Aquele Idiota 2 - 44_ Eu sei, pai

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Ayla

Enquanto Dylan me mantinha em seus braços, tentando me dar algum tipo de consolo, a porta do meu quarto se abriu de repente. Meu pai entrou, o rosto tenso, os olhos carregados de uma preocupação que eu não conseguia ignorar.

Ele olhou para Dylan, ainda mais sério do que o normal, e logo se virou para mim.

— Filha, precisamos conversar — disse ele, com a voz grave, mas o tom alterado, como se uma tempestade estivesse prestes a se formar.

Eu me desvinculei de Dylan, sentindo o peso da situação aumentar. O olhar do meu pai era cheio de urgência, como se tudo que estava acontecendo tivesse alcançado um limite que ele não sabia como lidar. Ele avançou um passo, sem nem esperar uma resposta minha.

— Eu quero você morando comigo de novo, Ayla. Quero que você volte para casa. Agora. Não é mais seguro para você. E eu não vou mais permitir que você viva assim, exposta a todos esses riscos. Você é minha filha, caralho, e eu vou proteger você a qualquer custo.

Eu senti o sangue ferver. Tentei manter a calma, mas as palavras dele foram como um soco no estômago. Eu já tinha sido controlada demais na minha vida. Já tinha sido manipulada e sufocada pelo medo. E agora, ele queria me prender de volta, como se eu fosse incapaz de me cuidar.

— Não, pai — eu disse, a voz firme, tentando não ceder à pressão. — Eu sou adulta. Eu não vou voltar para a sua casa. Eu já passei por isso antes. Eu sou independente, e o Dylan me dá segurança. Eu posso cuidar de mim mesma.

Meu pai estufou o peito, seu rosto ainda mais alterado, e deu um passo em minha direção.

— Não! Você não entende! Eu não vou ficar aqui parado enquanto você se mete em mais perigo! — Ele quase gritou. — Eu te vi chorar, te vi tão desesperada depois do que aconteceu com o Marcos, e agora você está falando que ele está de volta e recebendo aquelas mensagens!  Eu não vou permitir que você passe por mais isso! — Ele respirou fundo. — Filha, você tem certeza que viu ele?

Eu senti um nó apertar na minha garganta, o medo começando a crescer dentro de mim. Mas eu sabia o que havia visto. Não estava louca, não ia permitir que meu pai duvidasse da minha sanidade.

— Eu não estou louca, pai. Eu vi o Marcos. Ele estava lá. Eu vi ele com os próprios olhos. Eu sei o que vi. Eu não estou imaginando coisas!

Ele pareceu engolir em seco, como se tentasse processar as palavras, mas logo franziu a testa, parecendo cada vez mais confuso e desconfiado.

— Mas ele... ele morreu, Ayla. Como... como você pode ter visto ele? Você está dizendo que está vendo coisas que não existem? Não, não pode ser. Eu não posso aceitar isso, filha.

Eu não consegui mais segurar as lágrimas.

— Eu não estou vendo coisas, pai! Eu não estou louca! Eu vi o Marcos, ele está vivo, e ele está me ameaçando me mandando aquelas mensagens! Eu não posso ficar em paz sabendo que ele ainda está por aí, esperando o momento certo para me machucar de novo. Não posso ignorar o que vi.

Meu pai estava tão alterado, tão em choque, que parecia estar perdendo o controle. Ele andava de um lado para o outro, com as mãos no cabelo, claramente lutando para entender a situação.

— Não é possível, não é possível... Ele não pode estar vivo. Não, Ayla, isso não pode ser verdade. Você está me dizendo que ele... está vivo? Eu vi o corpo dele. Eu vi o que aconteceu. Ele morreu. Não pode ser...

Eu estava em pedaços, ouvindo as palavras de meu pai. Ele não queria aceitar o que estava acontecendo, e isso fazia com que tudo parecesse ainda mais aterrorizante.

— Eu sei o que vi, pai. Eu não estou inventando nada! Você não entende.

Meu pai parou de andar, respirou fundo, e a raiva deu lugar a uma profunda tristeza em seus olhos. Ele parecia derrotado, mas ao mesmo tempo não estava disposto a me deixar seguir o meu caminho sozinha. Ele tentou falar mais calmamente, mas a preocupação ainda estava estampada em seu rosto.

— Eu só quero te proteger. Eu não consigo ficar tranquilo sabendo que você está correndo esse risco, que você está enfrentando tudo isso sozinha. Eu sou seu pai, é minha responsabilidade cuidar de você.

Eu respirei fundo e, finalmente, deixei minhas emoções explodirem. Eu olhei nos olhos dele e, pela primeira vez, falei com toda a sinceridade que eu sentia.

— Pai, eu sei que você quer me proteger, mas eu preciso viver minha vida. Eu não posso voltar atrás agora. Eu sou forte. Eu estou em controle. Não é só a sua proteção que eu preciso, é a minha confiança em mim mesma.

Ele ficou em silêncio por um momento, olhando para mim, como se estivesse tentando encontrar uma resposta que nunca chegaria. Eu sabia que ele não ia concordar, que ele ainda ia querer me proteger de todas as formas possíveis, mas naquele momento, eu também sabia que minha vida era minha.

Ele olhou para Dylan, que estava ao meu lado, e então olhou para mim mais uma vez. O peso das palavras que eu disse caiu sobre nós dois, mas, mesmo que relutante, finalmente assentiu.

— Eu não concordo com isso, Ayla, mas vou respeitar sua decisão. Só não me peça para não me preocupar. Porque, mesmo que você seja adulta, você sempre será minha filha que eu amo tanto.

— Eu sei, pai. Eu sei. Você é meu pai que eu também amo tanto.

Ele me abraçou e beijou minha testa antes de sair do quarto, fechando a porta atrás de si com um suspiro pesado. Eu me virei para meu namorado, que me abraçou novamente.
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Continua...

Aquele IdiotaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora