Aquele Idiota 2 - 61_ Doeu

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Ayla

Cada passo na faculdade parecia uma luta contra o próprio corpo.

As vozes sussurravam ao meu redor. Os olhares... eu podia sentir cada um deles queimando nas minhas costas.

Eu deveria ter ficado em casa.

— Eles ainda tão te olhando. — Maevie disse baixinho, andando ao meu lado.

— Eu sei.

— Foda-se eles. — Samantha resmungou. — Gente idiota que não tem mais o que fazer.

Levantei o olhar, tentando ignorar a onda de vergonha que me sufocava.

Mas foi inútil.

Na biblioteca, no corredor, até perto da cafeteria... todos sabiam.

Todos tinham visto as fotos.

A pior parte era que eu não podia nem gritar que aquilo era uma mentira.

— Eu não devia ter vindo. — Murmurei, abraçando meus livros contra o peito.

— Não devia mesmo. — A voz fria me fez parar.

Mirella estava encostada na parede do corredor, os braços cruzados, o olhar pesado em mim.

— Mirella... — Maevie começou, mas Mirella levantou a mão, cortando qualquer tentativa de defesa.

— Ele confiava em você, Ayla. — A raiva transbordava na voz dela. — Ele te deu tudo. E você fez isso com ele.

— Eu não traí o Dylan. — Minha voz saiu quase como um sussurro.

— Ah, não? — Ela deu um passo à frente. — Então como você explica as fotos? Tava só... dormindo pelada do lado do Theo?

Engoli em seco.

— Foi uma armação. Eu não lembro de nada daquela noite.

Mirella riu com ironia, os olhos brilhando de raiva.

— Engraçado, né? Parece até a mesma desculpa da Maevie... quando traiu ele.

Maevie congelou ao meu lado.

— Mirella, para com isso.

— Não, Maevie. — Ela olhou direto pra mim. — Sabe o que é pior, Ayla? Eu defendi você. Eu disse pra ele que você nunca faria isso.

— Porque eu não fiz.

— Mas você fez. — A voz dela tremeu. — E agora ele tá quebrado. De novo.

Senti as lágrimas se acumularem nos meus olhos, mas não deixei que caíssem.

— Eu amo o Dylan.

— Então parabéns. — Mirella se afastou, caminhando pelo corredor. — Você acabou de destruir o cara que você diz amar.

(...)

Eu nem sabia como meus pés me levaram até o estacionamento.

O ar fresco bateu contra o meu rosto, mas não ajudou em nada.

Eu precisava sair dali.

Virei a esquina do prédio e foi quando o vi.

Dylan.

Encostado na moto, os olhos perdidos em algum ponto distante.

Ele estava... destruído.

A barba por fazer, as olheiras profundas... e a expressão vazia. Mas ainda sim, continuava lindo.

Meu coração doeu só de olhar pra ele.

Mas quando os olhos dele se encontraram com os meus, o vazio se transformou em algo muito pior.

Ele desviou o olhar como se eu fosse um fantasma.

Como se eu não existisse mais.
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Continua...

Aquele IdiotaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora