Acordei cedo, na verdade quase não consegui dormir de ansiedade para esse dia chegar. Já tinha combinado tudo com Rosana e quando estive na cobertura ontem, falei com Franciele e Silvestre que eles estavam de folga hoje à noite, mas não era para comentar nada com Teresa porque queria fazer surpresa. Durante o dia, resolvi sair com Dulce para que Rosana pudesse levar Teresa para qualquer lugar longe de casa.
– Dulce, você entendeu direitinho o combinado, não é? – Perguntei mais uma vez para minha filha.
– Sim, papi, eu vou pra casa da tia Rosana para você e a mamãe conversarem. Vou pedir pra Papai do Céu fazer vocês voltarem a ficar juntinhos. – Ela se abraçou apertado e eu sorri.
– Combinado, então. – Sorri para ela.
Estava começando a ficar nervoso com o passar das horas. Às 18h, mandei uma mensagem para Rosana dizendo que ia deixar Dulce na casa dela com Juju e em uma hora ela poderia trazer Teresa para casa. Subi para tomar um banho de gato e fui preparar nosso jantar. Claro que não era um masterchef da vida, mas conseguia desenrolar algo na cozinha. De qualquer forma, pedi ajuda a Franciele para me orientar a fazer a comida preferida de Teresa.
– Ô seu Gustavo, eu não sei fazer essas coisas aí estranhas de outro país não, viu? Minha especialidade é uma boa feijoada com muita carne de porco. – Dei risada de Franciele. – Como é o nome desse troço aí mesmo? – Ela disse olhando estranho.
– Chilaquiles de Pollo en Salsa Verde. – Disse no meu melhor espanhol.
– Isso aí mesmo. É de lá de onde ela veio? – Ela perguntou curiosa.
– Sim, Franciele, é uma comida do México. Pode deixar tudo aí que eu faço. – Comecei a pegar os ingredientes.
– O senhor não vai colocar fogo na minha cozinha não viu, patrão? Boa sorte aí com a patroa. – Ela se despediu e saiu.
Faltava meia hora para Rosana chegar com a Teresa e a comida estava quase pronta. Tinha colocado um bom vinho para gelar, apesar de Teresa quase nunca beber álcool e arrumei a mesa para dois. O meu plano era jantarmos pacificamente, relembrando quando jantávamos juntos sem motivo nenhum, apenas para curtir a presença um do outro.
Pouco tempo depois, Rosana mandou uma mensagem avisando que Teresa já estava subindo para a cobertura e eu comecei a ficar nervoso. E se ela não gostasse? E ficasse irritada? Agora já era tarde demais para voltar atrás. Fiquei um pouco escondido e deixei as luzes baixas, quando escutei o barulho da chave na porta e logo ela entrando em casa com sua bolsa e sacolas, alheia a tudo em volta.
– Oi. – Disse baixinho e a vi se virar depressa assustada.
-
Teresa
Estava exausta hoje, acordei um pouco mais tarde do que o normal graças ao cansaço do dia anterior. Era final de semana então eu poderia me dar uma folga. Claro, se não fosse pelo meu estômago que mais uma vez me traiu e me fez acordar como se eu tivesse comido um boi e agora não conseguia segurar dentro. Esses enjoos estavam começando a me tirar do sério. Procurei um remédio para enjoo no armário do banheiro e me deparei com algo que me chamou a atenção, que me fez parar por um segundo. Comecei a entrar em pânico ao me dar conta do que poderia ser o motivo desses enjoos pensando que esse era o pior momento para acontecer. Fiz as contas mentalmente e percebi que havia grandes chances daquela desconfiança ser real porque eu estava... atrasada.
– Era só o que me faltava. – Disse para mim mesma e me olhei no espelho analisando a minha barriga. Precisava tirar aquela dúvida urgente. Resolvi tomar um banho e me arrumar para sair. Ao descer as escadas, encontrei Dulce Maria e Gustavo conversando animados na sala.
– Bom dia, mãezinha. – Ela me beijou na bochecha.
– Bom dia, minha carinha de anjo. Bom dia, Gustavo. – Tentei falar normal mesmo meu coração estando acelerado.
– Bom dia, Teresa. – Ele me encarou e eu baixei a cabeça para que ele não percebesse nada.
– Mãezinha, o papai e eu vamos passear. Quer ir? – Dulce perguntou animada.
– Não, meu amor, a mamãe ainda está cansada de ontem, mas vá se divertir com o papai. – Sorri para ela.
– Você tem certeza, Teresa? – Ele me perguntou.
– Não se preocupem comigo, podem ir. – Forcei um sorriso e não demorou muito para eles saírem e eu esperei um tempo para sair também.
Precisava confirmar as minhas suspeitas e tinha que ser logo. Fui fazer o que tinha que fazer na rua e logo voltei para casa me trancando no quarto e só sairia dali quando tivesse a certeza em mãos. Fiz todo o procedimento necessário e esperei. Esperei. Três minutos. Cinco minutos. Meu celular despertou e eu senti minhas mãos começarem a suar e tremer. Não estava com coragem de ver, mas também não podia não ver. Respirei fundo segurei os dois bastonetes onde apareciam os resultados. Era unânime: duas listras. Positivo. Eu estava grávida.
Comecei a chorar segurando aqueles palitos. Chorava de alegria por ter mais um filho em meu ventre e de tristeza por ele vir nesse momento tão complicado das nossas vidas. Eu sabia que tanto Dulce Maria quanto Gustavo iriam ficar radiantes com a notícia, mas o que aconteceria a partir de agora? Eu não podia deixar que um bebê viesse ao mundo com todos esses problemas acontecendo. Ele era uma benção e não um estorvo.
Ouvi meu celular tocar e fui ver quem era. Era Rosana me chamando para sair. Eu não queria sair para lugar nenhum, mas ela insistiu tanto que me vi aceitando e meia hora depois já estava na rua com ela. Confesso que me divertia muito com a Rosana todas as vezes que saíamos juntas e isso me deixava de ânimo mais leve.
– Agora me diz o que você tem. – Rosana me parou.
– Eu? Nada, por que? – Perguntei confusa.
– Ah não, Teresa, eu te conheço ó... – Ela disse estalando os dedos. – De outros carnavais, você está muito quieta hoje. O que que é? É o Guga de novo? – Ela disse preocupada e eu sorri pela forma como ela tratava o meu marido.
– Ah Rosana, você nem imagina o que eu descobri hoje. Eu não queria contar para ninguém ainda, mas estou a ponto de explodir. – Puxei-a para um lugar mais reservado.
– Aí meu Deus, o que foi dessa vez? – Ela disse alarmada.
– Estou grávida. – Vi a boca de Rosana se formar num grande "O" e seus olhos crescerem.
– Você está falando sério? – Ela perguntou animada me chacoalhando e eu dei risada.
– Sim. Quer dizer, eu fiz o teste de farmácia. Fiz dois e os dois deram positivo. – Continuei rindo de sua reação.
– Aí meu Deus, Teresa, que notícia maravilhosa. – Ela falou alto me puxando para um abraço.
– Fala baixo, mulher. – Sorri. – Ainda preciso fazer o exame de sangue, mas se os testes deram positivo e eles são bem confiáveis né? Então... – Ela me abraçou de novo.
– Dulce Maria e Gustavo vão ficar tão felizes. A família vai aumentar! Espero que venha um menino lindo como o pai. – Ela disse e eu cerrei os olhos para ela. – Com todo respeito, amiga! – Demos risadas e continuamos nosso passeio. Ela me levou para vermos lojinhas de bebês e eu fiquei encantada com tudo.
– Que saudade de sentir esse cheirinho. – Disse numa loja sentindo um perfume para bebê.
– Você vai dizer ao Gustavo quando? – Rosana chegou perto de mim com um onesie amarelo e branco.
– Ainda não. E por favor, não conta pra ninguém. – Ela concordou e voltou a olhar outras roupinhas.
– O que vai acontecer agora com vocês se separando? – Rosana me perguntou e eu suspirei.
– Eu não sei. Claro que não vou privar o Gustavo de estar perto dessa gravidez, mas sinceramente, eu não sei. – Disse sincera a ela.
– Amiga, conversa com o Gustavo, essa gravidez só mostra que vocês se amam. Não deixe ninguém atrapalhar a felicidade de vocês. – Rosana me aconselhou e eu acenei para ela sem responder. Eu estava muito confusa.
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A volta de Teresa
Fan-FictionE se o acidente de asa delta da Teresa não tivesse sido fatal? Se ela tivesse sido dada como morta mas, na verdade, não foi o seu corpo que foi enterrado naquele dia? Por um acaso do destino, Teresa sobreviveu ao acidente que mudou o rumo da sua vid...
