A semana inteira foi corrida. Não sabia que precisava de tanta coisa para organizar um chá de panela pra uma mulher prestes a se casar. Rosana e eu passamos a semana inteira pensando no que faríamos e como faríamos tudo. Graças a Deus que a Solange era uma cozinheira de mão cheia e eu não me preocupei com a comida. E claro, arrastei a Franciele junto porque não podia faltar a alegria e o samba no pé dessa moça que já era parte da nossa família. A única coisa que pedi a Estefânia foi uma lista de pessoas que ela gostaria que estivessem na festa.
– Cunhada, eu sei que você e a Cecilia não estão num lugar bom ainda, mas eu a convidei pro casamento e ela foi muito importante pra gente. – Estefânia se desculpou quando me entregou a lista de convidadas.
– Não tem problema, Estefânia, ela é sua convidada. Jamais vou me opor. Prometo me comportar. – Pisquei para ela e sorri.
– Obrigada. – Ela me abraçou.
– Esse dia é seu, vamos nos divertir. Já combinei tudo com Rosana. – Sorrimos juntas.
A lista de convidadas não era grande, graças a Deus e boa parte eu já conhecia. Rosana e Juju – claro, iria ficar responsável por todos os cliques do momento –, Cecilia e a irmã Fátima, Verônica – a secretária do Gustavo que eu só vi no dia que cheguei em Doce Horizonte, Silvana – a secretária que eu conhecia, não sei pra que ele ter mais de uma, mas tudo bem –, além de Solange, Franciele, eu e claro, minha carinha de anjo, que não podia faltar também. Era pouca gente, só mulheres, claro. Os homens – Victor, Gustavo e Gabriel iriam ficar em casa fazendo alguma coisa que eu não queria nem pensar no que. Chamaram até o Cristóvão e o Emilio para irem junto. Eu esperava que não fizessem nada porque, hello, temos um padre e uma criança no meio.
Finalmente o dia chegou e já estava tudo pronto na casa do Victor para a festa. As comidas e bebidas já estavam à espera das convidadas e ainda uma boa música para animar. Aos poucos, elas foram chegando e se acomodando como podiam. Eu achava que o dia seria da Estefânia, mas cada uma que queria fazer algum tipo de pergunta desnecessária para mim naquele momento, do meu acidente, de como sobrevivi, de como vivi esses anos todos, blá-blá-blá.
– Gente! Hoje é o dia da Estefânia. Lembrem-se disso. – Rosana disse e eu respirei aliviada. Senti um olhar estranho me queimar e procurei de onde vinha. Pensei que vinha da Cecilia, mas não, era da Verônica. Eu não entendia porque, mas também não questionei. Retribui da melhor forma que pude: com um sorriso.
– A tia Perucas chegou! – Dulce Maria gritou animada e todas nós viramos para a porta na expectativa. A festa não era surpresa para Estefânia, mas ela ficou bastante emocionada com toda a organização e por ver todas as pessoas queridas por ela ali.
– Discurso, ô da Peruca! – Franciele disse depois que todas nós cumprimentamos Estefânia e colocamos um monte de objeto engraçado no seu look rosa pink do dia.
– Aí gente, eu não sei nem o que falar. Eu agradeço a todas vocês por estarem aqui hoje, por serem minhas amigas e aguentarem todo meu estresse com esse casamento. Não é fácil não. – Ela disse emocionada.
– Eu que o diga! – Disse rindo levantando o copo com suco porque era a única ali casada.
– Ah, Teresa. – Estefânia se levantou vindo até mim. – Eu só espero que o meu casamento seja metade do que o seu é com o meu primo, de verdade. – Sorri com lágrimas nos olhos. – E que um dia eu tenha uma princesinha linda como essa daqui. – Estefânia beijou Dulce Maria que estava sentada ao meu lado comendo brigadeiro.
– Estefânia, não se preocupe, o Victor te ama e eu tenho certeza que vocês serão muito felizes. – Dei um abraço apertado nela.
– Ok, tá na hora da brincadeira, que tal? – Rosana disse e a festa voltou a ficar animada. Horas depois, o chá continuava animado, cada uma com seu grupinho conversando, mas ao mesmo tempo todas interagindo juntas. Eu estava feliz que tudo tinha saído bem e que Estefânia estava se divertindo muito.
– Droga! Acabou o leite condensado! – Ouvi Solange reclamar.
– Tem certeza? – Perguntei me virando pra ela.
– Sim. Quero fazer mais brigadeiro pra cobertura do bolo que já está saindo. Vou ter que ir comprar. – Ela disse se afastando do fogão.
– Não. Deixa que eu vou. É aqui pertinho. – Ofereci.
– Não se preocupa, Teresa, eu vou. – Ela começou a se ajeitar pra ir.
– Que nada, Solange. Fique aqui. – Sorri e peguei minha bolsa.
– Onde você vai, mamãe? – Dulce perguntou quando me viu saindo.
– Ao mercado, rapidinho. – Respondi indo dar um beijo nela.
– Eu quero ir com você. – Ela pulou do colo da tia e veio em minha direção.
– Estranho seria se você quisesse ficar. – Estefânia disse rindo.
– Solange, se lembrar de mais alguma coisa que precisa, me liga. – Peguei na mão da Dulce e saímos da casa do Victor.
O mercado não era tão longe assim, então decidi ir a pé mesmo, aproveitando o tempinho com a minha filha que eu ainda não tinha conseguido ter essa semana por ela estar no colégio. Dulce tagarelava animada sobre como estava amando a festa da tia e de como comeu demais. Ela mostrava a barriga estufada de comida e eu dava risada da minha menina que estava com uma energia ligada no 220V. Passamos pela praça que ficava no meio de várias lojas de roupas e joias de um lado e do outro o mercado com o LePF bem no meio. Era engraçado a arquitetura da cidade, mas eu não poderia viver em outro lugar.
Depois que entramos no mercado e compramos o que precisávamos – mais do que isso, porque ir para o mercado com uma criança, já viu né? Acabou que Dulce Maria saiu de lá com um picolé maior que a própria boca e estava concentrada demais nele para sequer prestar atenção aonde ia. Eu tive que guiá-la pelo ombro para que não tropeçasse e caísse. O sol estava quase no final do seu esplendor e eu olhei para cima vendo que o céu estava com um alaranjado forte, do jeito que eu amava e o vento soprava fazendo meu cabelo balançar. Sempre amei por-do-sol e amanhecer, me encantava a mistura de cores do céu.
Olhei mais uma vez para a praça e avistei uma figura bem conhecida. A do Gustavo. Eu estava num ângulo que não poderia ser vista, mas eu poderia ver tudo. Ele não deveria estar em casa? O que estava fazendo aqui e conversando com uma mulher? Parei um pouco para observá-los, parecia que já se conheciam, pela forma como a mulher estava muito próxima a ele. Vi quando ela o abraçou e ele não fez nada para impedi-la, fiquei estática. Eu não conhecia aquela mulher. Olhei pra Dulce e vi que ela ainda estava entretida com o seu sorvete, então resolvi ir embora com o coração batendo forte no peito. Olhei mais uma vez para onde eles estavam e tive vontade de gritar quando vi que eles estavam se beijando. SE BEIJANDO!
Senti tudo parar naquele momento, era como um soco no meu estômago me deixando enjoada. Até o vento tinha parado de soprar e o sol já não esquentava mais. A única coisa que eu podia ouvir era o meu coração batendo forte sob meus ouvidos e lágrimas querendo escapulir dos meus olhos. Puxei Dulce Maria para irmos embora sem olhar para trás, eu não podia chorar, não na frente da minha filha. Não ao acabar de ver que Gustavo estava beijando outra mulher no meio da praça.
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A volta de Teresa
FanfictionE se o acidente de asa delta da Teresa não tivesse sido fatal? Se ela tivesse sido dada como morta mas, na verdade, não foi o seu corpo que foi enterrado naquele dia? Por um acaso do destino, Teresa sobreviveu ao acidente que mudou o rumo da sua vid...
