Teresa
Ouvi uns sons irritantes de apito próximo a mim e algo impedindo minha mão de se mexer. Algo quente. Onde eu estava? Tentei abrir os olhos mas os senti pesados. O barulho constante estava começando a fazer minha cabeça zumbir. Gustavo. Onde ele estava? Nós brigamos e estávamos fazendo...
– Gustavo. – Minha voz saiu baixa e senti algo apertando minha mão.
– Abra os olhos, linda. Estou aqui. – Ouvi sua voz pertinho de mim e me esforcei para abrir os olhos. Quando consegui, encarei seus olhos verdes preciosos. Senti seu cheiro de loção pós barba e seu perfume que eu amava.
– Onde estou? – Perguntei e minha voz saiu arrastada.
– No hospital. Você desmaiou ontem e te trouxe pra cá. Você me assustou. – Ele beijou minha testa.
– Desculpa. – Fechei os olhos incomodada com a luz.
– Vou avisar ao médico que você acordou. – Balancei a cabeça e ele saiu do quarto. Não tive tempo nem de pensar um pouco quando vi que Gustavo tinha voltado com um médico.
– Olá senhora Lários, que bom vê-la acordada. Sou o Dr. Sales, como está se sentindo? – Ele veio com aquela luz chata nos meus olhos e eu tive uma sensação de dejavu.
– Estou bem. Querendo ir para casa. – Pisquei várias vezes.
– Só mais um pouco e eu libero a senhora. Como está a sua cabeça? – Ele colocou aquele troço gelado no meu peito.
– Não dói mais. – Coloquei a mão na cabeça.
– É a primeira vez que isso acontece? – Ele me perguntou.
– Não. – Senti o Gustavo olhar para mim e o doutor parou.
– Há quanto tempo sente essas dores fortes? – Ele perguntou prestando atenção.
– Pouco mais de um mês atrás eu tive a mesma crise e também desmaiei. O médico disse que era consequência do meu acidente. – Olhei pro Gustavo que estava ficando inquieto por eu nunca ter dito isso a ele.
– Bom, estou vendo que está tudo normal por agora, então vou providenciar sua alta, tudo bem? Também vou prescrever uns analgésicos para você tomar caso tenha essas dores de novo. Vou pedir para trazerem seu café da manhã e depois passo aqui. Tenho certeza que o seu marido vai cuidar muito bem de você. – Dr. Sales disse olhando pra nós dois.
– Minha prioridade número um. – Gustavo respondeu e o médico se despediu nos deixando a sós.
– Venha aqui. – Me afastei um pouco na cama dando espaço para ele, mas ele se sentou na altura da minha cintura e eu fiz beicinho.
– Vou te machucar. – Ele segurou minha mão e a beijou.
– Você nunca me machuca. – Puxei-o pra perto e ele se sentou escorado no travesseiro junto comigo. – E a Dulce? – Perguntei encostando minha cabeça em seu ombro.
– Acordou e procurou por você. Ficou nervosa quando soube que você estava aqui. – Senti seu beijo em minha cabeça.
– Tadinha da minha pequena. – Entrelacei nossas mãos e olhei para ele. – Você dormiu? – Vi seus olhos cansados.
– Um pouco, só. – Ele me deu um selinho e vi a porta se abrir com uma enfermeira trazendo meu café da manhã. Não precisava nem dizer que era horrível né? – Por que nunca me contou sobre essas dores de cabeça? – Ele perguntou enquanto tomava café.
– Ah, amor, eu não sabia que seria tão grave. Não dei importância. – Dei de ombros.
– Mas, Teresa, você não pode deixar isso de lado por causa do seu acidente. – Ele me deu bronca.
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A volta de Teresa
FanfictionE se o acidente de asa delta da Teresa não tivesse sido fatal? Se ela tivesse sido dada como morta mas, na verdade, não foi o seu corpo que foi enterrado naquele dia? Por um acaso do destino, Teresa sobreviveu ao acidente que mudou o rumo da sua vid...
