Dylan
A festa estava cheia, lotada de gente que parecia saber exatamente o que fazer para se divertir. Músicas altas vibravam nas paredes, misturando-se às risadas e ao som de copos se chocando. Luzes coloridas piscavam, cortando a escuridão do salão. Era o tipo de ambiente que eu costumava adorar, mas agora parecia... distante.
Eu estava ali, encostado na parede, com um copo de bebida na mão, observando as pessoas dançarem como se o mundo fosse simples. Os meninos estavam se divertindo, cada um à sua maneira. Pedro já estava flertando com duas garotas ao mesmo tempo, enquanto Maycon gargalhava alto de alguma piada interna. Erick estava afundado em um sofá, rodeado por uma roda de meninas que tentavam puxar assunto, mas era óbvio que ele estava de olho em outra.
E eu... estava perdido.
— Relaxa, Dylan. Bebe um pouco mais. — Pedro passou por mim, empurrando uma nova garrafa na minha direção. — Sério, cara. Tenta curtir.
Assenti, forçando um sorriso que não chegou nem perto de ser verdadeiro. Dei um gole longo na bebida, esperando que o álcool fizesse alguma mágica e anestesiasse o nó apertado que crescia no meu peito. Mas nem o sabor amargo nem o calor descendo pela garganta me fizeram sentir diferente.
O nome dela pulsava na minha mente. Ayla.
Ela estava em todos os cantos daquela festa, mesmo sem estar lá. Eu via o cabelo dela entre as garotas que passavam, sentia o perfume dela cada vez que uma estranha esbarrava em mim, ouvia a risada dela misturada à música. Mas quando me virava, era só uma ilusão.
E então, uma garota apareceu na minha frente. Ela tinha um sorriso grande demais, os olhos brilhando sob as luzes piscantes.
— Tá meio deslocado, hein. — Ela riu, cruzando os braços, inclinando a cabeça de lado. — Não é de ficar parado em festa, né?
Forçando outro sorriso, dei de ombros.
— Não tô no clima hoje.
— Uma pena. — Ela se aproximou um pouco mais, a mão tocando meu braço de leve. — Talvez eu consiga mudar isso.
Eu sabia onde aquilo ia dar. Eu sabia que, se quisesse, poderia simplesmente seguir o fluxo. Aceitar o jogo dela, dançar um pouco, me perder em qualquer coisa que não fosse ela. Mas o problema era que... eu não queria.
A mão dela no meu braço não causava nada. Nenhum arrepio, nenhuma reação. Era como se estivesse tocando o vazio.
— Desculpa... eu... não posso. — Dei um passo para trás, a voz saindo baixa.
A garota franziu a testa, surpresa.
— Não tem namorada, tem?
Respirei fundo.
— Não. — As palavras saíram secas, cortantes. Porque, naquele momento, nem eu tinha certeza do que éramos.
A expressão dela endureceu.
— Então, qual é o problema?
— O problema sou eu.
Passei por ela, sem esperar por uma resposta. A festa continuava girando, mas eu estava paralisado no mesmo ponto. O aperto no peito ficou ainda maior, sufocante.
Pedro percebeu quando eu peguei a jaqueta do encosto da cadeira.
— Ei, tá indo pra onde? A noite nem começou!
— Não dá, cara. — Minha voz falhou.
— Dylan... — Maycon tentou intervir, mas eu já estava de costas, andando para a porta.
Erick não disse nada. Ele me conhecia o suficiente para entender que, se eu estava saindo, era por uma razão que ninguém ali podia consertar.
A cada passo para fora da festa, a sensação de falta aumentava.
Eu sabia exatamente para onde estava indo. Mesmo sem querer admitir, meu corpo já traçava o caminho sem que eu precisasse pensar.
Quando dei por mim, estava parado em frente ao prédio dela. Olhei para cima, para as luzes apagadas do apartamento.
Eu queria tanto acreditar nela. Queria tanto que tudo aquilo fosse um pesadelo, que não tivesse acontecido.
Ainda assim, eu não conseguia afastar a única certeza que martelava dentro de mim.
Eu amo a Ayla, independente de qualquer coisa. E isso estava me destruindo.
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Continua...
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Aquele Idiota
RomanceAyla é uma garota que enfrenta desafios que vão muito além da adolescência. Sob o mesmo teto que sua meia-irmã Sienna e seu padrasto abusivo, Marcos, ela luta diariamente para se proteger de um pesadelo que parece não ter fim. Na escola, Ayla é rotu...
