Teresa
Saí apressada pra casa do Victor sem me dar conta de que Dulce Maria tinha metade do meu tamanho e suas pernas não eram nada comparadas com as minhas.
– Devagar, mãezinha, assim eu não te alcanço. – Escutei-a reclamar quase tropeçando e diminui o passo. As batidas do meu coração não diminuíram, infelizmente, e estava ofegante. Queria chorar, gritar, voltar lá e socar a cara do Gustavo e perguntar porque ele tinha feito aquilo comigo. Cheguei na casa, soltei as sacolas em cima da mesinha da frente e fui direto pro banheiro para que ninguém visse o que estava acontecendo comigo. Não queria ver ninguém naquele momento e muito menos ser perguntada o que estava acontecendo. Mas não demorou muito pra ouvir batidas na porta e a voz de Estefânia vindo de fora.
– Cunhada? O que aconteceu? Dulce Maria disse que você estava estranha quando voltou. – A voz dela soou preocupada pela porta.
– Está tudo bem, Estefânia. – Fiz uma força sobrenatural para controlar a minha voz.
– Não está, Teresa, eu te conheço, o que houve? – Ela insistiu.
– Está tudo bem, eu já estou indo. Um minuto. – Respirei fundo e me olhei no espelho, estava com o nariz vermelho e meus olhos irritados. Joguei uma água no rosto e fiquei ali tentando acalmar meu coração que não acalmava de jeito nenhum. Eu não ia chorar, não agora. Talvez depois quando estivesse sozinha, mas não agora. Abri a porta e dei de cara com uma Estefânia me olhando preocupada.
– Eu estava apertada. – Tentei dar uma desculpa e ela continuou me olhando. Passei direto pra sala, onde estavam todas.
– Mamãe, você está melhor? – Olhei para a carinha inocente da minha menina e me segurei para não agarrá-la ali e chorar. Minha menina tão pequena e a vida não parava de trazer sofrimento para ela.
– Sim, minha carinha de anjo, mamãe estava apertada para ir ao banheiro, por isso vim apressada. Desculpa se te assustei. Tomou todo o sorvete? – Sentei com ela no colo e dei um beijo na bochecha dela.
– Sim piririm! Estava muito bom! – Ela disse sorrindo.
– Estava mesmo, sujou até a roupa. – Sorri e ela olhou para a manchinha marrom de chocolate no vestido.
– Opa! – Ela soltou uma risadinha. Estava com o coração partido, só querendo ir para casa, mas não poderia encerrar a festa ali. Estefânia estava feliz e eu não poderia estragar tudo e mais, voltar pra casa me faria ver o Gustavo e a última coisa que eu queria naquele momento era vê-lo, apesar de que uma parte de mim queria ir lá e perguntar o que era aquilo e como ele teve coragem de me trair.
– Você não me engana. Eu te conheço tempo suficiente para saber o que você não está dizendo, eu sou sua melhor amiga, esqueceu? – Estefânia me falou baixo depois que as pessoas começaram a ir embora.
– Estefânia, já disse que está tudo bem. – Disse um pouco rude com ela.
– Tudo bem. – Ela levantou os braços em sinal de #pas. – Se você não quer dizer, eu não vou mais falar nada. Mas lembre-se que tem uma pequena que está de olho em você. – Ela falou se referindo a Dulce Maria e eu a procurei na sala. Ela estava sentadinha com os olhinhos de águia para mim. Soltei um beijo no ar para ela e ela sorriu retribuindo.
Já era bem mais tarde quando a última pessoa foi embora da festa e só restou muita sujeira, Estefânia, Solange, Franciele e eu. Dulce Maria estava largada no sofá, dormindo de barriga para baixo e de boquinha aberta. Sua mão estava em sua bochecha e o outro braço pra fora do sofá. Minha pequena estava esgotada. Ajudei no que podia para arrumar tudo antes do Victor voltar pra casa e meu estômago começou a dar voltas e voltas, me fazendo querer vomitar.
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A volta de Teresa
FanfictionE se o acidente de asa delta da Teresa não tivesse sido fatal? Se ela tivesse sido dada como morta mas, na verdade, não foi o seu corpo que foi enterrado naquele dia? Por um acaso do destino, Teresa sobreviveu ao acidente que mudou o rumo da sua vid...
