Capítulo 14

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Gustavo

Eu estava frustrado e com raiva. Raiva de como tudo de bom que tinha acontecido durante a madrugada entre Teresa e eu tinha se dissipado em questão de segundos. Num momento, ela estava sorrindo de orelha a orelha e no outro, estava furiosa. Depois da cena que tivemos nos corredores do hospital, voltei pro quarto da Dulce que já estava comendo com uma enfermeira. Dr. André me observava calado, se ele viu ou ouviu alguma coisa, resolveu não comentar e eu estava mais do que grato.

– Bom, agora que a pequena já comeu, eu vou liberar para ir para casa, mas sem nenhuma extravagância, tudo bem? E aconselho a ir para o colégio só daqui dois dias para que esteja 100% bem. – Dr. André disse sorrindo para Dulce.

– Iupiii!!! – Dulce Maria disse com a boca cheia de gelatina.

– Sem falar de boca cheia, mocinha. – Adverti.

– Ops. Desculpinha. – Ela engoliu tudo e riu.

– Obrigado por tudo, doutor. – Me virei para falar com André estendendo a mão para ele.

– Que nada, Gustavo. Não se preocupe. – Ele apertou minha mão e se despediu da Dulce Maria. – Dulce, vamos combinar de demorar um pouco pra voltar aqui, que tal? Eu gosto de você, mas eu prefiro te ver em casa ou no colégio. – Ele riu com ela.

– Sim piririm, Dr. André! Prometo que juro que vou tentar. – Ela disse fazendo o juramento com os dedos na boca. Quando André e a enfermeira saíram do quarto, falei para Dulce Maria ir se trocar que já era hora de voltar pra casa. – Papi, você brigou com a mamãe? – Dulce me perguntou no caminho pra casa.

– Por que está me perguntando isso, filha? – Olhei pra ela pelo retrovisor.

– Porque eu vi que a mamãe estava chateada quando saiu e depois você foi atrás dela e demorou um montão. E ainda está com cara séria, igual quando eu faço coisa errada e você briga comigo. – Ah minha menina inteligente. É claro que ela iria perceber. As duas mulheres da minha vida sabem me ler como a palma da mão.

– Não é nada que você precise se preocupar, tá Dulce? A mamãe e eu estamos tentando nos ajustar a essa situação. – Disse a ela enquanto entrava na garagem do prédio.

– Acho que ela ficou chateada quando falei da Nicole. Eu entendo, né papi? Nem a mamãe gostou dela. – Ela disse como se todos os problemas fossem tão simples como ela via com os olhos de criança.

– Dulce. Esqueça esse assunto. Sua mãe e eu vamos resolver. Não esqueça, segredo tá? Não pode contar pra ninguém que a mamãe voltou. – A vi fazer gesto de fechar a boca jogando a chave fora e eu sorri. Minha sapequinha. Chegamos ao apartamento e estavam todos a mesa tomando café.

– Titia! – Dulce correu para perto de Estefânia e elas deram um abraço gostoso. – Titio! – Ela deu a volta na mesa e abraçou Gabriel.

– Oi minha bonequinha, que bom que você voltou! Está melhor? – Estefânia perguntou a ela.

– Sim piririm! Eu tive a melhor noite de todas, titia! – Dulce sentou no sofá.

– Ah é? Num hospital? Posso saber por que? – Gabriel perguntou.

– Porque eu descobri uma coisa que me deixou super feliz! – Ela disse contente.

– Dulce Maria. – Avisei.

– Mas eu não posso falar ainda porque é segredo. – Estefânia olhou para mim desconfiada.

– Vamos tomar um banho e depois você desce pra ficar com sua tia. – Peguei na mão de Dulce Maria e a levei pro quarto antes que ela desse com a língua nos dentes. Quando estava pronta e com a Estefânia, finalmente pude tomar o meu banho e tirar todo aquele cheiro de hospital e a roupa do dia anterior. Estava cansado e precisava dormir algumas horas. Voltei pro quarto e me deitei pegando o porta retrato com a foto da Teresa que ficava na cabeceira da minha cama. – Ah, Teresa. Você ainda vai me enlouquecer, sabia? Apesar de tudo, sou o homem mais feliz do mundo por ter você de volta e não vejo a hora de você voltar pra casa. – Fiquei admirando a foto dela por algum tempo e depois a coloquei no lugar. Não desci pra ver como estava a Dulce, mas podia ouvir as risadas lá de baixo. Fechei os olhos e dormi querendo sonhar feliz. A próxima coisa que senti, foi alguém me cutucando no braço, um monte de dedinho mexendo nas minhas costas tentando me fazer cócegas. – Dulce Maria! – Falei ainda de olhos fechados.

A volta de TeresaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora