Capítulo 46

916 44 3
                                        

– Senhor Gustavo, que bom vê-lo. – Pascoal me cumprimentou quando chegamos no colégio. – E a senhora deve ser a famosa mãe da pequena Dulce, sim? – Ele se dirigiu a Teresa.

– Famosa eu não sei, mas que sou a mãe dela, sou sim. – Teresa sorriu para Pascoal.

– Pascoal, você sabe onde ela está agora? – Perguntei a ele.

– Bom, as crianças devem estar terminando o almoço. Não vão demorar muito. – Ele respondeu olhando para o relógio.

– Obrigado. Vamos até a sala da Madre, Teresa, precisamos falar com ela primeiro. – Nos despedimos de Pascoal e seguimos para dentro do colégio. Fui mostrando o interior para ela até chegar a sala da Madre, da outra vez que esteve aqui, Teresa estava tão preocupada com Dulce Maria que quase não conheceu nada do colégio e Dulce já tinha pedido muitas vezes para a mãe vir visitá-la.

– Até aqui você lembra, não é? – Perguntei a ela enquanto batia na porta.

– Sim. Aqui é a sala da Madre. – Balancei a cabeça e escutamos a Madre nos dar permissão para entrar.

– Olá, senhores, o que posso fazer por vocês hoje? – Madre Superiora perguntou nos recebendo.

– Olá, Madre, como vai? – Teresa a cumprimentou.

– Eu vou muito bem. Sentem-se. Aconteceu alguma coisa? – Nos acomodamos nas cadeiras.

– Não, Madre, não aconteceu nada. Quer dizer, sim, aconteceu. Nós dois queríamos falar com a Dulce Maria para darmos uma notícia a ela. – Disse animado.

– E essa notícia só pode ser boa, o sorriso de vocês está até me contagiando. – Madre disse e nós sorrimos.

– Sim, a melhor do mundo! Nós vamos dar um irmãozinho para Dulce Maria. – Teresa disse sorrindo enquanto segurava a minha mão e a Madre levantou da sua cadeira surpresa.

– Que notícia maravilhosa, Teresa. – Ela deu a volta em sua mesa e cumprimentou Teresa. – Um filho é uma benção de Deus e Dulce Maria vai ficar muito feliz. – Ela sorriu.

– Eu espero que sim, Madre. Por isso estamos aqui, não íamos aguentar esperarmos até sexta, queremos dar a notícia a nossa pequena logo. – Respondi e nós saímos da sala dela.

– O almoço já deve ter terminado, elas devem estar no pátio brincando. E de quanto tempo vocês estão? – Madre nos acompanhou.

– Pouco mais que seis semanas. – Teresa sorriu passando a mão na barriga.

– Ah, ainda é cedo. Cuide muito bem dela, senhor Gustavo. Aposto que a Dulce Maria não vai sair do seu lado. – Madre disse divertida.

– Se ela já é assim e não sabe que vai ser irmã mais velha, imagina depois que souber? – Andamos até o pátio onde encontramos as meninas correndo e se divertindo enquanto as freiras observavam atentas as pequenas.

– Boa tarde, meninas. – Madre disse alto fazendo todas as meninas pararem.

– Boa tarde, Madre Superiora. – Todas as crianças responderam ao mesmo tempo.

– Onde está Dulce Maria? – Ela perguntou e Teresa e eu procuramos nossa filha pelo pátio.

– Foi ao banheiro com a irmã Fabiana. – Uma das crianças respondeu.

– Ela está em apuros? – Adriana perguntou preocupada.

– Não, Adriana. Os pais dela estão aqui e precisam falar com ela. – Madre respondeu a pequena.

– Uau! Você que é a mãe da Dulce Maria? Você é muito mais bonita do que eu imaginava. – A criança se aproximou de Teresa que sorriu para ela.

– Eu sou a mãe da Dulce sim e você, como se chama? – Teresa se abaixou para ficar na altura da menina.

– Eu me chamo Duda. E essas são Adriana e Valentina. – Duda apontou para as meninas que chegaram mais perto de nós. Teresa virou a atração delas.

– Que nomes lindos, meninas, a Dulce fala muito de vocês. – Teresa apoiou seu rosto na mão sorrindo.

– Não mais que ela fala de você. Parece que a gente te conhece desde sempre. – Valentina sorriu para Teresa.

– Mamãe! Papi! – Dulce apareceu correndo em direção a Teresa a abraçando agitada. Coloquei minha mão nas costas de Teresa porque era capaz da Dulce derrubá-la na euforia.

– Oi, minha carinha de anjo. – Teresa sorriu e olhou para cima vendo Fabiana perto. – Oi, irmã Fabiana. – Ela levantou e eu peguei Dulce nos braços dando um beijo nela colocando-a no chão logo depois.

– Oi, dona Teresa. Seu Gustavo. – Ela cumprimentou nós dois.

– Dulce Maria, seus pais vieram aqui falar com você. – Madre se dirigiu a pequena.

– Dessa vez, eu juro que não foi eu. – Ela levantou as duas mãos em sinal de #pas.

– Não, minha filha, nós não viemos aqui brigar com você, viemos aqui te contar uma super novidade. – Respondi passando a mão ao redor da cintura de Teresa.

– Aí, novidade! Eu adoro novidade. – Fabiana disse empolgada.

– Irmã Fabiana, esse é um assunto entre os três. Por que você não vai cuidar das outras meninas? – A Madre Superiora disse rígida.

– Ih, tá bom, não está mais aqui quem falou. – Fabiana puxou as meninas para outra direção.

– O que é que vocês têm para me falar? – Dulce perguntou olhando para nós dois.

– Fiquem a vontade, senhores, eu vou voltar para minha sala. – A Madre disse.

– Ô Madre, eu posso mostrar o colégio para a minha mãezinha? Ela ainda não conheceu, por favor? – Dulce pediu com as mãos juntas.

– Tudo bem, Dulce Maria, mas não vai perder a hora da aula. – A Madre respondeu a ela e se retirou.

– Vem, mamãe. O papi já conhece tudo, então nós vamos te mostrar. – Dulce pegou na mão de Teresa e nós passeamos pelo colégio com Dulce Maria sendo a guia turística. Ela mostrou empolgada todos os lugares que ela conhecia, o parquinho, o jardim, o celeiro... – Aqui é onde ficam os porcos. Eu e o Zé Felipe já demos banho neles uma vez. – Dulce disse e Teresa deu uma gargalhada.

– Quem é Zé Felipe? – Ela perguntou.

– É o filho mais novo do caseiro, o Inácio. Eles moram numa casa aqui nos fundos do colégio. Tem outro filho chamado Zeca e sua esposa Diana. – Respondi pra ela.

– E o Zeca namora com a Juju. – Dulce completou.

– Nossa, todo mundo se conhece então. – Teresa disse espantada.

– Olha, eu tô só vendo vocês me enrolarem e não contarem a novidade, tá? Vocês voltaram? Isso não é mais novidade. – Dulce disse impaciente.

– Você conta ou eu conto? – Perguntei a Teresa que sorriu e virou para nossa filha.

– Minha carinha de anjo, lembra que há algumas semanas você me pediu uma coisa? – Teresa sentou num banquinho que tinha por lá e vi Dulce Maria pensando.

– Ih, mãezinha, eu te peço tanta coisa.. Beijo, abraço, colo... – Dulce sorriu subindo no colo de Teresa afirmando seu ponto.

– É, mas tem uma coisa que você me pediu várias vezes e que eu disse que não dependia só de mim para te dar. O presente tinha que ser meu e do papai. – Esperamos para ver se Dulce entendia.

– Sim, filha, um presente muito especial que tornará você a melhor irmã mais velha do mundo. – Disse depois de um tempo e Dulce Maria quase caiu do colo da mãe.

A volta de TeresaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora