Capítulo 81

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Teresa

– A bonequinha dormiu em cima dos livros? – Estefânia disse divertida quando descemos as escadas e vimos Dulce deitada com a cabeça na mesa.

– Mamãezinha! – Ela choramingou assim que me viu e pulou da cadeira pra vir até mim me abraçando pela cintura.

– Minha carinha de anjo, o que aconteceu? – Perguntei preocupada.

– Eu quero colo. – Ela disse com uma vozinha tristonha e eu a levei pro sofá. Dulce se sentou no meu colo e me abraçou, escondendo o rosto em meu pescoço.

– O que aconteceu, bonequinha? – Estefânia perguntou sentando ao meu lado, mas Dulce permaneceu em silêncio.

– Fala pra mamãe e pra titia o que aconteceu. – Pedi a ela.

– O vovô. – Dulce respondeu abafado e eu olhei pra Estefânia.

– O que ele fez? – Perguntei a ela.

– Mamãe, não deixa meu irmãozinho ir pro céu também. – Dulce olhou pra mim com seus olhos chorosos.

– Não, minha filha, isso não vai acontecer. – Tranquilizei a ela.

– Eu sei que você ficou doente porque o vovô ficou brigando com você. E eu não quero que você fique assim. – Ela alisou meu rosto e eu sorri para ela.

– Minha carinha de anjo, não se preocupe. Olha, a mamãe já está melhor. – Ela me olhou desconfiada e eu beijei sua mão.

– Você promete? – Dulce perguntou me analisando.

– Prometo que juro. – Fiz o gesto do juramento.

– É, Dulce, a mamãe é forte e eu sei que você vai cuidar muito bem dela e do seu irmão, não é? – Estefânia falou para ela.

– Sim piririm. Vou ser a melhor enfermeira do mundo. – Dulce sorriu para ela e eu dei um abraço na minha filha.

– Você já terminou sua lição? – Ela balançou a cabeça afirmando. – Então vai lá guardar os cadernos e lavar as mãos pra esperar o jantar. – Dulce beijou minha bochecha antes de sair do meu colo.

– Eu te amo, mãezinha. – Ela disse já em pé e eu sorri.

– Eu também te amo, cariño. – A vi arrumando todo seu material em cima da mesa.

– E a mim, ninguém ama? – Estefânia perguntou fazendo beicinho.

– Eu também te amo, titia. – Escutei a risadinha de Dulce enquanto subia as escadas e voltei a ficar séria, olhando pra Estefânia.

– É, cunhada, Dulce Maria pode ter só seis anos na idade, mas a cabeça é de um adulto de trinta. – Estefânia me disse e eu suspirei.

– Eu não aguento mais essa situação, Estefânia. Parece que estamos pisando em ovos na nossa própria casa. – Passei a mão no rosto frustrada.

– Não se preocupe, no final, tudo dá certo. Só se cuide e não deixe que ninguém interfira na sua saúde. – Estefânia se levantou. – Agora eu já vou, vim trazer a Dulce e ver como você estava a pedido do meu primo. – Me levantei junto com ela.

– Obrigada, cunhada. E dê milhões de beijos na minha afilhada. – Caminhei com ela em direção à porta e abri pra ela sair. No mesmo instante, Gustavo apareceu chegando.

– Olá. – Ele disse a nós duas.

– Oi, primo. Tchau, primo. – Estefânia se despediu dando um beijo nele e eu sorri ainda segurando a porta.

A volta de TeresaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora