Capitulo 23

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ENFERMEIRA: A paciente precisa ser tratada imediatamente, e parece que o doutor Ryan não pensa assim. Acredite, eu não quero fazer isso com ele, mas a piora na condição da paciente não vai ajudar em nada.


Infelizmente, a família da paciente ainda não atendeu o telefone, e eu preciso falar com Cassidy, como a enfermeira pediu.

Quando eu entro no quarto, Cassidy está trabalhando no computador ao lado da cama.


NICOLE: Doutora Cassidy?


Ela levanta os olhos sérios e eles me olham como se fossem me queimar.


CASSIDY: O que posso fazer por você?


Sua voz está fria como o vento do inverno, não estou me sentindo muito confortável.


NICOLE: Eu estava no quarto 1 e me pediram para vir aqui...

CASSIDY: Ryan enviou você?

NICOLE: Não exactamente.


Ela franze a testa e continua me olhando, agora de maneira interrogativa.

Cassidy entra no quarto 1, expressando confiança. Eu a sigo, bem menos confiante.


CASSIDY: Ryan.


Ela caminha até a pia para lavar e desinfectar as mãos. Ryan a segue, parecendo surpreso.


RYAN: Cassidy? O que você está fazendo aqui?


Vejo que ele entendeu o que está acontecendo, seus olhos vão de Cassidy para mim, e depois para a enfermeira. Eu me sinto mal por ele, no entanto, para a paciente, é o melhor a ser feito...


CASSIDY: Eu vou prescrever a receita para os antibióticos.


Ryan suspira fundo.


RYAN: Nós não temos o histórico médico dela ainda, não conseguimos falar com a família. Podemos esperar um pouco mais.

CASSIDY: Cada minuto que passa pode agravar a sua situação, caso a bactéria se espalhe pelo seu corpo. A infecção generalizada pode ser fatal para ela, precisamos evitar isso a todo o custo.

RYAN: Ela pode ser alérgica aos antibióticos, não sabemos nada ainda. E...


Cassidy o interrompe.


CASSIDY: A probabilidade é extremamente baixa.

RYAN: Mas não é zero.


Eles continuam se olhando, sem demonstrar que um dos dois vai ceder.


CASSIDY: Ryan, esta não é a Sra. Lemos.


Sua voz fica estranhamente suave, o que me surpreende. Mas ao ouvir esse nome, o rosto de Ryan desmonta, como um castelo de cartas.


RYAN: Ah...


Ele luta bravamente para tentar manter um meio sorriso no rosto.


RYAN: Deixarei a paciente para você, então.


Ele segue em direcção à porta, sem olhar para a enfermeira e eu, e antes de passar pela porta...


CASSIDY: Nicole, é isso?

NICOLE: Isso mesmo.

CASSIDY: Fique aqui e aprenda.


Mais tarde...


«Ligação ON»

NICOLE: Olá, Lisa. Desculpe incomodá-la, mas você tem um minuto?

LISA: Ah, você está com algum problema! Conte-me tudo! Deixe-me só encontrar um lugar mais tranquilo, um momento... Pronto, pode falar. Sou toda ouvidos!

NICOLE: Eu tive um problema com meu supervisor.

LISA: Ele é legal demais, é isso?

NICOLE: Ele é muito legal, realmente, mas eu não estou brincando. Ele deve me ensinar, conferir o que eu estou fazendo... mas não sei se ele está apto a fazer isso. Ele cometeu um erro ano passado, em uma paciente que teve pneumopatia, e isso levou à morte da paciente.

LISA: Isso acontece às vezes, especialmente na ressuscitação, não é mesmo? Os médicos não são deuses e nem sempre fazem milagres.

NICOLE: Sim, foi um erro casual. Vou pular os detalhes. Mas de qualquer maneira, parece que ele está tendo um tipo de stresse pós traumático. Ele está duvidando de tudo o que faz, e agora mesmo, tivemos um novo caso de pneumopatia... e ele entrou em pânico. Tenho a sensação de que ele nunca vai superar isso, eu vou acabar perdendo algum paciente sob a sua supervisão. Isso está me assustando Lisa.

«Ligação OFF»

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