Teresa
Eu estava tão nervosa. Saber que meu pai estava de volta, resgatava um misto de saudade e alegria. Eu lembrava exatamente como era nossa relação quando a minha mãe ainda estava viva. Eu era a menininha do papai. Lembrava também do que ele tinha se transformado quando a minha mãe faleceu e eu tive que cuidar dele. Seu Adolfo se fechou para o mundo, se tornou mais duro, mais firme e eu, como sua filha, tinha que lidar com ele e a forma mais rígida que ele passou a me tratar. Ainda assim, eu o amava porque ele era o meu pai. Mas quando conheci o Gustavo, as coisas começaram a desandar. O meu pai não aceitava de jeito nenhum meu relacionamento com ele e eu o enfrentei pela primeira vez. Não podia deixar que ele ditasse minha vida para sempre, até porque eu já era adulta e tinha que lutar por aquilo que eu queria.
E desde então, foi como se meu pai nunca tivesse me conhecido. Ele se isolou e fechou seu coração até para mim. Eu sempre tentei manter contato, mas desde que Dulce Maria nasceu, ele disse firmemente que não queria conhecê-la e então, eu desisti de tentar e deixei que ele visse o que era viver sozinho. O Gustavo me falou que a última vez que ele viu o meu pai, foi no meu suposto enterro e depois de jurar que a minha morte foi por causa dele, o meu pai foi embora para nunca mais voltar. Até agora.
– Como foi? – Perguntei ansiosa assim que vi Gustavo passar pela porta da nossa casa.
– Horrível, né? Pior do que imaginava. – Ele se sentou com tudo no sofá ao meu lado visivelmente chateado.
– Não quer ver a Dulce? – Perguntei mesmo já sabendo a resposta.
– De jeito nenhum. E continuou me ameaçando, falando que eu fui o culpado por seu acidente... Enfim, um completo descontrolado. – Ele esfregou as mãos no rosto e apoiou os cotovelos nos joelhos.
– Gustavo! – Repreendi-o.
– Desculpa, amor, eu sei que o Adolfo é o seu pai, mas é como ele está agora, é quem ele é. – Ele me encarou e seus olhos verdes estavam um pouco cansados.
– Eu tenho pena, imagina a confusão dele, tendo que lidar com os piores sentimentos. – Suspirei chegando mais perto dele e encostei minha cabeça em seu ombro.
– Você não tem que defender ele, Teresa, depois de tudo o que ele fez. – Senti sua mão alisar meu queixo.
– Meu pai pode ser um grosseirão, bruto, mas tem um bom coração. A dor, meu amor, endurece ainda mais as pessoas. – Voltei a olhar pra ele e passei o dedo na sua barba.
– Eu não sei não. Se fossem só as grosseiras tudo bem, mas ele ainda é egoísta e rancoroso. – Ele me disse inconformado.
– Ainda acho que alguém vai mostrar pra ele que ele está errado de ter se tornado essa pessoa tão amarga. Seja eu, você, a Dulce... Não sei. – Dei de ombros.
– Talvez, vamos ver. Eu duvido que a Dulce desista de ver o avô. Teimosa do jeito que ela é... – Gustavo disse balançando a cabeça negativamente.
– Igual ao pai. – Dei risada da cara ofendida que ele fez pra mim. – Você falou sobre eu estar viva? – Perguntei séria novamente.
– Sim. – Ele disse baixo.
– E como ele reagiu? – Mastiguei o lábio incerta.
– Disse que eu estava louco, claro. Que era um absurdo que você estava viva, mas eu disse que se ele tivesse ainda um pingo de consideração por você, era pra ele vir te procurar. Depois eu levantei e sai, não estava mais aguentando aquela situação. – Ele se encostou no sofá e eu continuei na mesma posição.
– Você fez a sua parte, vamos ver como ele vai agir diante dessa descoberta. Talvez assim, ele venha me procurar. – Suspirei me sentindo cansada.
VOCÊ ESTÁ LENDO
A volta de Teresa
FanfikceE se o acidente de asa delta da Teresa não tivesse sido fatal? Se ela tivesse sido dada como morta mas, na verdade, não foi o seu corpo que foi enterrado naquele dia? Por um acaso do destino, Teresa sobreviveu ao acidente que mudou o rumo da sua vid...
