Capítulo 21

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Teresa

– Filha, agora você vai ter que me ajudar um pouquinho. Eu não sei como estão guardadas as suas coisas. – Disse deixando-a em cima da cama e olhando ao redor do quarto.

– Ah, mamãe. – Ela levantou da cama indo em direção ao guarda roupa. – É fácil. Aqui ó, minhas roupas, meu pijama. – Ela puxou o pijama pra fora do armário. – E aqui estão as minhas calcinhas. – Dulce apontou para uma gaveta e sorriu.

– Hum, prometo que da próxima vez eu já vou decorar tudo. Agora tira essa roupa e passa já pro banho. – Peguei sua toalha.

– Não preciso de banho, mamãe, ó, nem tô fedendo. – Ela cheirou sua axila.

– Negativo, minha carinha de anjo. Pode ir pro seu banho que eu vou ajeitar sua cama pra você dormir. – Dulce Maria resmungou mas foi em direção ao banheiro suspirando. Balancei a cabeça e dei risada da minha pequena. Ela era praticamente uma "mini-eu". Ajeitei sua cama e seu pijama e fui até o banheiro ver se ela precisava de ajuda. Não pude conter uma lágrima que escorreu pelo meu rosto ao vê-la tomando banho sozinha. Da última vez que a vi, ela tinha três anos e ainda precisava de mim para se limpar.

– Por quê você está chorando, mamãe? – Dulce apareceu na minha frente.

– Nada, minha carinha de anjo. Venha, vamos colocar seu pijama. – Ela trocou de roupa mais uma vez sozinha e se deitou na cama.

– Você vai ficar aqui até eu dormir? – Dulce perguntou já sonolenta.

– Sim, minha carinha de anjo. Estarei aqui com você. – Me ajeitei com ela na cama e comecei a cantar uma música de ninar.

– Sua voz é tão bonita, mamãe. Eu te amo. – Ela disse de olhos fechados e eu dei um beijo na cabeça dela. Não demorou muito para que ela dormisse. Realmente, ela estava cansada. Foi uma noite agitada para ela e o cansaço estava batendo em mim também. Eu poderia ficar aqui e dormir junto com ela que não me importaria.

Me levantei devagar para não acordar Dulce Maria e saí do quarto deixando a luz do abajur iluminar o ambiente e segui para a sala. Quando estava chegando perto, ouvi a campainha tocando e estranhei porque não pensei que alguém apareceria essa hora, mas continuei caminhando. Ao chegar no topo da escada, vi o Gustavo abrindo a porta e pela reação do seu corpo, a pessoa que estava do outro lado não era esperada.

– Cecilia? – Ouvi Gustavo dizer e não pude deixar de sentir uma sensação estranha no peito. – O que você está fazendo aqui? – Ele perguntou e eu também gostaria muito de saber. – Se você veio ver a Dulce Maria, perdeu seu tempo, ela já está dormindo. – Gustavo disse um pouco grosseiro e dava pra ver que ele estava tenso.

– Será que eu posso falar com você? – Ouvi Cecilia dizer e fiquei na dúvida se continuava parada ou descia as escadas. Ninguém ainda tinha me notado ali.

– Não temos nada para conversar. Boa noite, Cecilia. – Ele ia fechando a porta até que Estefânia o interrompeu.

– Gustavo! Não seja mal educado. Se ela quer falar com você, pelo menos a escute. – Estefânia disse. Certo, se ela queria falar com o Gustavo, eu deveria estar presente. Respirei fundo e fiz barulho anunciando a minha chegada a escada, tentando agir como se nada tivesse acontecendo.

– A Dulce dormiu rapidi... – Parei de falar e fingi surpresa enquanto descia a escada. – Oh, hola. Boa noite. – Me dirigi a Cecilia parada na porta e sorri para ela. – Não sabia que tínhamos mais visitas. – Me virei pro Gustavo o questionando.

– Essa é a Cecilia. A ex professora da Dulce Maria. – Gustavo disse e eu sentia que o olhar dele me queimava.

– Então você é a famosa Cecilia. Prazer, eu sou Teresa Lários. Mãe da Dulce Maria. – Olhei para ela esperando essa informação chegar ao seu ouvido. Eu deveria ser atriz. Sério. Cecilia estava com um olhar assustado. Talvez não me esperava ver ali, talvez não acreditasse no que estava vendo, mas vi os seus olhos encherem de lágrimas olhando pro Gustavo e, no fundo, eu senti uma pitada de satisfação, mas segui alheia a tudo.

A volta de TeresaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora