Capítulo 27

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Teresa

      Estava com o Gustavo terminando de guardar minhas coisas do hotel, ou tentando porque ele sempre conseguia me agarrar para me dar um beijo, quando ouvimos seu celular tocar.

– Ué, é do colégio. Será que aconteceu alguma coisa? – Parei de fazer o que estava fazendo e prestei atenção ao que ele dizia. – O que? – Ele disse preocupado. – Estamos indo aí, Madre. – Gustavo desligou o celular suspirando.

– O que aconteceu? – Perguntei preocupada, meu coração já batia forte.

– Parece que Cecilia foi até o colégio e a Dulce Maria não quis vê-la. A Madre falou que ela está chamando por você. – Ele me olhou preocupado.

– Então vamos até lá. – Peguei tudo o que estava em meu alcance rápido jogando tudo na bolsa. Gustavo me ajudou em silêncio a checar se eu não tinha esquecido nada e saímos às pressas do hotel.

     Chegamos a uma fazenda linda e grande, tão bonita que me fazia lembrar de quando eu era mais jovem e vivia numa dessas com a minha família. Era bastante verde e a decoração do prédio era rústica, dava um contraste simples ao ambiente. Gustavo abriu a porta do passageiro pra mim e segurou a minha mão.

– Não era assim que eu queria que você conhecesse o colégio. – Gustavo disse chateado enquanto caminhávamos de mãos dadas.

– Não se preocupe, algo me diz que essa não vai ser a última vez que nossa filha fará a gente vir aqui. – Tentei descontrair e vi um sorrisinho florescer no rosto do Gustavo. A verdade era que eu estava preocupada com a minha filha, se ela estava me chamando, então a situação era delicada. Logo chegamos à sala da Madre. Eu não tinha reparado em nada do lugar, só pensava na Dulce. Gustavo bateu na porta da sala e ouvi um "entre" de lá de dentro.

– Madre! – Gustavo disse a uma senhora mais velha que estava atrás de uma mesa. Vi Cecilia de um lado e outra irmã perto dela, as duas com a mesma feição triste. Algo me dizia que aquela era a irmã Fabiana.

– Senhor Gustavo. E você deve ser a mãe da Dulce Maria. – A Madre foi formal conosco. Ela estava séria.

– Sim. – Respondi olhando para Cecilia que nos olhava desconfiada.

– O que aconteceu? Onde está a Dulce? – Gustavo perguntou preocupado.

– Está na sala de música. Ela disse que só sai de lá quando a mãe dela chegar. – A freira respondeu.

– Eu já estou aqui. Me leve até ela, por favor. – Ela assentiu e eu dei uma última olhada pro Gustavo antes de sair da sala.

– A propósito, eu sou a irmã Fabiana, professora de música da pequena. – Ela sorriu de leve para mim e me guiou pelos corredores do colégio.

– Prazer, irmã Fabiana. A Dulce fala muito de você. – Devolvi o mesmo sorriso.

– Ah, essa pequena... Não gosto de vê-la triste. – Ela suspirou.

– Ela está confusa, irmã Fabiana, só precisam dar um tempo a ela. – Disse a acompanhando.

– Eu sei. Não deve ser fácil para ela. – Ela parou de frente a uma porta. – Chegamos. Ela está ali. – Ela disse apontando pra um cantinho da sala e vi o cabelo loiro da minha filha.

– Obrigada. – Olhei para ela e depois me dirigi pra dentro da sala enquanto ela se limitou a ficar do lado de fora. – Minha carinha de anjo? – Dulce virou o rostinho e eu podia jurar que mais um pouquinho ela conseguiria quebrar o pescoço de tão rápido que foi o movimento. Seus olhos e nariz estavam vermelhos de chorar.

A volta de TeresaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora