Capitulo 112

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NICOLE: Vocês já trabalhavam quando viviam juntos?

DARYL: Nos conhecemos aqui no hospital! Foi o nosso primeiro emprego. Havíamos acabado de terminar os estudos. Ryan em Lile e eu em Caen.

NICOLE: E vocês são dessas duas regiões, do Norte e da Normandia?

RYAN: Não. Eu sou daqui dos subúrbios parisienses, perto deste hospital, na verdade. Meus pais tinham casa aqui e minha irmã ainda vive aqui perto. Foi por isso que, depois dos estudos, decidi voltar e tentar uma vaga neste hospital. Mas eu fui estudar em Lile porque a faculdade de medicina está entre as melhores do país.

DARYL: O mesmo comigo. Eu sou de Grenoble, mas Caen é mais consagrada.


Ele dá de ombros.


DARYL: E nada me segurava na minha cidade natal, então aqui estou eu.

NICOLE: Mas como você conseguiu uma vaga aqui, então?

DARYL: Foi Caroline que, de alguma forma, decidiu me contratar, sem me conhecer! Ela foi dar uma palestra sobre UTI em Caen, e isso me interessou. Como eu já disse, goste de trabalhar com muita adrenalina. E eu soube naquele instante que eu gostaria desse tipo de trabalho. Eu passei um período entre anestesia – UTI e quando eu finalmente finalizei meu doutorado, eu me lembrei de Caroline. Procurei informações sobre o hospital onde ela trabalhava, e um dia eu fiquei sabendo que estavam abrindo vagas!


A porta se abre de repente e a enfermeira aparece, parecendo perturbada.


ENFERMEIRA: Doutores, temos um problema.


Ryan se levanta imediatamente, enquanto Daryl pega seu copo com agua.


RYAN: O que temos aqui?

ENFERMEIRA: É o Marco.

NICOLE: O quê?


O susto me faz arregalar os olhos. Daryl bate seu copo violentamente na mesa, a agua espirra na mesa.


DARYL: Conte comigo!


Nós corremos até o quarto onde David está fazendo a admissão de Marco.


DAVID: Eu já não conheço esse menino?


Na cama, o rosto do pobre Marco está pálido como a neve. Seus cabelos estão bagunçados em todas as direcções.

O respirador deixa o seu corpo ainda menor, mais frágil. Daryl, após observar Marco por um tempo, responde a David.


DARYL: Você cuidou da mãe e do pai dele, com poucos dias de diferença.

DAVID: Nossa. Agora eu entendo.

DARYL: O que temos aqui?

DAVID: Tentativa de suicídio com remédios tarja preta.

NICOLE: Ah, não...

DAVID: Um caso clássico... Parece que o psiquiatra dele prescreveu antidepressivos há alguns dias. Então ele já tinha tudo em mãos. Ele estava semiconsciente quando chegou à emergência, pedindo ajuda. Ele se entupiu de remédios por volta das seis da manhã, depois de uma noite sem dormir e nos ligou por volta das dez horas. Ele desmaiou em casa, logo depois. E nós tivemos que intubá-lo.

NICOLE: Ele... ele vai se salvar?

DARYL: Sim, ao contrário das lendas urbanas, é muito raro ocorrer suicídio por uso de drogas, se formos encontrados a tempo. Ele deve acordar em quarenta e oito horas. Vamos mantê-lo intubado e com o respirador, mas não sedado.

NICOLE: E depois, o que faremos?

DARYL: Nós o mandaremos para a psiquiatria, mesmo se...


Ele pára, é algo doloroso demais para dizer em voz alta. David também levanta uma sobrancelha, mas não adiciona nem pergunta nada.


DARYL: Obrigado, David. Nós já temos tudo o que precisamos, não vamos atrasá-lo mais.

DAVID: Ok, boa sorte, como sempre!

NICOLE: Obrigado!

Amor nas UrgênciasHistórias para pegar e não largar. Descubra agora