Ryan coloca a xícara na mesa de café e passa a mão arrumando os cabelos.
RYAN: Como eu disse, não tenho nada a esconder. Apesar de não costumar falar muito sobre mim, se você quiser me perguntar alguma coisa, responderei com prazer.
Ele respira fundo.
RYAN: Então, você queria saber o que me deu forças para continuar, após a tragédia, depois do acidente dos meus pais... Além do que aconteceu logo depois. É isso?
Eu concordo com a cabeça, o momento é tenso.
Ele levanta os joelhos e cruza as pernas nas almofadas em cima do sofá. Eu tomo um gole do chá e ele começa a falar.
RYAN: Bem, primeiramente, Caroline me mandou para a terapia. Sei que isso pode parecer sinal de fraqueza, mas não tenho vergonha de assumir. Me ajudou muito a superar tudo isso. Pessoalmente, eu nunca achei errado procurar ajuda profissional quando alguém está sobrecarregado e não consegue lidar sozinho. Para mim, é importante que a gente reconheça quando não conseguimos superar as dificuldades sozinhos. Porque na maioria das vezes, não conseguimos. Eu pensava que sim, antes... quando me tornei cirurgião. Eu já te disse isso, eu acho.
Eu concordo, em silencio.
RYAN: No dia em que meu mundo desabou, eu percebi que estava errado.
Ele pega a sua xícara da mesa e leva até a boca para um gole.
RYAN: Eu ainda vejo o meu psiquiatra eventualmente. Com menos frequência, pois estou muito melhor do que antes, mas ainda o vejo.
NICOLE: Eu não acho fraqueza alguém se consultar com um terapeuta para ajuda com os seus problemas. Pelo contrário, acho uma virtude a pessoa querer melhorar e aceitar a ajuda. Fico feliz por você estar melhor, devo dizer.
RYAN: Obrigado, e continuando com a resposta à sua pergunta... Isso foi a primeira coisa. Depois, pensei na minha irmã e nos meus sobrinhos. Ela também perdeu os pais, mas diferente de mim, ela não tinha outra escolha senão ser forte, porque ela tinha dois pequenos para cuidar. O pai deles já havia ido embora para o exterior, morar com outra mulher.
NICOLE: Ah...
RYAN: Seria como condenar a minha irmã a uma dupla sentença se eu a obrigasse a cuidar de mim também, porque eu não conseguia me levantar. Não piorar as coisas, ajudar a minha irmã, foi o que me fez sair da cama de manhã. E acho que o meu trabalho também ajudou bastante. A vontade de ajudar os meus pacientes... E não sobrecarregar os meus colegas no hospital. Digo, se eu tivesse saído. Dito isto, apesar de todos esses esforços, fiquei afastado por vários meses. Como eu também já disse a você.
NICOLE: Para viajar.
RYAN: E foi Caroline, mais uma vez, que me aconselhou a tirar um tempo para mim. E claro, isso me fez muito bem. Não tanto para ajudar com a morte dos meus pais, mas para me ajudar a lidar com os meus... fracassos. Passar um tempo em lugares isolados, desconectados de tudo, me permitiu respirar e reflectir. Quando eu voltei, tudo estava melhor.
Ryan olha para mim e sorri novamente.
RYAN: Enfim, acho que foi isso.
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Amor nas Urgências
FanfictionFanfic baseada no jogo Is It love? Nicole é uma garota que vai começar o seu estágio num hospital, o que ela não sabia era que iria ter que lidar com uns colegas de trabalho muito atraentes.
