50_ Filha...

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Ayla

Sienna levantou a mão, prestes a me acertar com um tapa, mas eu segurei seu braço antes que pudesse. Ela bufava, e seus olhos eram como brasas, queimando de raiva.

— O que você tem contra o meu pai, sua lixo?! — A voz dela tremia.

Maycon, que observava tudo de longe, correu até nós.

— Ei, se acalma! — ele disse enquanto tocava o ombro de sua namorada.

— Se acalma o caralho, Maycon! Você não vê que essa sua namoradinha tá doida? — Maevie se aproximou com uma fúria palpável, acompanhada por Sabrina.

— Olha, Sienna, eu sei que somos amigas, mas você tem noção do quão grave e nojento é o que seu pai fez com a Ayla? — Sabrina falou com firmeza.

— ELE NÃO FEZ NADA! NADA! — Sienna gritou, atraindo olhares curiosos de outros alunos. Maycon a abraçou na tentativa de acalmá-la. — VOCÊ PARA DE ME ABRAÇAR, SEU AMIGO FILHO DA PUTA QUASE MATOU MEU PAI! — Ela surtou para cima dele.

— Não foi bem assim, Sienna! — Maycon tentou argumentar.

— Sienna, pelo amor de Deus! Se você quer enxergar seu pai como um super-herói ou sei lá o quê, é problema seu! Ele não é nada disso e não culpa a Ayla por isso, porra! — Maevie exclamou.

Minha irmã parecia prestes a explodir como uma bomba. Então, pegou a mão de Maycon e os dois se afastaram de mim e das meninas.

— Eu vou atrás dela. Querendo ou não, é minha amiga. — Sabrina disse antes de desaparecer atrás dos dois.

Maevie se aproximou de mim e me abraçou forte.

— Eu sei que já te disse isso antes, mas sinto muito... muito mesmo, Ayla. Mal consigo imaginar tudo que você passou com aquele homem nojento.

— Obrigada...

— Ele é psicólogo mas quem precisa fazer terapia é esse doente!

De repente, a voz do diretor Edson chamou meu nome.

— Ayla...! Eu... eu preciso falar com você. — Assenti com a cabeça.

— Vai lá, Ayla. — Maevie sorriu pra mim e me deixou sozinha com Edson.

— Podemos ir à minha sala? — ele perguntou com um olhar sério.

— Claro.

Fomos para sua sala e ele fechou a porta atrás de nós. Sentamo-nos e percebi que ele estava extremamente nervoso.

— Nossa... estou tão nervoso... não sei como falar isso... — Ele parecia hesitar, me deixando preocupada.

— Aconteceu alguma coisa? Eu fiz algo errado?

— Não, não... — Ele respirou fundo. — Ayla... então... é que...

Nossa, ele estava realmente tenso. Será que é tão grave assim?

— Calma! Não fica nervoso!

— Quem precisa de calma é você... muita calma...

— Eu fui expulsa da escola?!

Ele balançou a cabeça rapidamente.

— Não! Não tem nada a ver com a escola.

Mais uma vez ele respirou fundo antes de continuar:

— Vou falar tudo de uma vez...

— Acho que é melhor. — Concordei ansiosamente.

Ele olhou nos meus olhos e disse:

— Agora... agora você vai ter alguém pra te proteger do filho da puta do marido da sua mãe... Marcos nunca mais vai te fazer mal... nunca mais.

Uou, o diretor xingou.

Fiquei atônita. Minha mente girava em busca de compreensão.

— Eu... eu não estou entendendo...

Ele respirou fundo mais outra vez e então disse:

— Filha... eu sou seu pai.
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Continua...

Aquele IdiotaOnde histórias criam vida. Descubra agora