– Onde você estava? E por que está com esse sorrisinho? – Haydee perguntou ao ver a porta se abrir.
– Finalmente me vinguei daquela maldita mulher. Tenho certeza que aquele pirralho não vai vir ao mundo. – Nicole disse sentando no sofá.
– O que você fez, Nicole? – Haydee perguntou preocupada.
– Eu? Nada. – Ela sorriu vitoriosa.
– Como nada? Você disse que se vingou de alguém. De quem você está falando? – Haydee a encarou esperando resposta.
– Aí, mãe, não me enche. – Nicole disse indo pro quarto.
– Você vai me dizer sim! Você passa meses fora e quando volta, já está aprontando de novo? Sossega, Nicole! – Haydee repreendeu a filha.
– Quer saber mesmo o que eu fiz? – Ela entrou no seu quarto. – Pois bem, eu estava andando normalmente pela cidade e por ironia do destino, eis que encontro Teresa Lários passeando pela rua. Que pena que o freio do meu carro não funcionou. – Nicole sorriu irônica.
– Você está louca? Matou ela? – Haydee disse chocada.
– Ela eu não sei, mas o pivetinho que ela estava esperando, eu espero que sim. – Nicole se jogou na cama.
– Minha filha, eu não te reconheço mais. Eu sabia que você não dava ponto sem nó, mas cometer um crime? – Haydee disse amedrontada.
– Que crime? Acidentes acontecem o tempo todo. – Nicole riu.
– Você está fora de si! – Haydee balançou a cabeça suspirando.
– Ah, mamãe, me poupe desse seu teatrinho de sensibilidade. Já esqueceu o que aconteceu? Por culpa dessa mulherzinha, hoje eu não sou nem de longe a nova senhora Lários. – Nicole revirou os olhos e bufou.
– Mas agora você está rica. Casou com um velho e ele te deixou toda a fortuna dele. Gustavo Lários não interessa mais. Não era isso o que você queria? Muito dinheiro? – Haydee disse sem entender.
– Mas eu precisava me vingar do tapa que Teresa me deu. Ainda consigo ver exatamente onde fica a marca que ela me deixou. Agora eu também deixei uma marca minha nela. – Nicole deu risada. – E agora sai do meu quarto. Estou cansada desse papo e preciso dormir. – Haydee saiu do quarto de Nicole sem perceber que Flávio estava ouvindo e gravando toda a conversa.
– Quer dizer que minha irmãzinha atropelou a esposa do Gustavo? Pobre mulher, se meteu no caminho errado. – Flávio sorriu. – Isso vai ser um belo trunfo pra acabar de vez com a toda a pompa de Nicole. Já que minha irmãzinha ingrata não quis me ajudar... Ah Nicole, Nicole. Você não perde por esperar. – Flávio voltou pro seu quarto e se deitou na cama planejando o que faria com essa nova informação.
-
Gustavo chegou em casa exausto. Fisicamente e emocionalmente. Ele queria tomar um banho e dormir, mas sabia que esse último seria impossível porque não conseguiria dormir enquanto Teresa estivesse na UTI.
– Senhor Gustavo. Como está a patroa? – Silvestre e Franciele apareceram na sala e ele perguntou preocupado.
– Ela está na UTI, Silvestre. – Gustavo passou a mão no rosto.
– Foi grave assim? – Franciele perguntou cabisbaixa.
– Com ela nem tanto, mas o mais difícil é o bebê. Ela perdeu muito sangue e a placenta descolou. A gravidez dela se tornou de risco. – Ele disse desabando no sofá.
– Que Deus tome conta dela e que nada aconteça com os dois. – Silvestre orou.
– O senhor quer alguma coisa, senhor Gustavo? – Franciele perguntou.
– Faça uma comida leve para mim, Franciele e leve até meu quarto. Estou cansado. Vou tomar um banho. Amanhã cedo eu volto pro hospital. – Gustavo se levantou e seguiu para as escadas.
– A menina Dulce vai ficar arrasada quando souber do acidente da mãe. – Franciele comentou com Silvestre enquanto voltaram para a cozinha.
– Nem me fale. Essa família já sofreu demais. – Silvestre suspirou.
– Tô falando pra mandarem o padre benzer essa casa, ninguém me escuta. – Ela se benzeu.
– Franciele! Bico calado. Faça logo o jantar do patrão em silêncio. E feche esse zíper desse uniforme! – Silvestre falou duro com Franciele e ela se calou.
Gustavo tomou um banho para relaxar e voltou pro quarto. Quando deitou na cama, Franciele apareceu com o jantar e ele logo a dispensou, comendo em seguida. Ele terminou sua comida e voltou a se deitar.
– Teresa... – Gustavo sussurrou olhando para o lado vazio da cama, onde pertencia a ela. – Seja forte, meu amor, vamos passar por mais essa e trazer nosso bebê ao mundo. – Ele abraçou o travesseiro dela apertado sentindo o cheiro de baunilha de seu shampoo. Sem perceber, adormeceu naquela posição.
A madrugada adentrou e no hospital, o estado de saúde de Teresa complicou ainda mais por causa da gravidez. Ela ainda não havia acordado desde que tinha desmaiado no momento do acidente e isso preocupava os médicos.
– Ela não está reagindo, Dra. Paloma. – O médico disse enquanto Paloma checava mais uma vez o sinais vitais do bebê.
– Você precisa ligar para Gustavo Lários agora! – Paloma disse urgente.
– O que aconteceu? – O médico chegou mais perto dela olhando para o monitor de ultrassom.
– Você não está ouvindo? – Ela disse preocupada.
– Ouvindo o que? – Ele perguntou confuso.
– Exatamente! Não se ouve nada. Não estou conseguindo ouvir o coração do bebê. – Paloma olhou com pesar para Teresa.
– Você está querendo dizer... – O médico não terminou.
– Sim. Ligue para Gustavo Lários. Ele tem que vir para cá agora. – Paloma continuava examinando o bebê e Teresa enquanto o médico saiu para pedir para ligarem pro marido dela. – Teresa, eu sinto muito. – Ela disse com pesar para a mulher dormindo.
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A volta de Teresa
FanfictionE se o acidente de asa delta da Teresa não tivesse sido fatal? Se ela tivesse sido dada como morta mas, na verdade, não foi o seu corpo que foi enterrado naquele dia? Por um acaso do destino, Teresa sobreviveu ao acidente que mudou o rumo da sua vid...
