Aquele Idiota 2 - 82_ No fogo

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Ayla

Meu coração parecia ter parado no momento em que meu pai me contou. Dylan. Ele entrou no fogo por mim. As palavras ecoavam na minha mente, um turbilhão de desespero e culpa que não me deixava respirar.

— Ele se jogou no fogo? — Perguntei, a voz embargada, meus olhos presos no vazio da estrada enquanto o carro seguia a toda velocidade.

Meu pai suspirou, o olhar fixo no volante.

— Ele achou que você ainda estava lá, Ayla. Ele entrou sem pensar duas vezes.

As lágrimas escorreram descontroladamente pelo meu rosto, meu peito subia e descia em soluços que eu não conseguia conter.

— Eu... Eu preciso vê-lo... — Gaguejei, as mãos tremendo enquanto seguravam meu colo. — Ele... Ele não pode morrer, pai... Ele não pode...

Meu pai apertou o volante com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

— Ele vai ficar bem, filha. Ele é forte. Dylan é um lutador.

— MAS E SE NÃO FOR O SUFICIENTE?! — Gritei, a dor explodindo dentro de mim como um grito sufocado. — E se ele... Pai, eu não sei o que vou fazer se ele não...

Minhas palavras morreram em soluços. Eu queria gritar, chorar mais alto, quebrar o silêncio opressivo daquele carro.

— Ele vai ficar bem. — Meu pai repetiu, mas sua voz carregava uma incerteza que me destruía ainda mais.

Cada segundo até chegarmos ao hospital foi um tormento. Quando finalmente entramos no saguão, meu olhar frenético encontrou rostos conhecidos: Simon, Emily, Hazel e Aurora. Todos eles estavam ali, com expressões tão desesperadas quanto a minha.

— Onde ele está? — Perguntei, sem sequer cumprimentar ninguém.

Hazel veio correndo até mim, os olhos inchados e vermelhos de tanto chorar.

— Ayla... — A voz dela era um sussurro, e ela me abraçou com força.

— Como ele está? — Perguntei novamente, minha voz trêmula, quase inaudível, enquanto eu a segurava pelos ombros. — Me diz que ele está bem!

Simon, encostado na parede, respirou fundo, o olhar carregado de dor.

— Ele está na UTI. Inalou muita fumaça, tem algumas queimaduras, mas... o pior foi o colapso. O corpo dele não aguentou.

Aquelas palavras me atingiram como uma faca no peito. Senti minhas pernas fraquejarem e me apoiei em Hazel.

— Ele entrou lá... — Murmurei, mais para mim mesma do que para eles. — Ele entrou naquele inferno achando que eu estava lá...

— Ele entrou porque te ama. — A voz de Emily ecoou pela sala. Olhei para ela, que estava sentada em uma cadeira próxima, o lenço em suas mãos completamente molhado de lágrimas.

— Ele não deveria ter feito isso. — Minha voz saiu como um sussurro desesperado. — Ele não deveria...

— Ayla. — Aurora se aproximou, a mão suave no meu ombro. — Meu neto é teimoso. Sempre foi. Mas ele nunca lutou por nada como luta por você.

Eu desabei. Meus joelhos cederam, e meu pai e Hazel me seguraram antes que eu caísse no chão.

— Eu preciso vê-lo. — Gritei, minha voz carregada de desespero. — Por favor, eu preciso vê-lo! Eu não consigo ficar aqui esperando, não consigo!

Simon balançou a cabeça lentamente, os olhos cheios de pesar.

— Ainda não podemos. Ele está sedado, monitorado. Ayla, ele é forte. Ele vai superar isso.

— Mas e se não superar? — Perguntei, encarando cada um deles, buscando alguma garantia, qualquer coisa que pudesse me dar esperança. — Eu não posso perder ele!

Hazel segurou minhas mãos trêmulas, os olhos dela cheios de lágrimas que caíam sem parar.

— Ele fez isso por você, Ayla. Ele sabia que valia a pena.

A culpa me consumia. Cada segundo que passava era um lembrete do que Dylan havia sacrificado por mim.

E naquele momento, enquanto eu soluçava sem controle no meio daquele saguão, percebi que, se algo acontecesse com ele, eu jamais me perdoaria.
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Continua...

Aquele IdiotaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora