Ayla
Minha mente ficou em branco por um segundo. Clara. O que essa piranha estava fazendo aqui?!
Dylan, que parecia tão descontraído minutos atrás, agora estava visivelmente desconfortável.
— Clara? O que você está fazendo aqui? — Ele perguntou, segurando a porta, como se quisesse barrar a entrada dela.
— Ah, Dylan, achei que seria bom fazer uma visita. Afinal, a gente é amigo, não é? — Clara respondeu com a voz doce, mas havia algo afiado por trás do tom dela.
— Visita? — Eu me aproximei, cruzando os braços. — Amiga? Desde quando?
Clara virou a cabeça na minha direção, o sorriso dela se tornando ainda mais irritante.
— Ayla, que bom te ver!
— Jura? — Meu tom saiu seco.
— Ah, Dylan, esses são seus pais? Ooi!
— Oi. — Simón e Emilly disseram em uníssono.
— Quem é essa piranha, Dylan? — Hazel falou e eu não consegui segurar a risada.
Clara olhou feio para a irmãzinha do meu namorado.
— Cadê os modos, Hazel? — Emilly chamou sua atenção mas parecia mesmo querer rir.
— Clara, agora não é um bom momento. Estamos ocupados. — Dylan falou, mas ela parecia determinada a entrar.
— Ah, não vou tomar muito do seu tempo. Só queria entregar isso. — Ela puxou uma pasta fina da bolsa e estendeu para ele.
— O que é isso? — Dylan perguntou, pegando a pasta com relutância.
— Um trabalho da faculdade. Achei que você poderia revisar para mim, já que é tão talentoso. — Ela piscou, sem nem disfarçar o flerte na voz.
Eu senti meu sangue ferver. Antes que Dylan pudesse responder, tomei a palavra:
— Clara, acho que você tem o professor pra isso, não?
Ela me olhou com um sorriso forçado.
— Claro, mas é que o Dylan é tão bom no que faz. Achei que ele não se importaria.
— Ele se importa. — Hazel disse.
Essa criança é uma diva!
— Sim, ele se importa. — Cruzei os braços, encarando-a. — Não vai revisar nada pra ela. Certo, amor? — Eu virei para ele, arqueando uma sobrancelha.
Clara riu suavemente, como se tivesse acabado de assistir a algo muito divertido.
— Bem, se não quiser ajudar, tudo bem. Só achei que seria gentil da parte dele. — Ela deu um passo para trás, mas antes de sair, se virou para mim. — Ayla, você é uma garota de sorte. Mas não se esqueça: sorte pode mudar.
Ela lançou um último sorriso para Dylan e foi embora, me deixando furiosa.
Assim que a porta se fechou, me virei para Dylan.
— O que foi isso?!
Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo.
— Eu não sabia que ela iria vim aqui, anjo. Porra, eu juro. Nem sei como essa maluca descobriu meu endereço!
— Ela é uma piranha, Dylan! Você não percebe o que ela está tentando fazer?
— Claro que percebo, mas você acha que eu daria abertura? Eu amo você, Ayla! — Ele se aproximou, segurando meus ombros.
— Então me prova isso. — Olhei nos olhos dele, desafiando-o.
Dylan ficou em silêncio por um momento antes de suspirar.
— Eu já provo todos os dias, Ayla... — Ele disse em choque, a decepção evidente na voz.
Dylan me puxou para um abraço apertado, mas minha mente ainda fervilhava com a visita inesperada de Clara.
.
.
.
.
Continua...
VOCÊ ESTÁ LENDO
Aquele Idiota
RomanceAyla é uma garota que enfrenta desafios que vão muito além da adolescência. Sob o mesmo teto que sua meia-irmã Sienna e seu padrasto abusivo, Marcos, ela luta diariamente para se proteger de um pesadelo que parece não ter fim. Na escola, Ayla é rotu...
