Cecília
Desde o dia que descobri que ser freira não era minha vocação, sentia meu coração inquieto e aflito. Era difícil tomar uma decisão que mudaria minha vida para sempre e largar o hábito teria consequências que eu jamais poderia imaginar. A verdade era que desde que eu conheci o pai da Dulce Maria, essa questão martelava pela minha cabeça todos os dias. Eu não poderia negar que quando o conheci, senti uma coisa diferente queimando no meu peito, uma coisa que eu nunca tinha sentido em toda a minha vida. Sabia que ele tinha passado por momentos difíceis com a morte da esposa porque eu também via o sofrimento da minha bonequinha todos os dias quando a colocava para dormir e a via beijando o porta retrato da mãe que ficava ao lado da sua cama.
Eu era tão apegada àquela menina, desde o dia que chegou ao internato, pequenininha, sem entender o que acontecia ao redor e cada dia que passava sentia um carinho por ela inexplicável, uma vontade de protegê-la de todo mal desse mundo e somente vê-la feliz. Sabia que tomar a decisão de sair do internato iria machucar profundamente a Dulce Maria, além de me machucar mais ainda ao saber que não poderia vê-la todos os dias como sempre, mas era uma decisão que eu precisava tomar, porque eu já sentia, no meu coração, que aquela não era mais a minha vocação.
Não vou dizer que é culpa do pai dela que me fez agir assim, mas conhecê-lo teve uma parcela de culpa também. Era tão inevitável os outros perceberem que algo estava acontecendo que quase fui transferida para outra cidade só para ficar longe e seguir minha vida religiosa. Eu estava confusa e a melhor opção era me afastar dele. Se sair do internato não era suficiente para arrancar aquela angústia no meu peito, eu precisava sair daquela cidade para respirar melhor. E foi isso que fiz, num ato impensado, deixei uma carta para minha irmã Fátima e segui para uma cidade próxima de Doce Horizonte.
Era a minha cidade, de onde saí para morar em Doce Horizonte, fazia tanto tempo que não voltava lá que quase me senti perdida com tanta mudança. Quando procurei um cantinho para ficar, pude realmente sentir a realidade sobre mim: Eu não era mais noviça. Era agora uma moça comum e deveria começar a agir como tal. Nesse momento, eu precisava pensar em mim primeiro pra poder voltar para Doce Horizonte tranquila e com a cabeça no lugar.
– Meu Deus, Fabiana, como isso aconteceu? – Perguntei aflita ao acabar de ouvir sobre o acidente da Dulce pela Fabiana.
– Aí Cecilia, eu levei ela até a casa da Fátima para te ver. Ela estava tão triste que eu não resisti àquela carinha dela. – Fabiana respondeu nervosa.
– Não era pra isso ter acontecido, Fabiana. E como ela está? – Passei a mão pelo meu cabelo. Ainda era estranho senti-lo assim tão solto.
– Levamos ela pro hospital e ligamos pro seu Gustavo, mas ele estava muito irritado, Cecilia, eu nunca tinha o visto assim. – Quando ela me disse o nome dele, meu coração bateu mais rápido.
– O que ele disse? – Perguntei tentando conter a emoção ao pensar nele.
– Deu a maior bronca na gente, claro. E disse que era tudo sua culpa. – Fabiana estava com a voz triste.
– É minha culpa sim, Fabiana, se eu não tivesse ido embora... – Estava preocupada com a Dulce, não queria que ela sofresse mais, ainda mais por minha causa.
– Poderia ter sido pior, Cecília. Você sabe que quando a Dulce Maria coloca uma coisa na cabeça, ninguém tira. – Fabiana disse e ela tinha razão. Essa garotinha era muito teimosa.
– Eu vou voltar. – Disse decidida.
– Não. Não volte. O senhor Gustavo está muito irritado com você, Cecília, ele disse até que te proibia de ver a pequena. – Aquilo foi um soco no meu coração. Saber que não poderia ver a minha pequena me matava por dentro. – Ele não pode fazer isso. Dulce Maria nunca permitiria que ele a deixasse longe de você. – Fabiana tentava me tranquilizar, mas saber que ele estava me vendo como a pior pessoa do mundo, me machucava ainda mais.
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A volta de Teresa
FanfictionE se o acidente de asa delta da Teresa não tivesse sido fatal? Se ela tivesse sido dada como morta mas, na verdade, não foi o seu corpo que foi enterrado naquele dia? Por um acaso do destino, Teresa sobreviveu ao acidente que mudou o rumo da sua vid...
