Capítulo 15

1.9K 76 28
                                        

Teresa

Acordei ouvindo um zumbido insistente ao longe e não sabia se era real ou era o meu sonho, mas logo percebi que era o meu telefone vibrando dentro da minha bolsa aberta jogada no chão. Dei um pulo quando vi o nome do Gustavo e a quantidade de chamadas, achando que tinha acontecido alguma coisa mais.

– Que não seja nada. – Rezei. Tentei retornar a ligação mas também só chamava. Quando a gente mais precisava falar com alguém, ninguém nunca atendia. Tirei o celular do silencioso para caso o bonito fosse retornar e fui até a cozinha. Estranhei o Marcelo ainda não estar em casa até que vi um recado grudado na porta da geladeira dele.

"Helena, um amigo pediu para trocar de turno comigo hoje e vou passar a noite no hospital. Chego amanhã cedo. Se cuida. – Marcelo."

No fundo estava grata que ele tinha ido trabalhar, queria ficar um pouco sozinha. Era muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e eu precisava de um pouco de paz. Tomei banho e fui preparar uma comida pra mim, a verdade é que eu só tinha tomado café e muito pouco, estava sem fome – e dormindo – mas precisava me alimentar pros dias que viriam. Quando estava terminando de arrumar a cozinha, ouvi a campainha tocar. Estranhei. O porteiro não anunciou ninguém e o Marcelo disse que estava no hospital. Fui até a porta e quando a abri, não acreditei no que vi, ou melhor, em quem vi.

– O que você está fazendo aqui? – Perguntei vendo Gustavo parado na minha frente.

– Precisava falar com você. – Ele estava sério.

– Como me encontrou? – Estranhei sua presença ali. Não lembrava de ter dado meu endereço a ele.

– Posso entrar ou vamos ter essa conversa aqui? – Dei passagem para ele entrar e fechei a porta.

– Como você me encontrou aqui, Gustavo? – O vi olhando ao redor do pequeno apartamento do Marcelo.

– Então é aqui que você está ficando com seu amigo. – Ele disse e eu levantei uma sobrancelha.

– Sim. É aqui. Qual é o problema? – Cruzei os braços irritada.

– Por quê não atendeu minhas ligações? – Ele me olhou sério.

– Estava dormindo. – Passei por ele indo até o sofá me sentando.

– Não vai me apresentar seu amigo? – A forma como ele falava sobre o Marcelo me irritava. É sério que ele estava com ciúmes nessa altura do campeonato? Pelo amor de Deus.

– Não. Não vai me dizer como me encontrou? – Esperei petulante.

– Eu rastreei seu celular. – Ele disse sério. Espere. O que?

– VOCÊ O QUE? – Me levantei num salto. – E desde quando você tem o direito de fazer isso? – Estava irritada e nervosa.

– Você é minha esposa. Eu deveria saber onde você está. Sem contar que você não atendia as malditas ligações! – Ele gritou como se estivesse com razão.

– Eu não sou sua propriedade, Gustavo! – Andei nervosa de um lado para outro da sala.

– Por que não queria que eu viesse aquí? – Parecia que a gente estava competindo para saber quem irritava mais com o outro.

– Não muda o foco, isso não tem nada que ver com você rastrear meu celular. Se você quisesse vir aqui, você falava comigo e não usava de meios sujos para me achar. – Cruzei os braços na sua frente.

– Talvez se você atendesse a droga do telefone, quem sabe eu perguntaria onde você estava. Sua filha perguntou por você, você sabia? Ela me fez ligar um milhão de vezes, mas você não atendia! – Ele parou na minha frente e seus olhos verdes estavam escuros.

A volta de TeresaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora