– O que ele está fazendo aqui? – Teresa perguntou preocupada.
– Aquele é o meu vovô? Por que ele está dormindo? Tá doente? – Dulce desatou a falar.
– Filha, vai fazer o que eu pedi, enquanto converso com a sua mãe e quando você descer, eu conto tudo, está bem? Só não vai acordar o seu avô porque ele precisa descansar. – Disse a ela.
– Tudo depois, tudo depois. – Ela reclamou subindo as escadas.
– O que o meu pai está fazendo aqui, Gustavo? – Teresa perguntou novamente.
– Ele veio aqui conversar comigo e acabamos discutindo, como sempre. Ele passou mal e eu tive que deixá-lo aqui para que descansasse. – Respondi a ela.
– Mas como ele passou mal? O que ele tem? – Ela perguntou e eu segurei a sua mão nervosa.
– O médico disse que ele teve uma queda de açúcar no sangue, mas que não era pra nos preocuparmos. Ele disse que o Adolfo precisava de alguns dias de repouso e eu pensei que ele pudesse ficar aqui. Eu sei que deveria ter te consultado, mas eu precisava tomar uma decisão na hora. Era isso ou ele teria que ficar internado. – Expliquei tudo a ela.
– Você fez o certo. – Ela respirou aliviada. – Meu pai detesta hospital. Capaz de no momento oportuno, saísse de lá e fosse pra casa. – Ela passou a mão no cabelo ainda nervosa. – Eu quero vê-lo. – Acenei e nos levantamos indo para o nosso quarto.
– Temos que dizer algo para Dulce Maria. É a primeira vez que ela vê o avô e com certeza vai querer ficar em cima dele o tempo todo. – Seguimos em direção ao nosso quarto e Teresa parou no limiar, observando o pai ainda dormindo.
– Você percebe que colocou o meu pai na nossa cama, não é? No lugar onde a filha dele... – Ela me encarou levantando a sobrancelha.
– Não termina! O quarto de hóspedes não estava pronto, mas assim que ele acordar, a gente transfere ele para lá. – Ela deu um sorriso insolente e entrou no nosso quarto. A sagacidade da Teresa não desaparecia nem nas piores horas.
– Vamos esperar que ele acorde para ver como ele vai reagir, mesmo eu tendo certeza que ele não vai gostar nada de saber que está na nossa casa. – Ela sentou no baú que ficava encostado na nossa cama e eu permaneci em pé.
– Primeiro vamos pensar em como contaremos para a Dulce, depois a gente pensa nisso. – Disse a ela que acenou e levantou. Teresa pegou a minha mão e saímos do quarto em direção ao quarto da Dulce Maria.
– Dulce? – Teresa a chamou que logo apareceu trocada de roupa.
– Vocês vão me dizer o que meu vovô está fazendo aqui? – Ela se sentou na cama e nós sentamos do lado dela.
– Seu avô passou mal, minha filha, mas logo foi atendido pelo médico. Só precisa descansar um pouco. – Respondi a ela.
– Você deu uns cascudos nele pra deixar de ser durão? – Ela perguntou séria.
– Claro que não, filha. Isso não resolve nada. – Teresa respondeu.
– Além do mais, quando ele passou mal, a nossa conversa já tinha acabado. – Respondi a ela.
– Ele deve ter ficado muito nervoso. – Ela olhou para nós.
– Sim. E agora, ele precisa de cuidado. E a sua mãe vai ficar muito feliz vendo a gente fazer isso por ele. – Vi Teresa balançando a cabeça concordando.
– A mamãe nem parece filha dele. Ela é carinhosa e sorridente, ele não, parece cachorro bravo. – Dulce imitou um cachorro e Teresa deu risada.
VOCÊ ESTÁ LENDO
A volta de Teresa
Fiksi PenggemarE se o acidente de asa delta da Teresa não tivesse sido fatal? Se ela tivesse sido dada como morta mas, na verdade, não foi o seu corpo que foi enterrado naquele dia? Por um acaso do destino, Teresa sobreviveu ao acidente que mudou o rumo da sua vid...
