Dylan
Ayla não disse nada. Ela manteve o olhar baixo, as mãos entrelaçadas sobre o joelho, enquanto eu encostava no sofá ao lado dela. Era como se qualquer palavra pudesse fazer o chão desabar debaixo dos nossos pés.
Eu queria tocá-la, sentir que ela ainda estava ali. Mas eu não tinha certeza se tinha esse direito.
Depois de um tempo, Ayla respirou fundo, quebrando o silêncio:
— Você acha que eu sou mentirosa?
A voz dela saiu baixa, quase um sussurro, mas o peso por trás daquelas palavras me atingiu como uma pancada.
Eu me virei para encará-la.
— Não é isso, Ayla...
Ela levantou o rosto, os olhos brilhando com um misto de tristeza e frustração.
— É exatamente isso, Dylan. Você acha que eu poderia fazer isso com você.
— Eu... — engoli em seco. — Eu não queria pensar isso. Mas ver aquilo... foi difícil. Está sendo difícil, anjo.
Ayla balançou a cabeça lentamente, como se estivesse tentando processar algo que não fazia sentido.
— Eu sei que parece real. Mas você me conhece. Você sabe quem eu sou.
— Eu sei. — Apertei as mãos sobre os joelhos, tentando conter a sensação de estar me afogando. — Mas eu também sei que o Theo sumiu. E isso... isso me faz pensar.
— O Theo não está aqui porque ele sabe que você vai atrás dele. — Ela me encarou com uma firmeza que eu não esperava. — E ele deveria estar. Ele deveria te dizer a verdade. Ele é um grande... filho da puta.
Eu não respondi. Talvez porque parte de mim soubesse que ela estava certa.
Mais alguns segundos se passaram antes que Ayla desviasse o olhar de novo, fixando-se em algum ponto aleatório na sala.
— Eu tô cansada, Dylan. — A voz dela saiu fraca, como se ela estivesse lutando para manter o controle. — Cansada de tentar provar pra você que eu não fiz nada.
As palavras dela me atingiram com força.
Eu senti meu peito apertar.
— Eu não quero que você se sinta assim.
— Então para de me olhar como se eu fosse alguém que você não conhece mais.
O silêncio voltou, mas dessa vez era mais pesado, mais denso.
Eu sabia que precisava dizer algo. Fazer algo.
Então, sem pensar muito, deixei meu corpo se inclinar, a mão pousando de leve sobre a dela.
Ela não afastou.
— Eu não quero te perder. — Minha voz quase falhou, mas eu mantive o olhar fixo nas nossas mãos.
Ayla também não olhou para mim, mas seus dedos entrelaçaram-se lentamente nos meus.
— Então, para de me deixar sozinha.
Aquelas palavras eram tão simples, mas me desmontaram por dentro.
Eu deslizei no sofá, ficando mais perto dela. Ela encostou a cabeça no meu ombro, e por um instante, o peso do mundo pareceu um pouco mais fácil de carregar.
Eu não sabia se aquilo consertaria tudo.
Mas, pelo menos naquele momento, nós estávamos juntos.
E isso era o suficiente.
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Continua...
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Aquele Idiota
RomanceAyla é uma garota que enfrenta desafios que vão muito além da adolescência. Sob o mesmo teto que sua meia-irmã Sienna e seu padrasto abusivo, Marcos, ela luta diariamente para se proteger de um pesadelo que parece não ter fim. Na escola, Ayla é rotu...
